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Anacrusa, Prog Folk, Argentina

"Anacrusa" é uma banda argentina formada no início dos anos 70 por "José Luis Castiñeira de Dios" (violão, charango, cuatro, bandoneón, baixo, arranjos) e pela voz marcante de "Suzana Lago" (piano, órgão, charango e voz), acompanhados pelo trio "Alex Eriich-Oliva" (double bass, violões, violoncelo), "Julio Pardo" (flauta, oboé, instrumentos de sopro) e "Elias Chiche Heger" (bateria, percussão). O grupo apresentava-se em pequenos locais de Buenos Aires, apresentando um som fortemente influenciado pelos ritmos portenhos e latinos. Durante a década de 70, Brasil e Argentina não rivalizavam apenas no futebol, mas também na formação de grandes bandas. Enquanto o Brasil tinha "Secos & Molhados", "Mutantes", "Som Nosso de Cada Dia" e "O Terço" (só para citar alguns), a Argentina rivalizava com "Sui Generis", "La Biblia", "Almendra" e "La Maquina de Hacer Pajaros" (também para citar só alguns). Porém, os argentinos tinham um diferencial em suas bandas, já que a maioria delas explorava com muita qualidade as características sonoras do seu país. Não era diferente com a "Anacrusa", uma banda espetacular, que sabia fazer miséria com tango, rock progressivo, mambo, milonga, chamamé e diversos outros estilos comuns ao pampa portenho. O grupo, cujo nome é uma forma musical européia, advinda do grego "ἀνάκρουσις", que significa retrocesso, tem uma história praticamente obscura, mas graças a geração MP3, o mundo pode conhecer uma das bandas mais versáteis que o pampa portenho já ouviu, que fez questão de retroceder às origens folclóricas de seu país, mas foi além com o passar dos anos e as inspirações progressivas. Não tardou para que assinassem um contrato com o selo Redondel, e em 1973, lançasse seu álbum de estréia, auto-batizado. O disco é muito belo, misturando os elementos do pampa com sutis porções de rock progressivo. Em pouco mais de trinta minutos, somos apresentados a diversos ritmos latinos, como as cuecas "La Rosa Y El Clave" e "Rio Limay", contrastando os violões, piano e bandoneón com majestosos solos de flauta e xilofone, e as canções populares e dançantes presentes no joropo "Lo Que Mas Quiero" e no merengue "Marula Sanchez".  A voz de "Susana" destaca-se na guajira "Pobre Mi Tierra" e em "Elegia Sobre Un Poema", onde ela realmente assombra. Os destaques ficam para as instrumentais "El Baile del Pajarillo" (joropo venezuelano), "Zamba de Invierno", ambas com um show de "Castiñeira" e "Pardo", "Galopa del Mamboreta", uma galopa com uma empolgante variação de ritmos entre piano e flauta, a andina "Viento de Yavi", todas com ótimas passagens de elementos prog com elementos do pampa, e a mágica chacarera "Piedra Y Madera", sem sombra de dúvidas a melhor e mais elaborada canção do LP.  São canções curtas, mas com um belo apelo emocional, que indicavam um promissor caminho para o quinteto, que na capa do LP, mostrava suas influências progressivas, imitando o "Pink Floyd" em "Ummagumma" ao posar com todos os seus instrumentos ao mesmo tempo. O álbum vendeu relativamente bem, angariando mais shows para o grupo e permitindo a gravação de um segundo LP no ano seguinte. "Anacrusa II" de 1974 apresenta a primeira reformulação da banda, agora com o "La Platense Rubén Mono Izaurralde" no lugar de "Pardo". O grupo continua suas explorações musicais no ano seguinte, e "Mono" foi a substituição, dando uma nova face para o grupo, já que além de tocar muito bem, também canta, aqui em "Rio Manzanares".  O álbum possui canções populares de diferentes países, como a citada "Rio Manzanares" (canción venezuelana), "Coplas de Cundinamarca" (coplas colombianas) e a dançante "Palmero" (marinero peruana), além de "Homenaje", uma cueca legitimamente portenha, e que está no lado B.  Mas com a dolorida "Polo Coriano", o grupo surpreende nas partes instrumentais, enaltecidas nas pérolas "Zamba de la Despedida", destacando o órgão de "Susana", a suíte "Campo Sur" e a suave "Saque Mi Corazón de la Tierra Quemada", com violão, flauta e piano dividindo as atenções. Há também a estonteante "Calcufurá", uma incrível canção na qual "Susana" usa e abusa das notas do piano, e "Mono" faz misérias com a flauta, encerrando de forma fantástica esse belíssimo álbum e mostrando os caminhos progressivos que o grupo iria seguir em breve. "Anacrusa" e "Anacrusa II" foram posteriormente relançados em um único CD, chamado "Anacrusa" (2001), trazendo todas as canções de ambos os álbuns.  O mercado latino começava a receber de braços abertos o quinteto, que não parava de produzir espetáculos cada vez mais concorridos. Porém, em plena ditadura militar, sobreviver como músico no país vizinho tornou-se uma tarefa complicada, e desta forma, as dificuldades financeiras começaram a aparecer. Mesmo assim, o quinteto seguiu na luta, e com uma nova formação tendo "Castiñera",  "Mono", "Susana", "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Quique Alvarado" (baixo e sintetizador), "Juan Carlos Lícari" (bateria) e "Ricardo Martinez" (percussão), lançam "Anacrusa III", em 1975, pelo pequeno selo Global.  Se em "Anacrusa II", os argentinos colocavam o pé levemente no progressivo, no terceiro disco a situação inverte-se, já que esse é o álbum mais folclórico do grupo, que como todos os demais, possui uma distinção muito clara nos ritmos apresentados.  Nas canções com vocal, temos o joropo de "Pullas", com os vocais divididos entre "Mono" e "Susana", as vidalas "Lamento del Salitral" e "Tanta Lagrima Regada", a marinera peruana de "M'hey de Guardar", a valsa peruana "Maldito Amor" e a milonga "Milonga del Silencio", ambas com dramáticas interpretações de "Susana".  Para manter a constante, os arranjos instrumentais do maestro "Castiñeira" são o que temos de melhor, enaltecendo cada vez mais o nome do grupo para os fãs, através das jóias "Polquita Cruceña", uma polca boliviana com um belo duelo de flauta e oboé, e "Los Capiangos", uma chaya típica representante da sonoridade "Anacrusa", trazendo como novidade a presença do sintetizador. A agitada candomble "Recuerdos de Monserrat", que serviria de base para outra canção do grupo no futuro, destacando a inclusão do xilofone na mesma, é um dos principais destaques, ao lado de "Horizontes Y Senderos", que traz lágrimas em suas três partes, uma mais bela que a outra, e totalmente distintas entre si, mostrando que é possível construir uma ótima canção repleta de variações em apenas cinco minutos. Em 2005, esse álbum foi relançado com o nome "Documentos 75-76", trazendo cinco bônus, que foram gravadas para o quarto álbum do grupo, o qual seria lançado em 1976, mas não chegou a sair. São elas: "Cuando Llegare", "Vidala de la Tierra Conocida", "Cuando Salgo a Sabanear", "Polo Margariteno" e "Carnavalito Y Vidala", sendo "Documentos 75-76" um álbum de mais fácil acesso em comparação aos demais. A ditadura passou a ficar cada vez mais pesada entre os hermanos, obrigando o grupo a retirar-se do país, buscando exílio na França em 1977. Apesar da saída às pressas da sua Terra Natal, os ares europeus foram revitalizadores, já que lá, o quinteto ampliou seus conhecimentos musicais.  Amigos argentinos e da América Latina em geral, também exilados na França, passaram a frequentar as residências de "Susana" e "Castiñeira", surgindo um novo "Anacrusa", agora com "Susana", "Castiñeira", "Pardo" e "Bruno", "Daniel Sbarra" (guitarras), "Jorge Trasante" (bateria e percussão), "Juan Mosalini" (bandoneon) e "Phillipe Pages" (piano, órgão). O que estava bom iria fica incrivelmente melhor a partir de então. Os novos rumos ainda levaram o grupo a assinar com o mega selo Philips, e em 1978, chegou às lojas o álbum "El Sacrificio", que na minha opinião é o melhor do grupo. Desde a estonteante entrada com "El Pozo de los Vientos", e uma impecável mistura de elementos progressivos com latinos, percebemos que o grupo cresceu e muito. Guitarra, baixo e piano misturam-se a flauta, oboé e percussões de uma maneira ímpar, sendo que o trabalho de "Sbarra" é perfeito, com suas distorções puramente psicodélicas, apresentadas na recriação de "Los Capiangos" e em "Quien Bien Quiere", ambas com um belíssimo arranjo orquestral.  O trabalho instrumental de "Castiñeira" e "Susana" é elevado para o nível mais alto, como atestam "Sol del Fuego", com uma ótima participação do bumbo-leguero, e na longa suíte "Tema de Anacrusa", uma canção merecedora de ser chamada de Maravilha, com seus treze incansáveis minutos de variações e andamentos mágicos criados por piano, flauta, saxofone, baixo, guitarras e percussão, além de fantásticas vocalizações de "Susana".  Aliás, o que ela faz com a voz na faixa-título assusta até fantasmas, e quando ouvimos os cinco minutos da Maravilhosa "Homenaje a Waldo", não tem como evitarmos as lágrimas e a tradicional frase cuja sigla é "PQP!", tamanha a emoção e perfeição que os músicos exprimem na mesma. Um disco perfeito, que ao lado de "La Biblia" (Vox Dei) e "Artaud" (Pescado Rabioso), está no topo dos Melhores álbuns já lançados por um grupo da Argentina. O "Anacrusa" seguiu como um grupo errante, atuando pouco mas concentrando-se bastante nas composições, além de uma grande mudança na formação, agora com "Castiñeira" e "Susana" acompanhados de "Narciso Omar Espinosa" (violão), "Tony Bonfyls" (baixo), "André Arpino" (bateria), "Jacky Tricore" (guitarra), "Alain Human" (percussão),  "Rubem Sanchez Resta" (percussão), "Patrice Mondon" (violino), "Pierre Gozzes" (saxofone), "Claude Maisonneuve" (oboé) e "Raymond Guiot" (flautas). O segundo disco do exílio demorou quatro anos para ser parido, com o nome de "Fuerza" e lançado em 1982, é um forte concorrente para "El Sacrificio" à posição de melhor do grupo. Temos um álbum muito elétrico, levado principalmente pela guitarra ácida de Tricore.  As únicas canções que trazem um pouco das origens são a quase "Weather Report" "Monserrat", inspirada nos acordes de "Recuerdos de Monserrat", e a bela faixa-título, com o bumbo leguero se fazendo presente, mas destacando exclusivamente o arrepiante arranjo vocal. No mais, o "Anacrusa" apresenta novidades em seu som, como as baladas "En Paz" e "Vidala de la Tierra", essa com um ótimo arranjo orquestral, e até mesmo jazz-fusion, na incrível "Presion", com "Susana" dando show ao piano, além de um duelo inesquecível de violino e guitarra.  A maravilhosa recriação para "Calfucurá" é tão sublime quanto a versão de "Anacrusa II", mas muito mais potente com a presença dos metais e das cordas, além do tom medieval empregado na parte final da canção. O melhor fica para o final, com a estonteante "Chaya", repleta de inspirações diversas, desde o jazz ao tango, e  a suíte "Voz del Agua", que certamente irá fazer você pensar "Por que eu não ouvi essa banda antes?", tamanha a profundeza emocional que o "Anacrusa" nos apresenta ao longo dos seus nove minutos de duração, nesta que é a canção mais trabalhada orquestralmente na carreira do grupo. Infelizmente, após o lançamento de "Fuerza", o grupo separou-se, com alguns músicos voltando para a Argentina e outros permanecendo na Europa. Nesse período, o "Anacrusa" entrou na obscuridade, e somente "Castiñeira" ganhou algum destaque, compondo trilhas para diversos filmes franceses e argentinos. Somente nos anos 90, uma nova reunião entre "Susana" e "Castiñeira" veio a ocorrer, e a mesma acabou gerando mais um registro fonográfico, o quinto do grupo. 13 anos depois de "Fuerza", "Castiñeira" e "Susana" reencontraram-se em Buenos Aires, registrando "Reencuentro" (1995), com a participação de diversos músicos convidados. No álbum, revezam-se "Arturo Schneider" e "Rubén Mono Izarrualde" (flautas), "Adalberto Cevasco" e "Quique Alvarado" (baixo), "Enrique Zurdo Roizner" e "Carlos Carli" (bateria), "Narciso Omar Espinoza" e "Ricardo Lew" (guitarras), além de "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Daniel Binelli" (bandoneón), "Hugo Pierre" (clarinete e saxofone) e "Víctor Skorupski" (flauta e saxofone).  O grande momento desse reencontro é a faixa que abre o CD, a suíte "Tristes Llanos", com épicos quinze minutos instrumentais nos quais piano, guitarra, flauta e saxofone são os senhores de uma musicalidade quase esquecida nos anos 90.  Depois, temos quinze canções que variam bastante os estilos, algumas reaproveitadas de obras já compostas por "Castiñeira", com "Susana" prestando sua voz para "Alla Viené Un Corazón" , "Ya Me Voy", e a excepcional "Hasta Volver", que são as canções mais folclóricas do álbum. Como sempre, os momentos instrumentais são os que mais chamam a atenção, destacando "Gotas", "Violento", "Bajo Otro Sol", "Noche de Cueca", Prisión" e "Glaciares", todas com complexos e belos arranjos.  Há ainda canções que perambulam entre agradar ou não, que são as baladas vocais "Procesión" e "Estilo", e as instrumentais "De Aca Y de Alla", com flautas andinas fazendo o solo principal, mas com um magnífico bandoneón na sua segunda parte, e "Subiendo Cuestas", tendo como destaque o charango, mas um ritmo muito sonolento.  Os deslizes ficam para "Canto a la Tierra" e "Elegía", totalmente descartáveis. Um disco ameno, que podia ser mais curto (principalmente nas canções com vocal), mas cuja importância é muito relevante, já que algumas pérolas são encontradas apenas aqui. Seguiu-se um longo hiato novamente, e somente em 2005 os fãs puderam se surpreender com mais um lançamento do conjunto, "Encordado". Com "Susana", "Castiñeira", "Alejandro Santos" (flauta, saxofone, quena, sikus), "Hugo Pierre" (saxofone, flauta, clarinete), "Ricardo Lew" (guitarra, violão), "Enrique Zurdo Roizner" (bateria) e "Allan Ballan" (baixo, violoncelo),  apresentando também um quarteto de cordas, bem como diversos convidados, o "Anacrusa" surpreendeu os fãs com "Encordado", no qual o o grupo homenageia o Brasil com "Nordestino", uma canção que, como o nome diz, remete ao nordeste brasileiro através da flauta, cordas e percussão. No álbum, há uma recriação mais lenta para "El Sacrificio", e também, "Mamboreta", nada mais que uma versão moderna para "Galopa del Mamboreta", do primeiro álbum. As canções populares soam cansativas, e aqui encaixam-se "Rema Rema", "Rio Rio", "La Partida" e "Atardecer".  Por outro lado, o instrumental continua impecável, como atestam "Prision", "Galeron" e "Cautiva". "Candombe de Alain", "Cruz de Sal" e "Zamba de Invierno" são o trio de ouro de um álbum mediano, contudo bem melhor que seu antecessor. Uma pequena série de apresentações acabou fazendo com que mais um registro ocorresse, dessa vez do álbum "En Vivo", registrado em novembro de 2005, no Teatro Presidente Alvear, em Buenos Aires,  e lançado no mesmo ano.  Desde então, "Castiñeira" segue sua carreira como compositor, e aguardamos por uma reunião que parece, por enquanto, existir apenas nos sonhos dos fãs de uma das melhores bandas da América do Sul.  A estrutura das canções em absoluto é muito fechada para a cultura peruana, boliviana, baladas argentinas, bolero, milongas... porém representa algo mais refinado e certamente a melhor vibração possível  da música popular Latina com o rock progressivo, recomendo.
"Anacrusa" é uma banda argentina formada no início dos anos 70 por "José Luis Castiñeira de Dios" (violão, charango, cuatro, bandoneón, baixo, arranjos) e pela voz marcante de "Suzana Lago" (piano, órgão, charango e voz), acompanhados pelo trio "Alex Eriich-Oliva" (double bass, violões, violoncelo), "Julio Pardo" (flauta, oboé, instrumentos de sopro) e "Elias Chiche Heger" (bateria, percussão). O grupo apresentava-se em pequenos locais de Buenos Aires, apresentando um som fortemente influenciado pelos ritmos portenhos e latinos.
Durante a década de 70, Brasil e Argentina não rivalizavam apenas no futebol, mas também na formação de grandes bandas. Enquanto o Brasil tinha "Secos & Molhados", "Mutantes", "Som Nosso de Cada Dia" e "O Terço" (só para citar alguns), a Argentina rivalizava com "Sui Generis", "La Biblia", "Almendra" e "La Maquina de Hacer Pajaros" (também para citar só alguns). Porém, os argentinos tinham um diferencial em suas bandas, já que a maioria delas explorava com muita qualidade 
as características sonoras do seu país.
"Anacrusa" é uma banda argentina formada no início dos anos 70 por "José Luis Castiñeira de Dios" (violão, charango, cuatro, bandoneón, baixo, arranjos) e pela voz marcante de "Suzana Lago" (piano, órgão, charango e voz), acompanhados pelo trio "Alex Eriich-Oliva" (double bass, violões, violoncelo), "Julio Pardo" (flauta, oboé, instrumentos de sopro) e "Elias Chiche Heger" (bateria, percussão). O grupo apresentava-se em pequenos locais de Buenos Aires, apresentando um som fortemente influenciado pelos ritmos portenhos e latinos. Durante a década de 70, Brasil e Argentina não rivalizavam apenas no futebol, mas também na formação de grandes bandas. Enquanto o Brasil tinha "Secos & Molhados", "Mutantes", "Som Nosso de Cada Dia" e "O Terço" (só para citar alguns), a Argentina rivalizava com "Sui Generis", "La Biblia", "Almendra" e "La Maquina de Hacer Pajaros" (também para citar só alguns). Porém, os argentinos tinham um diferencial em suas bandas, já que a maioria delas explorava com muita qualidade as características sonoras do seu país. Não era diferente com a "Anacrusa", uma banda espetacular, que sabia fazer miséria com tango, rock progressivo, mambo, milonga, chamamé e diversos outros estilos comuns ao pampa portenho. O grupo, cujo nome é uma forma musical européia, advinda do grego "ἀνάκρουσις", que significa retrocesso, tem uma história praticamente obscura, mas graças a geração MP3, o mundo pode conhecer uma das bandas mais versáteis que o pampa portenho já ouviu, que fez questão de retroceder às origens folclóricas de seu país, mas foi além com o passar dos anos e as inspirações progressivas. Não tardou para que assinassem um contrato com o selo Redondel, e em 1973, lançasse seu álbum de estréia, auto-batizado. O disco é muito belo, misturando os elementos do pampa com sutis porções de rock progressivo. Em pouco mais de trinta minutos, somos apresentados a diversos ritmos latinos, como as cuecas "La Rosa Y El Clave" e "Rio Limay", contrastando os violões, piano e bandoneón com majestosos solos de flauta e xilofone, e as canções populares e dançantes presentes no joropo "Lo Que Mas Quiero" e no merengue "Marula Sanchez".  A voz de "Susana" destaca-se na guajira "Pobre Mi Tierra" e em "Elegia Sobre Un Poema", onde ela realmente assombra. Os destaques ficam para as instrumentais "El Baile del Pajarillo" (joropo venezuelano), "Zamba de Invierno", ambas com um show de "Castiñeira" e "Pardo", "Galopa del Mamboreta", uma galopa com uma empolgante variação de ritmos entre piano e flauta, a andina "Viento de Yavi", todas com ótimas passagens de elementos prog com elementos do pampa, e a mágica chacarera "Piedra Y Madera", sem sombra de dúvidas a melhor e mais elaborada canção do LP.  São canções curtas, mas com um belo apelo emocional, que indicavam um promissor caminho para o quinteto, que na capa do LP, mostrava suas influências progressivas, imitando o "Pink Floyd" em "Ummagumma" ao posar com todos os seus instrumentos ao mesmo tempo. O álbum vendeu relativamente bem, angariando mais shows para o grupo e permitindo a gravação de um segundo LP no ano seguinte. "Anacrusa II" de 1974 apresenta a primeira reformulação da banda, agora com o "La Platense Rubén Mono Izaurralde" no lugar de "Pardo". O grupo continua suas explorações musicais no ano seguinte, e "Mono" foi a substituição, dando uma nova face para o grupo, já que além de tocar muito bem, também canta, aqui em "Rio Manzanares".  O álbum possui canções populares de diferentes países, como a citada "Rio Manzanares" (canción venezuelana), "Coplas de Cundinamarca" (coplas colombianas) e a dançante "Palmero" (marinero peruana), além de "Homenaje", uma cueca legitimamente portenha, e que está no lado B.  Mas com a dolorida "Polo Coriano", o grupo surpreende nas partes instrumentais, enaltecidas nas pérolas "Zamba de la Despedida", destacando o órgão de "Susana", a suíte "Campo Sur" e a suave "Saque Mi Corazón de la Tierra Quemada", com violão, flauta e piano dividindo as atenções. Há também a estonteante "Calcufurá", uma incrível canção na qual "Susana" usa e abusa das notas do piano, e "Mono" faz misérias com a flauta, encerrando de forma fantástica esse belíssimo álbum e mostrando os caminhos progressivos que o grupo iria seguir em breve. "Anacrusa" e "Anacrusa II" foram posteriormente relançados em um único CD, chamado "Anacrusa" (2001), trazendo todas as canções de ambos os álbuns.  O mercado latino começava a receber de braços abertos o quinteto, que não parava de produzir espetáculos cada vez mais concorridos. Porém, em plena ditadura militar, sobreviver como músico no país vizinho tornou-se uma tarefa complicada, e desta forma, as dificuldades financeiras começaram a aparecer. Mesmo assim, o quinteto seguiu na luta, e com uma nova formação tendo "Castiñera",  "Mono", "Susana", "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Quique Alvarado" (baixo e sintetizador), "Juan Carlos Lícari" (bateria) e "Ricardo Martinez" (percussão), lançam "Anacrusa III", em 1975, pelo pequeno selo Global.  Se em "Anacrusa II", os argentinos colocavam o pé levemente no progressivo, no terceiro disco a situação inverte-se, já que esse é o álbum mais folclórico do grupo, que como todos os demais, possui uma distinção muito clara nos ritmos apresentados.  Nas canções com vocal, temos o joropo de "Pullas", com os vocais divididos entre "Mono" e "Susana", as vidalas "Lamento del Salitral" e "Tanta Lagrima Regada", a marinera peruana de "M'hey de Guardar", a valsa peruana "Maldito Amor" e a milonga "Milonga del Silencio", ambas com dramáticas interpretações de "Susana".  Para manter a constante, os arranjos instrumentais do maestro "Castiñeira" são o que temos de melhor, enaltecendo cada vez mais o nome do grupo para os fãs, através das jóias "Polquita Cruceña", uma polca boliviana com um belo duelo de flauta e oboé, e "Los Capiangos", uma chaya típica representante da sonoridade "Anacrusa", trazendo como novidade a presença do sintetizador. A agitada candomble "Recuerdos de Monserrat", que serviria de base para outra canção do grupo no futuro, destacando a inclusão do xilofone na mesma, é um dos principais destaques, ao lado de "Horizontes Y Senderos", que traz lágrimas em suas três partes, uma mais bela que a outra, e totalmente distintas entre si, mostrando que é possível construir uma ótima canção repleta de variações em apenas cinco minutos. Em 2005, esse álbum foi relançado com o nome "Documentos 75-76", trazendo cinco bônus, que foram gravadas para o quarto álbum do grupo, o qual seria lançado em 1976, mas não chegou a sair. São elas: "Cuando Llegare", "Vidala de la Tierra Conocida", "Cuando Salgo a Sabanear", "Polo Margariteno" e "Carnavalito Y Vidala", sendo "Documentos 75-76" um álbum de mais fácil acesso em comparação aos demais. A ditadura passou a ficar cada vez mais pesada entre os hermanos, obrigando o grupo a retirar-se do país, buscando exílio na França em 1977. Apesar da saída às pressas da sua Terra Natal, os ares europeus foram revitalizadores, já que lá, o quinteto ampliou seus conhecimentos musicais.  Amigos argentinos e da América Latina em geral, também exilados na França, passaram a frequentar as residências de "Susana" e "Castiñeira", surgindo um novo "Anacrusa", agora com "Susana", "Castiñeira", "Pardo" e "Bruno", "Daniel Sbarra" (guitarras), "Jorge Trasante" (bateria e percussão), "Juan Mosalini" (bandoneon) e "Phillipe Pages" (piano, órgão). O que estava bom iria fica incrivelmente melhor a partir de então. Os novos rumos ainda levaram o grupo a assinar com o mega selo Philips, e em 1978, chegou às lojas o álbum "El Sacrificio", que na minha opinião é o melhor do grupo. Desde a estonteante entrada com "El Pozo de los Vientos", e uma impecável mistura de elementos progressivos com latinos, percebemos que o grupo cresceu e muito. Guitarra, baixo e piano misturam-se a flauta, oboé e percussões de uma maneira ímpar, sendo que o trabalho de "Sbarra" é perfeito, com suas distorções puramente psicodélicas, apresentadas na recriação de "Los Capiangos" e em "Quien Bien Quiere", ambas com um belíssimo arranjo orquestral.  O trabalho instrumental de "Castiñeira" e "Susana" é elevado para o nível mais alto, como atestam "Sol del Fuego", com uma ótima participação do bumbo-leguero, e na longa suíte "Tema de Anacrusa", uma canção merecedora de ser chamada de Maravilha, com seus treze incansáveis minutos de variações e andamentos mágicos criados por piano, flauta, saxofone, baixo, guitarras e percussão, além de fantásticas vocalizações de "Susana".  Aliás, o que ela faz com a voz na faixa-título assusta até fantasmas, e quando ouvimos os cinco minutos da Maravilhosa "Homenaje a Waldo", não tem como evitarmos as lágrimas e a tradicional frase cuja sigla é "PQP!", tamanha a emoção e perfeição que os músicos exprimem na mesma. Um disco perfeito, que ao lado de "La Biblia" (Vox Dei) e "Artaud" (Pescado Rabioso), está no topo dos Melhores álbuns já lançados por um grupo da Argentina. O "Anacrusa" seguiu como um grupo errante, atuando pouco mas concentrando-se bastante nas composições, além de uma grande mudança na formação, agora com "Castiñeira" e "Susana" acompanhados de "Narciso Omar Espinosa" (violão), "Tony Bonfyls" (baixo), "André Arpino" (bateria), "Jacky Tricore" (guitarra), "Alain Human" (percussão),  "Rubem Sanchez Resta" (percussão), "Patrice Mondon" (violino), "Pierre Gozzes" (saxofone), "Claude Maisonneuve" (oboé) e "Raymond Guiot" (flautas). O segundo disco do exílio demorou quatro anos para ser parido, com o nome de "Fuerza" e lançado em 1982, é um forte concorrente para "El Sacrificio" à posição de melhor do grupo. Temos um álbum muito elétrico, levado principalmente pela guitarra ácida de Tricore.  As únicas canções que trazem um pouco das origens são a quase "Weather Report" "Monserrat", inspirada nos acordes de "Recuerdos de Monserrat", e a bela faixa-título, com o bumbo leguero se fazendo presente, mas destacando exclusivamente o arrepiante arranjo vocal. No mais, o "Anacrusa" apresenta novidades em seu som, como as baladas "En Paz" e "Vidala de la Tierra", essa com um ótimo arranjo orquestral, e até mesmo jazz-fusion, na incrível "Presion", com "Susana" dando show ao piano, além de um duelo inesquecível de violino e guitarra.  A maravilhosa recriação para "Calfucurá" é tão sublime quanto a versão de "Anacrusa II", mas muito mais potente com a presença dos metais e das cordas, além do tom medieval empregado na parte final da canção. O melhor fica para o final, com a estonteante "Chaya", repleta de inspirações diversas, desde o jazz ao tango, e  a suíte "Voz del Agua", que certamente irá fazer você pensar "Por que eu não ouvi essa banda antes?", tamanha a profundeza emocional que o "Anacrusa" nos apresenta ao longo dos seus nove minutos de duração, nesta que é a canção mais trabalhada orquestralmente na carreira do grupo. Infelizmente, após o lançamento de "Fuerza", o grupo separou-se, com alguns músicos voltando para a Argentina e outros permanecendo na Europa. Nesse período, o "Anacrusa" entrou na obscuridade, e somente "Castiñeira" ganhou algum destaque, compondo trilhas para diversos filmes franceses e argentinos. Somente nos anos 90, uma nova reunião entre "Susana" e "Castiñeira" veio a ocorrer, e a mesma acabou gerando mais um registro fonográfico, o quinto do grupo. 13 anos depois de "Fuerza", "Castiñeira" e "Susana" reencontraram-se em Buenos Aires, registrando "Reencuentro" (1995), com a participação de diversos músicos convidados. No álbum, revezam-se "Arturo Schneider" e "Rubén Mono Izarrualde" (flautas), "Adalberto Cevasco" e "Quique Alvarado" (baixo), "Enrique Zurdo Roizner" e "Carlos Carli" (bateria), "Narciso Omar Espinoza" e "Ricardo Lew" (guitarras), além de "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Daniel Binelli" (bandoneón), "Hugo Pierre" (clarinete e saxofone) e "Víctor Skorupski" (flauta e saxofone).  O grande momento desse reencontro é a faixa que abre o CD, a suíte "Tristes Llanos", com épicos quinze minutos instrumentais nos quais piano, guitarra, flauta e saxofone são os senhores de uma musicalidade quase esquecida nos anos 90.  Depois, temos quinze canções que variam bastante os estilos, algumas reaproveitadas de obras já compostas por "Castiñeira", com "Susana" prestando sua voz para "Alla Viené Un Corazón" , "Ya Me Voy", e a excepcional "Hasta Volver", que são as canções mais folclóricas do álbum. Como sempre, os momentos instrumentais são os que mais chamam a atenção, destacando "Gotas", "Violento", "Bajo Otro Sol", "Noche de Cueca", Prisión" e "Glaciares", todas com complexos e belos arranjos.  Há ainda canções que perambulam entre agradar ou não, que são as baladas vocais "Procesión" e "Estilo", e as instrumentais "De Aca Y de Alla", com flautas andinas fazendo o solo principal, mas com um magnífico bandoneón na sua segunda parte, e "Subiendo Cuestas", tendo como destaque o charango, mas um ritmo muito sonolento.  Os deslizes ficam para "Canto a la Tierra" e "Elegía", totalmente descartáveis. Um disco ameno, que podia ser mais curto (principalmente nas canções com vocal), mas cuja importância é muito relevante, já que algumas pérolas são encontradas apenas aqui. Seguiu-se um longo hiato novamente, e somente em 2005 os fãs puderam se surpreender com mais um lançamento do conjunto, "Encordado". Com "Susana", "Castiñeira", "Alejandro Santos" (flauta, saxofone, quena, sikus), "Hugo Pierre" (saxofone, flauta, clarinete), "Ricardo Lew" (guitarra, violão), "Enrique Zurdo Roizner" (bateria) e "Allan Ballan" (baixo, violoncelo),  apresentando também um quarteto de cordas, bem como diversos convidados, o "Anacrusa" surpreendeu os fãs com "Encordado", no qual o o grupo homenageia o Brasil com "Nordestino", uma canção que, como o nome diz, remete ao nordeste brasileiro através da flauta, cordas e percussão. No álbum, há uma recriação mais lenta para "El Sacrificio", e também, "Mamboreta", nada mais que uma versão moderna para "Galopa del Mamboreta", do primeiro álbum. As canções populares soam cansativas, e aqui encaixam-se "Rema Rema", "Rio Rio", "La Partida" e "Atardecer".  Por outro lado, o instrumental continua impecável, como atestam "Prision", "Galeron" e "Cautiva". "Candombe de Alain", "Cruz de Sal" e "Zamba de Invierno" são o trio de ouro de um álbum mediano, contudo bem melhor que seu antecessor. Uma pequena série de apresentações acabou fazendo com que mais um registro ocorresse, dessa vez do álbum "En Vivo", registrado em novembro de 2005, no Teatro Presidente Alvear, em Buenos Aires,  e lançado no mesmo ano.  Desde então, "Castiñeira" segue sua carreira como compositor, e aguardamos por uma reunião que parece, por enquanto, existir apenas nos sonhos dos fãs de uma das melhores bandas da América do Sul.  A estrutura das canções em absoluto é muito fechada para a cultura peruana, boliviana, baladas argentinas, bolero, milongas... porém representa algo mais refinado e certamente a melhor vibração possível  da música popular Latina com o rock progressivo, recomendo.
Não era diferente com a "Anacrusa", uma banda espetacular, que sabia fazer miséria com tango, rock progressivo, mambo, milonga, chamamé e diversos outros estilos comuns ao 
pampa portenho.
O grupo, cujo nome é uma forma musical européia, advinda do grego "ἀνάκρουσις", que significa retrocesso, tem uma história praticamente obscura, mas graças a geração MP3, o mundo pode conhecer uma das bandas mais versáteis que o pampa portenho já ouviu, que fez questão de retroceder às origens folclóricas de seu país, mas foi além com o passar dos anos e as inspirações progressivas.
"Anacrusa" é uma banda argentina formada no início dos anos 70 por "José Luis Castiñeira de Dios" (violão, charango, cuatro, bandoneón, baixo, arranjos) e pela voz marcante de "Suzana Lago" (piano, órgão, charango e voz), acompanhados pelo trio "Alex Eriich-Oliva" (double bass, violões, violoncelo), "Julio Pardo" (flauta, oboé, instrumentos de sopro) e "Elias Chiche Heger" (bateria, percussão). O grupo apresentava-se em pequenos locais de Buenos Aires, apresentando um som fortemente influenciado pelos ritmos portenhos e latinos. Durante a década de 70, Brasil e Argentina não rivalizavam apenas no futebol, mas também na formação de grandes bandas. Enquanto o Brasil tinha "Secos & Molhados", "Mutantes", "Som Nosso de Cada Dia" e "O Terço" (só para citar alguns), a Argentina rivalizava com "Sui Generis", "La Biblia", "Almendra" e "La Maquina de Hacer Pajaros" (também para citar só alguns). Porém, os argentinos tinham um diferencial em suas bandas, já que a maioria delas explorava com muita qualidade as características sonoras do seu país. Não era diferente com a "Anacrusa", uma banda espetacular, que sabia fazer miséria com tango, rock progressivo, mambo, milonga, chamamé e diversos outros estilos comuns ao pampa portenho. O grupo, cujo nome é uma forma musical européia, advinda do grego "ἀνάκρουσις", que significa retrocesso, tem uma história praticamente obscura, mas graças a geração MP3, o mundo pode conhecer uma das bandas mais versáteis que o pampa portenho já ouviu, que fez questão de retroceder às origens folclóricas de seu país, mas foi além com o passar dos anos e as inspirações progressivas. Não tardou para que assinassem um contrato com o selo Redondel, e em 1973, lançasse seu álbum de estréia, auto-batizado. O disco é muito belo, misturando os elementos do pampa com sutis porções de rock progressivo. Em pouco mais de trinta minutos, somos apresentados a diversos ritmos latinos, como as cuecas "La Rosa Y El Clave" e "Rio Limay", contrastando os violões, piano e bandoneón com majestosos solos de flauta e xilofone, e as canções populares e dançantes presentes no joropo "Lo Que Mas Quiero" e no merengue "Marula Sanchez".  A voz de "Susana" destaca-se na guajira "Pobre Mi Tierra" e em "Elegia Sobre Un Poema", onde ela realmente assombra. Os destaques ficam para as instrumentais "El Baile del Pajarillo" (joropo venezuelano), "Zamba de Invierno", ambas com um show de "Castiñeira" e "Pardo", "Galopa del Mamboreta", uma galopa com uma empolgante variação de ritmos entre piano e flauta, a andina "Viento de Yavi", todas com ótimas passagens de elementos prog com elementos do pampa, e a mágica chacarera "Piedra Y Madera", sem sombra de dúvidas a melhor e mais elaborada canção do LP.  São canções curtas, mas com um belo apelo emocional, que indicavam um promissor caminho para o quinteto, que na capa do LP, mostrava suas influências progressivas, imitando o "Pink Floyd" em "Ummagumma" ao posar com todos os seus instrumentos ao mesmo tempo. O álbum vendeu relativamente bem, angariando mais shows para o grupo e permitindo a gravação de um segundo LP no ano seguinte. "Anacrusa II" de 1974 apresenta a primeira reformulação da banda, agora com o "La Platense Rubén Mono Izaurralde" no lugar de "Pardo". O grupo continua suas explorações musicais no ano seguinte, e "Mono" foi a substituição, dando uma nova face para o grupo, já que além de tocar muito bem, também canta, aqui em "Rio Manzanares".  O álbum possui canções populares de diferentes países, como a citada "Rio Manzanares" (canción venezuelana), "Coplas de Cundinamarca" (coplas colombianas) e a dançante "Palmero" (marinero peruana), além de "Homenaje", uma cueca legitimamente portenha, e que está no lado B.  Mas com a dolorida "Polo Coriano", o grupo surpreende nas partes instrumentais, enaltecidas nas pérolas "Zamba de la Despedida", destacando o órgão de "Susana", a suíte "Campo Sur" e a suave "Saque Mi Corazón de la Tierra Quemada", com violão, flauta e piano dividindo as atenções. Há também a estonteante "Calcufurá", uma incrível canção na qual "Susana" usa e abusa das notas do piano, e "Mono" faz misérias com a flauta, encerrando de forma fantástica esse belíssimo álbum e mostrando os caminhos progressivos que o grupo iria seguir em breve. "Anacrusa" e "Anacrusa II" foram posteriormente relançados em um único CD, chamado "Anacrusa" (2001), trazendo todas as canções de ambos os álbuns.  O mercado latino começava a receber de braços abertos o quinteto, que não parava de produzir espetáculos cada vez mais concorridos. Porém, em plena ditadura militar, sobreviver como músico no país vizinho tornou-se uma tarefa complicada, e desta forma, as dificuldades financeiras começaram a aparecer. Mesmo assim, o quinteto seguiu na luta, e com uma nova formação tendo "Castiñera",  "Mono", "Susana", "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Quique Alvarado" (baixo e sintetizador), "Juan Carlos Lícari" (bateria) e "Ricardo Martinez" (percussão), lançam "Anacrusa III", em 1975, pelo pequeno selo Global.  Se em "Anacrusa II", os argentinos colocavam o pé levemente no progressivo, no terceiro disco a situação inverte-se, já que esse é o álbum mais folclórico do grupo, que como todos os demais, possui uma distinção muito clara nos ritmos apresentados.  Nas canções com vocal, temos o joropo de "Pullas", com os vocais divididos entre "Mono" e "Susana", as vidalas "Lamento del Salitral" e "Tanta Lagrima Regada", a marinera peruana de "M'hey de Guardar", a valsa peruana "Maldito Amor" e a milonga "Milonga del Silencio", ambas com dramáticas interpretações de "Susana".  Para manter a constante, os arranjos instrumentais do maestro "Castiñeira" são o que temos de melhor, enaltecendo cada vez mais o nome do grupo para os fãs, através das jóias "Polquita Cruceña", uma polca boliviana com um belo duelo de flauta e oboé, e "Los Capiangos", uma chaya típica representante da sonoridade "Anacrusa", trazendo como novidade a presença do sintetizador. A agitada candomble "Recuerdos de Monserrat", que serviria de base para outra canção do grupo no futuro, destacando a inclusão do xilofone na mesma, é um dos principais destaques, ao lado de "Horizontes Y Senderos", que traz lágrimas em suas três partes, uma mais bela que a outra, e totalmente distintas entre si, mostrando que é possível construir uma ótima canção repleta de variações em apenas cinco minutos. Em 2005, esse álbum foi relançado com o nome "Documentos 75-76", trazendo cinco bônus, que foram gravadas para o quarto álbum do grupo, o qual seria lançado em 1976, mas não chegou a sair. São elas: "Cuando Llegare", "Vidala de la Tierra Conocida", "Cuando Salgo a Sabanear", "Polo Margariteno" e "Carnavalito Y Vidala", sendo "Documentos 75-76" um álbum de mais fácil acesso em comparação aos demais. A ditadura passou a ficar cada vez mais pesada entre os hermanos, obrigando o grupo a retirar-se do país, buscando exílio na França em 1977. Apesar da saída às pressas da sua Terra Natal, os ares europeus foram revitalizadores, já que lá, o quinteto ampliou seus conhecimentos musicais.  Amigos argentinos e da América Latina em geral, também exilados na França, passaram a frequentar as residências de "Susana" e "Castiñeira", surgindo um novo "Anacrusa", agora com "Susana", "Castiñeira", "Pardo" e "Bruno", "Daniel Sbarra" (guitarras), "Jorge Trasante" (bateria e percussão), "Juan Mosalini" (bandoneon) e "Phillipe Pages" (piano, órgão). O que estava bom iria fica incrivelmente melhor a partir de então. Os novos rumos ainda levaram o grupo a assinar com o mega selo Philips, e em 1978, chegou às lojas o álbum "El Sacrificio", que na minha opinião é o melhor do grupo. Desde a estonteante entrada com "El Pozo de los Vientos", e uma impecável mistura de elementos progressivos com latinos, percebemos que o grupo cresceu e muito. Guitarra, baixo e piano misturam-se a flauta, oboé e percussões de uma maneira ímpar, sendo que o trabalho de "Sbarra" é perfeito, com suas distorções puramente psicodélicas, apresentadas na recriação de "Los Capiangos" e em "Quien Bien Quiere", ambas com um belíssimo arranjo orquestral.  O trabalho instrumental de "Castiñeira" e "Susana" é elevado para o nível mais alto, como atestam "Sol del Fuego", com uma ótima participação do bumbo-leguero, e na longa suíte "Tema de Anacrusa", uma canção merecedora de ser chamada de Maravilha, com seus treze incansáveis minutos de variações e andamentos mágicos criados por piano, flauta, saxofone, baixo, guitarras e percussão, além de fantásticas vocalizações de "Susana".  Aliás, o que ela faz com a voz na faixa-título assusta até fantasmas, e quando ouvimos os cinco minutos da Maravilhosa "Homenaje a Waldo", não tem como evitarmos as lágrimas e a tradicional frase cuja sigla é "PQP!", tamanha a emoção e perfeição que os músicos exprimem na mesma. Um disco perfeito, que ao lado de "La Biblia" (Vox Dei) e "Artaud" (Pescado Rabioso), está no topo dos Melhores álbuns já lançados por um grupo da Argentina. O "Anacrusa" seguiu como um grupo errante, atuando pouco mas concentrando-se bastante nas composições, além de uma grande mudança na formação, agora com "Castiñeira" e "Susana" acompanhados de "Narciso Omar Espinosa" (violão), "Tony Bonfyls" (baixo), "André Arpino" (bateria), "Jacky Tricore" (guitarra), "Alain Human" (percussão),  "Rubem Sanchez Resta" (percussão), "Patrice Mondon" (violino), "Pierre Gozzes" (saxofone), "Claude Maisonneuve" (oboé) e "Raymond Guiot" (flautas). O segundo disco do exílio demorou quatro anos para ser parido, com o nome de "Fuerza" e lançado em 1982, é um forte concorrente para "El Sacrificio" à posição de melhor do grupo. Temos um álbum muito elétrico, levado principalmente pela guitarra ácida de Tricore.  As únicas canções que trazem um pouco das origens são a quase "Weather Report" "Monserrat", inspirada nos acordes de "Recuerdos de Monserrat", e a bela faixa-título, com o bumbo leguero se fazendo presente, mas destacando exclusivamente o arrepiante arranjo vocal. No mais, o "Anacrusa" apresenta novidades em seu som, como as baladas "En Paz" e "Vidala de la Tierra", essa com um ótimo arranjo orquestral, e até mesmo jazz-fusion, na incrível "Presion", com "Susana" dando show ao piano, além de um duelo inesquecível de violino e guitarra.  A maravilhosa recriação para "Calfucurá" é tão sublime quanto a versão de "Anacrusa II", mas muito mais potente com a presença dos metais e das cordas, além do tom medieval empregado na parte final da canção. O melhor fica para o final, com a estonteante "Chaya", repleta de inspirações diversas, desde o jazz ao tango, e  a suíte "Voz del Agua", que certamente irá fazer você pensar "Por que eu não ouvi essa banda antes?", tamanha a profundeza emocional que o "Anacrusa" nos apresenta ao longo dos seus nove minutos de duração, nesta que é a canção mais trabalhada orquestralmente na carreira do grupo. Infelizmente, após o lançamento de "Fuerza", o grupo separou-se, com alguns músicos voltando para a Argentina e outros permanecendo na Europa. Nesse período, o "Anacrusa" entrou na obscuridade, e somente "Castiñeira" ganhou algum destaque, compondo trilhas para diversos filmes franceses e argentinos. Somente nos anos 90, uma nova reunião entre "Susana" e "Castiñeira" veio a ocorrer, e a mesma acabou gerando mais um registro fonográfico, o quinto do grupo. 13 anos depois de "Fuerza", "Castiñeira" e "Susana" reencontraram-se em Buenos Aires, registrando "Reencuentro" (1995), com a participação de diversos músicos convidados. No álbum, revezam-se "Arturo Schneider" e "Rubén Mono Izarrualde" (flautas), "Adalberto Cevasco" e "Quique Alvarado" (baixo), "Enrique Zurdo Roizner" e "Carlos Carli" (bateria), "Narciso Omar Espinoza" e "Ricardo Lew" (guitarras), além de "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Daniel Binelli" (bandoneón), "Hugo Pierre" (clarinete e saxofone) e "Víctor Skorupski" (flauta e saxofone).  O grande momento desse reencontro é a faixa que abre o CD, a suíte "Tristes Llanos", com épicos quinze minutos instrumentais nos quais piano, guitarra, flauta e saxofone são os senhores de uma musicalidade quase esquecida nos anos 90.  Depois, temos quinze canções que variam bastante os estilos, algumas reaproveitadas de obras já compostas por "Castiñeira", com "Susana" prestando sua voz para "Alla Viené Un Corazón" , "Ya Me Voy", e a excepcional "Hasta Volver", que são as canções mais folclóricas do álbum. Como sempre, os momentos instrumentais são os que mais chamam a atenção, destacando "Gotas", "Violento", "Bajo Otro Sol", "Noche de Cueca", Prisión" e "Glaciares", todas com complexos e belos arranjos.  Há ainda canções que perambulam entre agradar ou não, que são as baladas vocais "Procesión" e "Estilo", e as instrumentais "De Aca Y de Alla", com flautas andinas fazendo o solo principal, mas com um magnífico bandoneón na sua segunda parte, e "Subiendo Cuestas", tendo como destaque o charango, mas um ritmo muito sonolento.  Os deslizes ficam para "Canto a la Tierra" e "Elegía", totalmente descartáveis. Um disco ameno, que podia ser mais curto (principalmente nas canções com vocal), mas cuja importância é muito relevante, já que algumas pérolas são encontradas apenas aqui. Seguiu-se um longo hiato novamente, e somente em 2005 os fãs puderam se surpreender com mais um lançamento do conjunto, "Encordado". Com "Susana", "Castiñeira", "Alejandro Santos" (flauta, saxofone, quena, sikus), "Hugo Pierre" (saxofone, flauta, clarinete), "Ricardo Lew" (guitarra, violão), "Enrique Zurdo Roizner" (bateria) e "Allan Ballan" (baixo, violoncelo),  apresentando também um quarteto de cordas, bem como diversos convidados, o "Anacrusa" surpreendeu os fãs com "Encordado", no qual o o grupo homenageia o Brasil com "Nordestino", uma canção que, como o nome diz, remete ao nordeste brasileiro através da flauta, cordas e percussão. No álbum, há uma recriação mais lenta para "El Sacrificio", e também, "Mamboreta", nada mais que uma versão moderna para "Galopa del Mamboreta", do primeiro álbum. As canções populares soam cansativas, e aqui encaixam-se "Rema Rema", "Rio Rio", "La Partida" e "Atardecer".  Por outro lado, o instrumental continua impecável, como atestam "Prision", "Galeron" e "Cautiva". "Candombe de Alain", "Cruz de Sal" e "Zamba de Invierno" são o trio de ouro de um álbum mediano, contudo bem melhor que seu antecessor. Uma pequena série de apresentações acabou fazendo com que mais um registro ocorresse, dessa vez do álbum "En Vivo", registrado em novembro de 2005, no Teatro Presidente Alvear, em Buenos Aires,  e lançado no mesmo ano.  Desde então, "Castiñeira" segue sua carreira como compositor, e aguardamos por uma reunião que parece, por enquanto, existir apenas nos sonhos dos fãs de uma das melhores bandas da América do Sul.  A estrutura das canções em absoluto é muito fechada para a cultura peruana, boliviana, baladas argentinas, bolero, milongas... porém representa algo mais refinado e certamente a melhor vibração possível  da música popular Latina com o rock progressivo, recomendo.Não tardou para que assinassem um contrato com o selo Redondel, e em 1973, lançasse seu álbum de estréia, auto-batizado. O disco é muito belo, misturando os elementos do pampa com sutis porções de rock progressivo.
Em pouco mais de trinta minutos, somos apresentados a diversos ritmos latinos, como as cuecas "La Rosa Y El Clave" e "Rio Limay", contrastando os violões, piano e bandoneón com majestosos solos de flauta e xilofone, e as canções populares e dançantes presentes no joropo "Lo Que Mas Quiero" e no merengue "Marula Sanchez". 
A voz de "Susana" destaca-se na guajira "Pobre Mi Tierra" e em "Elegia Sobre Un Poema", onde ela realmente assombra. Os destaques ficam para as instrumentais "El Baile del Pajarillo" (joropo venezuelano), "Zamba de Invierno", ambas com um show de "Castiñeira" e "Pardo", "Galopa del Mamboreta", uma galopa com uma empolgante variação de ritmos entre piano e flauta, a andina "Viento de Yavi", todas com ótimas passagens de elementos prog com elementos do pampa, e a mágica chacarera "Piedra Y Madera", sem sombra de dúvidas a melhor e mais elaborada canção do LP. 
São canções curtas, mas com um belo apelo emocional, que indicavam um promissor caminho para o quinteto, que na capa do LP, mostrava suas influências progressivas, imitando o "Pink Floyd" em "Ummagumma" ao posar 
com todos os seus instrumentos ao mesmo tempo.
"Anacrusa" é uma banda argentina formada no início dos anos 70 por "José Luis Castiñeira de Dios" (violão, charango, cuatro, bandoneón, baixo, arranjos) e pela voz marcante de "Suzana Lago" (piano, órgão, charango e voz), acompanhados pelo trio "Alex Eriich-Oliva" (double bass, violões, violoncelo), "Julio Pardo" (flauta, oboé, instrumentos de sopro) e "Elias Chiche Heger" (bateria, percussão). O grupo apresentava-se em pequenos locais de Buenos Aires, apresentando um som fortemente influenciado pelos ritmos portenhos e latinos. Durante a década de 70, Brasil e Argentina não rivalizavam apenas no futebol, mas também na formação de grandes bandas. Enquanto o Brasil tinha "Secos & Molhados", "Mutantes", "Som Nosso de Cada Dia" e "O Terço" (só para citar alguns), a Argentina rivalizava com "Sui Generis", "La Biblia", "Almendra" e "La Maquina de Hacer Pajaros" (também para citar só alguns). Porém, os argentinos tinham um diferencial em suas bandas, já que a maioria delas explorava com muita qualidade as características sonoras do seu país. Não era diferente com a "Anacrusa", uma banda espetacular, que sabia fazer miséria com tango, rock progressivo, mambo, milonga, chamamé e diversos outros estilos comuns ao pampa portenho. O grupo, cujo nome é uma forma musical européia, advinda do grego "ἀνάκρουσις", que significa retrocesso, tem uma história praticamente obscura, mas graças a geração MP3, o mundo pode conhecer uma das bandas mais versáteis que o pampa portenho já ouviu, que fez questão de retroceder às origens folclóricas de seu país, mas foi além com o passar dos anos e as inspirações progressivas. Não tardou para que assinassem um contrato com o selo Redondel, e em 1973, lançasse seu álbum de estréia, auto-batizado. O disco é muito belo, misturando os elementos do pampa com sutis porções de rock progressivo. Em pouco mais de trinta minutos, somos apresentados a diversos ritmos latinos, como as cuecas "La Rosa Y El Clave" e "Rio Limay", contrastando os violões, piano e bandoneón com majestosos solos de flauta e xilofone, e as canções populares e dançantes presentes no joropo "Lo Que Mas Quiero" e no merengue "Marula Sanchez".  A voz de "Susana" destaca-se na guajira "Pobre Mi Tierra" e em "Elegia Sobre Un Poema", onde ela realmente assombra. Os destaques ficam para as instrumentais "El Baile del Pajarillo" (joropo venezuelano), "Zamba de Invierno", ambas com um show de "Castiñeira" e "Pardo", "Galopa del Mamboreta", uma galopa com uma empolgante variação de ritmos entre piano e flauta, a andina "Viento de Yavi", todas com ótimas passagens de elementos prog com elementos do pampa, e a mágica chacarera "Piedra Y Madera", sem sombra de dúvidas a melhor e mais elaborada canção do LP.  São canções curtas, mas com um belo apelo emocional, que indicavam um promissor caminho para o quinteto, que na capa do LP, mostrava suas influências progressivas, imitando o "Pink Floyd" em "Ummagumma" ao posar com todos os seus instrumentos ao mesmo tempo. O álbum vendeu relativamente bem, angariando mais shows para o grupo e permitindo a gravação de um segundo LP no ano seguinte. "Anacrusa II" de 1974 apresenta a primeira reformulação da banda, agora com o "La Platense Rubén Mono Izaurralde" no lugar de "Pardo". O grupo continua suas explorações musicais no ano seguinte, e "Mono" foi a substituição, dando uma nova face para o grupo, já que além de tocar muito bem, também canta, aqui em "Rio Manzanares".  O álbum possui canções populares de diferentes países, como a citada "Rio Manzanares" (canción venezuelana), "Coplas de Cundinamarca" (coplas colombianas) e a dançante "Palmero" (marinero peruana), além de "Homenaje", uma cueca legitimamente portenha, e que está no lado B.  Mas com a dolorida "Polo Coriano", o grupo surpreende nas partes instrumentais, enaltecidas nas pérolas "Zamba de la Despedida", destacando o órgão de "Susana", a suíte "Campo Sur" e a suave "Saque Mi Corazón de la Tierra Quemada", com violão, flauta e piano dividindo as atenções. Há também a estonteante "Calcufurá", uma incrível canção na qual "Susana" usa e abusa das notas do piano, e "Mono" faz misérias com a flauta, encerrando de forma fantástica esse belíssimo álbum e mostrando os caminhos progressivos que o grupo iria seguir em breve. "Anacrusa" e "Anacrusa II" foram posteriormente relançados em um único CD, chamado "Anacrusa" (2001), trazendo todas as canções de ambos os álbuns.  O mercado latino começava a receber de braços abertos o quinteto, que não parava de produzir espetáculos cada vez mais concorridos. Porém, em plena ditadura militar, sobreviver como músico no país vizinho tornou-se uma tarefa complicada, e desta forma, as dificuldades financeiras começaram a aparecer. Mesmo assim, o quinteto seguiu na luta, e com uma nova formação tendo "Castiñera",  "Mono", "Susana", "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Quique Alvarado" (baixo e sintetizador), "Juan Carlos Lícari" (bateria) e "Ricardo Martinez" (percussão), lançam "Anacrusa III", em 1975, pelo pequeno selo Global.  Se em "Anacrusa II", os argentinos colocavam o pé levemente no progressivo, no terceiro disco a situação inverte-se, já que esse é o álbum mais folclórico do grupo, que como todos os demais, possui uma distinção muito clara nos ritmos apresentados.  Nas canções com vocal, temos o joropo de "Pullas", com os vocais divididos entre "Mono" e "Susana", as vidalas "Lamento del Salitral" e "Tanta Lagrima Regada", a marinera peruana de "M'hey de Guardar", a valsa peruana "Maldito Amor" e a milonga "Milonga del Silencio", ambas com dramáticas interpretações de "Susana".  Para manter a constante, os arranjos instrumentais do maestro "Castiñeira" são o que temos de melhor, enaltecendo cada vez mais o nome do grupo para os fãs, através das jóias "Polquita Cruceña", uma polca boliviana com um belo duelo de flauta e oboé, e "Los Capiangos", uma chaya típica representante da sonoridade "Anacrusa", trazendo como novidade a presença do sintetizador. A agitada candomble "Recuerdos de Monserrat", que serviria de base para outra canção do grupo no futuro, destacando a inclusão do xilofone na mesma, é um dos principais destaques, ao lado de "Horizontes Y Senderos", que traz lágrimas em suas três partes, uma mais bela que a outra, e totalmente distintas entre si, mostrando que é possível construir uma ótima canção repleta de variações em apenas cinco minutos. Em 2005, esse álbum foi relançado com o nome "Documentos 75-76", trazendo cinco bônus, que foram gravadas para o quarto álbum do grupo, o qual seria lançado em 1976, mas não chegou a sair. São elas: "Cuando Llegare", "Vidala de la Tierra Conocida", "Cuando Salgo a Sabanear", "Polo Margariteno" e "Carnavalito Y Vidala", sendo "Documentos 75-76" um álbum de mais fácil acesso em comparação aos demais. A ditadura passou a ficar cada vez mais pesada entre os hermanos, obrigando o grupo a retirar-se do país, buscando exílio na França em 1977. Apesar da saída às pressas da sua Terra Natal, os ares europeus foram revitalizadores, já que lá, o quinteto ampliou seus conhecimentos musicais.  Amigos argentinos e da América Latina em geral, também exilados na França, passaram a frequentar as residências de "Susana" e "Castiñeira", surgindo um novo "Anacrusa", agora com "Susana", "Castiñeira", "Pardo" e "Bruno", "Daniel Sbarra" (guitarras), "Jorge Trasante" (bateria e percussão), "Juan Mosalini" (bandoneon) e "Phillipe Pages" (piano, órgão). O que estava bom iria fica incrivelmente melhor a partir de então. Os novos rumos ainda levaram o grupo a assinar com o mega selo Philips, e em 1978, chegou às lojas o álbum "El Sacrificio", que na minha opinião é o melhor do grupo. Desde a estonteante entrada com "El Pozo de los Vientos", e uma impecável mistura de elementos progressivos com latinos, percebemos que o grupo cresceu e muito. Guitarra, baixo e piano misturam-se a flauta, oboé e percussões de uma maneira ímpar, sendo que o trabalho de "Sbarra" é perfeito, com suas distorções puramente psicodélicas, apresentadas na recriação de "Los Capiangos" e em "Quien Bien Quiere", ambas com um belíssimo arranjo orquestral.  O trabalho instrumental de "Castiñeira" e "Susana" é elevado para o nível mais alto, como atestam "Sol del Fuego", com uma ótima participação do bumbo-leguero, e na longa suíte "Tema de Anacrusa", uma canção merecedora de ser chamada de Maravilha, com seus treze incansáveis minutos de variações e andamentos mágicos criados por piano, flauta, saxofone, baixo, guitarras e percussão, além de fantásticas vocalizações de "Susana".  Aliás, o que ela faz com a voz na faixa-título assusta até fantasmas, e quando ouvimos os cinco minutos da Maravilhosa "Homenaje a Waldo", não tem como evitarmos as lágrimas e a tradicional frase cuja sigla é "PQP!", tamanha a emoção e perfeição que os músicos exprimem na mesma. Um disco perfeito, que ao lado de "La Biblia" (Vox Dei) e "Artaud" (Pescado Rabioso), está no topo dos Melhores álbuns já lançados por um grupo da Argentina. O "Anacrusa" seguiu como um grupo errante, atuando pouco mas concentrando-se bastante nas composições, além de uma grande mudança na formação, agora com "Castiñeira" e "Susana" acompanhados de "Narciso Omar Espinosa" (violão), "Tony Bonfyls" (baixo), "André Arpino" (bateria), "Jacky Tricore" (guitarra), "Alain Human" (percussão),  "Rubem Sanchez Resta" (percussão), "Patrice Mondon" (violino), "Pierre Gozzes" (saxofone), "Claude Maisonneuve" (oboé) e "Raymond Guiot" (flautas). O segundo disco do exílio demorou quatro anos para ser parido, com o nome de "Fuerza" e lançado em 1982, é um forte concorrente para "El Sacrificio" à posição de melhor do grupo. Temos um álbum muito elétrico, levado principalmente pela guitarra ácida de Tricore.  As únicas canções que trazem um pouco das origens são a quase "Weather Report" "Monserrat", inspirada nos acordes de "Recuerdos de Monserrat", e a bela faixa-título, com o bumbo leguero se fazendo presente, mas destacando exclusivamente o arrepiante arranjo vocal. No mais, o "Anacrusa" apresenta novidades em seu som, como as baladas "En Paz" e "Vidala de la Tierra", essa com um ótimo arranjo orquestral, e até mesmo jazz-fusion, na incrível "Presion", com "Susana" dando show ao piano, além de um duelo inesquecível de violino e guitarra.  A maravilhosa recriação para "Calfucurá" é tão sublime quanto a versão de "Anacrusa II", mas muito mais potente com a presença dos metais e das cordas, além do tom medieval empregado na parte final da canção. O melhor fica para o final, com a estonteante "Chaya", repleta de inspirações diversas, desde o jazz ao tango, e  a suíte "Voz del Agua", que certamente irá fazer você pensar "Por que eu não ouvi essa banda antes?", tamanha a profundeza emocional que o "Anacrusa" nos apresenta ao longo dos seus nove minutos de duração, nesta que é a canção mais trabalhada orquestralmente na carreira do grupo. Infelizmente, após o lançamento de "Fuerza", o grupo separou-se, com alguns músicos voltando para a Argentina e outros permanecendo na Europa. Nesse período, o "Anacrusa" entrou na obscuridade, e somente "Castiñeira" ganhou algum destaque, compondo trilhas para diversos filmes franceses e argentinos. Somente nos anos 90, uma nova reunião entre "Susana" e "Castiñeira" veio a ocorrer, e a mesma acabou gerando mais um registro fonográfico, o quinto do grupo. 13 anos depois de "Fuerza", "Castiñeira" e "Susana" reencontraram-se em Buenos Aires, registrando "Reencuentro" (1995), com a participação de diversos músicos convidados. No álbum, revezam-se "Arturo Schneider" e "Rubén Mono Izarrualde" (flautas), "Adalberto Cevasco" e "Quique Alvarado" (baixo), "Enrique Zurdo Roizner" e "Carlos Carli" (bateria), "Narciso Omar Espinoza" e "Ricardo Lew" (guitarras), além de "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Daniel Binelli" (bandoneón), "Hugo Pierre" (clarinete e saxofone) e "Víctor Skorupski" (flauta e saxofone).  O grande momento desse reencontro é a faixa que abre o CD, a suíte "Tristes Llanos", com épicos quinze minutos instrumentais nos quais piano, guitarra, flauta e saxofone são os senhores de uma musicalidade quase esquecida nos anos 90.  Depois, temos quinze canções que variam bastante os estilos, algumas reaproveitadas de obras já compostas por "Castiñeira", com "Susana" prestando sua voz para "Alla Viené Un Corazón" , "Ya Me Voy", e a excepcional "Hasta Volver", que são as canções mais folclóricas do álbum. Como sempre, os momentos instrumentais são os que mais chamam a atenção, destacando "Gotas", "Violento", "Bajo Otro Sol", "Noche de Cueca", Prisión" e "Glaciares", todas com complexos e belos arranjos.  Há ainda canções que perambulam entre agradar ou não, que são as baladas vocais "Procesión" e "Estilo", e as instrumentais "De Aca Y de Alla", com flautas andinas fazendo o solo principal, mas com um magnífico bandoneón na sua segunda parte, e "Subiendo Cuestas", tendo como destaque o charango, mas um ritmo muito sonolento.  Os deslizes ficam para "Canto a la Tierra" e "Elegía", totalmente descartáveis. Um disco ameno, que podia ser mais curto (principalmente nas canções com vocal), mas cuja importância é muito relevante, já que algumas pérolas são encontradas apenas aqui. Seguiu-se um longo hiato novamente, e somente em 2005 os fãs puderam se surpreender com mais um lançamento do conjunto, "Encordado". Com "Susana", "Castiñeira", "Alejandro Santos" (flauta, saxofone, quena, sikus), "Hugo Pierre" (saxofone, flauta, clarinete), "Ricardo Lew" (guitarra, violão), "Enrique Zurdo Roizner" (bateria) e "Allan Ballan" (baixo, violoncelo),  apresentando também um quarteto de cordas, bem como diversos convidados, o "Anacrusa" surpreendeu os fãs com "Encordado", no qual o o grupo homenageia o Brasil com "Nordestino", uma canção que, como o nome diz, remete ao nordeste brasileiro através da flauta, cordas e percussão. No álbum, há uma recriação mais lenta para "El Sacrificio", e também, "Mamboreta", nada mais que uma versão moderna para "Galopa del Mamboreta", do primeiro álbum. As canções populares soam cansativas, e aqui encaixam-se "Rema Rema", "Rio Rio", "La Partida" e "Atardecer".  Por outro lado, o instrumental continua impecável, como atestam "Prision", "Galeron" e "Cautiva". "Candombe de Alain", "Cruz de Sal" e "Zamba de Invierno" são o trio de ouro de um álbum mediano, contudo bem melhor que seu antecessor. Uma pequena série de apresentações acabou fazendo com que mais um registro ocorresse, dessa vez do álbum "En Vivo", registrado em novembro de 2005, no Teatro Presidente Alvear, em Buenos Aires,  e lançado no mesmo ano.  Desde então, "Castiñeira" segue sua carreira como compositor, e aguardamos por uma reunião que parece, por enquanto, existir apenas nos sonhos dos fãs de uma das melhores bandas da América do Sul.  A estrutura das canções em absoluto é muito fechada para a cultura peruana, boliviana, baladas argentinas, bolero, milongas... porém representa algo mais refinado e certamente a melhor vibração possível  da música popular Latina com o rock progressivo, recomendo.O álbum vendeu relativamente bem, angariando mais shows para o grupo e permitindo a gravação de um segundo LP no ano seguinte. "Anacrusa II" de 1974 apresenta a primeira reformulação da banda, agora com o "La Platense Rubén Mono Izaurralde" no lugar de "Pardo".
O grupo continua suas explorações musicais no ano seguinte, e "Mono" foi a substituição, dando uma nova face para o grupo, já que além de tocar muito bem, também canta, aqui em "Rio Manzanares". 
O álbum possui canções populares de diferentes países, como a citada "Rio Manzanares" (canción venezuelana), "Coplas de Cundinamarca" (coplas colombianas) e a dançante "Palmero" (marinero peruana), além de "Homenaje", 
uma cueca legitimamente portenha, e que está no lado B. 
Mas com a dolorida "Polo Coriano", o grupo surpreende nas partes instrumentais, enaltecidas nas pérolas "Zamba de la Despedida", destacando o órgão de "Susana", a suíte "Campo Sur" e a suave "Saque Mi Corazón de la Tierra Quemada", com violão, flauta e piano dividindo as atenções. Há também a estonteante "Calcufurá", uma incrível canção na qual "Susana" usa e abusa das notas do piano, e "Mono" faz misérias com a flauta, encerrando de forma fantástica esse belíssimo álbum e mostrando os caminhos progressivos que o grupo iria seguir em breve.
"Anacrusa" e "Anacrusa II" foram posteriormente relançados em um único CD, chamado "Anacrusa" (2001), trazendo todas as canções de ambos os álbuns. 
O mercado latino começava a receber de braços abertos o quinteto, que não parava de produzir espetáculos cada vez mais concorridos. Porém, em plena ditadura militar, sobreviver como músico no país vizinho tornou-se uma tarefa complicada, e desta forma, as dificuldades financeiras começaram a aparecer.
Mesmo assim, o quinteto seguiu na luta, e com uma nova formação tendo "Castiñera",  "Mono", "Susana", "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Quique Alvarado" (baixo e sintetizador), "Juan Carlos Lícari" (bateria) e "Ricardo Martinez" (percussão), 
lançam "Anacrusa III", em 1975, pelo pequeno selo Global. 
"Anacrusa" é uma banda argentina formada no início dos anos 70 por "José Luis Castiñeira de Dios" (violão, charango, cuatro, bandoneón, baixo, arranjos) e pela voz marcante de "Suzana Lago" (piano, órgão, charango e voz), acompanhados pelo trio "Alex Eriich-Oliva" (double bass, violões, violoncelo), "Julio Pardo" (flauta, oboé, instrumentos de sopro) e "Elias Chiche Heger" (bateria, percussão). O grupo apresentava-se em pequenos locais de Buenos Aires, apresentando um som fortemente influenciado pelos ritmos portenhos e latinos. Durante a década de 70, Brasil e Argentina não rivalizavam apenas no futebol, mas também na formação de grandes bandas. Enquanto o Brasil tinha "Secos & Molhados", "Mutantes", "Som Nosso de Cada Dia" e "O Terço" (só para citar alguns), a Argentina rivalizava com "Sui Generis", "La Biblia", "Almendra" e "La Maquina de Hacer Pajaros" (também para citar só alguns). Porém, os argentinos tinham um diferencial em suas bandas, já que a maioria delas explorava com muita qualidade as características sonoras do seu país. Não era diferente com a "Anacrusa", uma banda espetacular, que sabia fazer miséria com tango, rock progressivo, mambo, milonga, chamamé e diversos outros estilos comuns ao pampa portenho. O grupo, cujo nome é uma forma musical européia, advinda do grego "ἀνάκρουσις", que significa retrocesso, tem uma história praticamente obscura, mas graças a geração MP3, o mundo pode conhecer uma das bandas mais versáteis que o pampa portenho já ouviu, que fez questão de retroceder às origens folclóricas de seu país, mas foi além com o passar dos anos e as inspirações progressivas. Não tardou para que assinassem um contrato com o selo Redondel, e em 1973, lançasse seu álbum de estréia, auto-batizado. O disco é muito belo, misturando os elementos do pampa com sutis porções de rock progressivo. Em pouco mais de trinta minutos, somos apresentados a diversos ritmos latinos, como as cuecas "La Rosa Y El Clave" e "Rio Limay", contrastando os violões, piano e bandoneón com majestosos solos de flauta e xilofone, e as canções populares e dançantes presentes no joropo "Lo Que Mas Quiero" e no merengue "Marula Sanchez".  A voz de "Susana" destaca-se na guajira "Pobre Mi Tierra" e em "Elegia Sobre Un Poema", onde ela realmente assombra. Os destaques ficam para as instrumentais "El Baile del Pajarillo" (joropo venezuelano), "Zamba de Invierno", ambas com um show de "Castiñeira" e "Pardo", "Galopa del Mamboreta", uma galopa com uma empolgante variação de ritmos entre piano e flauta, a andina "Viento de Yavi", todas com ótimas passagens de elementos prog com elementos do pampa, e a mágica chacarera "Piedra Y Madera", sem sombra de dúvidas a melhor e mais elaborada canção do LP.  São canções curtas, mas com um belo apelo emocional, que indicavam um promissor caminho para o quinteto, que na capa do LP, mostrava suas influências progressivas, imitando o "Pink Floyd" em "Ummagumma" ao posar com todos os seus instrumentos ao mesmo tempo. O álbum vendeu relativamente bem, angariando mais shows para o grupo e permitindo a gravação de um segundo LP no ano seguinte. "Anacrusa II" de 1974 apresenta a primeira reformulação da banda, agora com o "La Platense Rubén Mono Izaurralde" no lugar de "Pardo". O grupo continua suas explorações musicais no ano seguinte, e "Mono" foi a substituição, dando uma nova face para o grupo, já que além de tocar muito bem, também canta, aqui em "Rio Manzanares".  O álbum possui canções populares de diferentes países, como a citada "Rio Manzanares" (canción venezuelana), "Coplas de Cundinamarca" (coplas colombianas) e a dançante "Palmero" (marinero peruana), além de "Homenaje", uma cueca legitimamente portenha, e que está no lado B.  Mas com a dolorida "Polo Coriano", o grupo surpreende nas partes instrumentais, enaltecidas nas pérolas "Zamba de la Despedida", destacando o órgão de "Susana", a suíte "Campo Sur" e a suave "Saque Mi Corazón de la Tierra Quemada", com violão, flauta e piano dividindo as atenções. Há também a estonteante "Calcufurá", uma incrível canção na qual "Susana" usa e abusa das notas do piano, e "Mono" faz misérias com a flauta, encerrando de forma fantástica esse belíssimo álbum e mostrando os caminhos progressivos que o grupo iria seguir em breve. "Anacrusa" e "Anacrusa II" foram posteriormente relançados em um único CD, chamado "Anacrusa" (2001), trazendo todas as canções de ambos os álbuns.  O mercado latino começava a receber de braços abertos o quinteto, que não parava de produzir espetáculos cada vez mais concorridos. Porém, em plena ditadura militar, sobreviver como músico no país vizinho tornou-se uma tarefa complicada, e desta forma, as dificuldades financeiras começaram a aparecer. Mesmo assim, o quinteto seguiu na luta, e com uma nova formação tendo "Castiñera",  "Mono", "Susana", "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Quique Alvarado" (baixo e sintetizador), "Juan Carlos Lícari" (bateria) e "Ricardo Martinez" (percussão), lançam "Anacrusa III", em 1975, pelo pequeno selo Global.  Se em "Anacrusa II", os argentinos colocavam o pé levemente no progressivo, no terceiro disco a situação inverte-se, já que esse é o álbum mais folclórico do grupo, que como todos os demais, possui uma distinção muito clara nos ritmos apresentados.  Nas canções com vocal, temos o joropo de "Pullas", com os vocais divididos entre "Mono" e "Susana", as vidalas "Lamento del Salitral" e "Tanta Lagrima Regada", a marinera peruana de "M'hey de Guardar", a valsa peruana "Maldito Amor" e a milonga "Milonga del Silencio", ambas com dramáticas interpretações de "Susana".  Para manter a constante, os arranjos instrumentais do maestro "Castiñeira" são o que temos de melhor, enaltecendo cada vez mais o nome do grupo para os fãs, através das jóias "Polquita Cruceña", uma polca boliviana com um belo duelo de flauta e oboé, e "Los Capiangos", uma chaya típica representante da sonoridade "Anacrusa", trazendo como novidade a presença do sintetizador. A agitada candomble "Recuerdos de Monserrat", que serviria de base para outra canção do grupo no futuro, destacando a inclusão do xilofone na mesma, é um dos principais destaques, ao lado de "Horizontes Y Senderos", que traz lágrimas em suas três partes, uma mais bela que a outra, e totalmente distintas entre si, mostrando que é possível construir uma ótima canção repleta de variações em apenas cinco minutos. Em 2005, esse álbum foi relançado com o nome "Documentos 75-76", trazendo cinco bônus, que foram gravadas para o quarto álbum do grupo, o qual seria lançado em 1976, mas não chegou a sair. São elas: "Cuando Llegare", "Vidala de la Tierra Conocida", "Cuando Salgo a Sabanear", "Polo Margariteno" e "Carnavalito Y Vidala", sendo "Documentos 75-76" um álbum de mais fácil acesso em comparação aos demais. A ditadura passou a ficar cada vez mais pesada entre os hermanos, obrigando o grupo a retirar-se do país, buscando exílio na França em 1977. Apesar da saída às pressas da sua Terra Natal, os ares europeus foram revitalizadores, já que lá, o quinteto ampliou seus conhecimentos musicais.  Amigos argentinos e da América Latina em geral, também exilados na França, passaram a frequentar as residências de "Susana" e "Castiñeira", surgindo um novo "Anacrusa", agora com "Susana", "Castiñeira", "Pardo" e "Bruno", "Daniel Sbarra" (guitarras), "Jorge Trasante" (bateria e percussão), "Juan Mosalini" (bandoneon) e "Phillipe Pages" (piano, órgão). O que estava bom iria fica incrivelmente melhor a partir de então. Os novos rumos ainda levaram o grupo a assinar com o mega selo Philips, e em 1978, chegou às lojas o álbum "El Sacrificio", que na minha opinião é o melhor do grupo. Desde a estonteante entrada com "El Pozo de los Vientos", e uma impecável mistura de elementos progressivos com latinos, percebemos que o grupo cresceu e muito. Guitarra, baixo e piano misturam-se a flauta, oboé e percussões de uma maneira ímpar, sendo que o trabalho de "Sbarra" é perfeito, com suas distorções puramente psicodélicas, apresentadas na recriação de "Los Capiangos" e em "Quien Bien Quiere", ambas com um belíssimo arranjo orquestral.  O trabalho instrumental de "Castiñeira" e "Susana" é elevado para o nível mais alto, como atestam "Sol del Fuego", com uma ótima participação do bumbo-leguero, e na longa suíte "Tema de Anacrusa", uma canção merecedora de ser chamada de Maravilha, com seus treze incansáveis minutos de variações e andamentos mágicos criados por piano, flauta, saxofone, baixo, guitarras e percussão, além de fantásticas vocalizações de "Susana".  Aliás, o que ela faz com a voz na faixa-título assusta até fantasmas, e quando ouvimos os cinco minutos da Maravilhosa "Homenaje a Waldo", não tem como evitarmos as lágrimas e a tradicional frase cuja sigla é "PQP!", tamanha a emoção e perfeição que os músicos exprimem na mesma. Um disco perfeito, que ao lado de "La Biblia" (Vox Dei) e "Artaud" (Pescado Rabioso), está no topo dos Melhores álbuns já lançados por um grupo da Argentina. O "Anacrusa" seguiu como um grupo errante, atuando pouco mas concentrando-se bastante nas composições, além de uma grande mudança na formação, agora com "Castiñeira" e "Susana" acompanhados de "Narciso Omar Espinosa" (violão), "Tony Bonfyls" (baixo), "André Arpino" (bateria), "Jacky Tricore" (guitarra), "Alain Human" (percussão),  "Rubem Sanchez Resta" (percussão), "Patrice Mondon" (violino), "Pierre Gozzes" (saxofone), "Claude Maisonneuve" (oboé) e "Raymond Guiot" (flautas). O segundo disco do exílio demorou quatro anos para ser parido, com o nome de "Fuerza" e lançado em 1982, é um forte concorrente para "El Sacrificio" à posição de melhor do grupo. Temos um álbum muito elétrico, levado principalmente pela guitarra ácida de Tricore.  As únicas canções que trazem um pouco das origens são a quase "Weather Report" "Monserrat", inspirada nos acordes de "Recuerdos de Monserrat", e a bela faixa-título, com o bumbo leguero se fazendo presente, mas destacando exclusivamente o arrepiante arranjo vocal. No mais, o "Anacrusa" apresenta novidades em seu som, como as baladas "En Paz" e "Vidala de la Tierra", essa com um ótimo arranjo orquestral, e até mesmo jazz-fusion, na incrível "Presion", com "Susana" dando show ao piano, além de um duelo inesquecível de violino e guitarra.  A maravilhosa recriação para "Calfucurá" é tão sublime quanto a versão de "Anacrusa II", mas muito mais potente com a presença dos metais e das cordas, além do tom medieval empregado na parte final da canção. O melhor fica para o final, com a estonteante "Chaya", repleta de inspirações diversas, desde o jazz ao tango, e  a suíte "Voz del Agua", que certamente irá fazer você pensar "Por que eu não ouvi essa banda antes?", tamanha a profundeza emocional que o "Anacrusa" nos apresenta ao longo dos seus nove minutos de duração, nesta que é a canção mais trabalhada orquestralmente na carreira do grupo. Infelizmente, após o lançamento de "Fuerza", o grupo separou-se, com alguns músicos voltando para a Argentina e outros permanecendo na Europa. Nesse período, o "Anacrusa" entrou na obscuridade, e somente "Castiñeira" ganhou algum destaque, compondo trilhas para diversos filmes franceses e argentinos. Somente nos anos 90, uma nova reunião entre "Susana" e "Castiñeira" veio a ocorrer, e a mesma acabou gerando mais um registro fonográfico, o quinto do grupo. 13 anos depois de "Fuerza", "Castiñeira" e "Susana" reencontraram-se em Buenos Aires, registrando "Reencuentro" (1995), com a participação de diversos músicos convidados. No álbum, revezam-se "Arturo Schneider" e "Rubén Mono Izarrualde" (flautas), "Adalberto Cevasco" e "Quique Alvarado" (baixo), "Enrique Zurdo Roizner" e "Carlos Carli" (bateria), "Narciso Omar Espinoza" e "Ricardo Lew" (guitarras), além de "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Daniel Binelli" (bandoneón), "Hugo Pierre" (clarinete e saxofone) e "Víctor Skorupski" (flauta e saxofone).  O grande momento desse reencontro é a faixa que abre o CD, a suíte "Tristes Llanos", com épicos quinze minutos instrumentais nos quais piano, guitarra, flauta e saxofone são os senhores de uma musicalidade quase esquecida nos anos 90.  Depois, temos quinze canções que variam bastante os estilos, algumas reaproveitadas de obras já compostas por "Castiñeira", com "Susana" prestando sua voz para "Alla Viené Un Corazón" , "Ya Me Voy", e a excepcional "Hasta Volver", que são as canções mais folclóricas do álbum. Como sempre, os momentos instrumentais são os que mais chamam a atenção, destacando "Gotas", "Violento", "Bajo Otro Sol", "Noche de Cueca", Prisión" e "Glaciares", todas com complexos e belos arranjos.  Há ainda canções que perambulam entre agradar ou não, que são as baladas vocais "Procesión" e "Estilo", e as instrumentais "De Aca Y de Alla", com flautas andinas fazendo o solo principal, mas com um magnífico bandoneón na sua segunda parte, e "Subiendo Cuestas", tendo como destaque o charango, mas um ritmo muito sonolento.  Os deslizes ficam para "Canto a la Tierra" e "Elegía", totalmente descartáveis. Um disco ameno, que podia ser mais curto (principalmente nas canções com vocal), mas cuja importância é muito relevante, já que algumas pérolas são encontradas apenas aqui. Seguiu-se um longo hiato novamente, e somente em 2005 os fãs puderam se surpreender com mais um lançamento do conjunto, "Encordado". Com "Susana", "Castiñeira", "Alejandro Santos" (flauta, saxofone, quena, sikus), "Hugo Pierre" (saxofone, flauta, clarinete), "Ricardo Lew" (guitarra, violão), "Enrique Zurdo Roizner" (bateria) e "Allan Ballan" (baixo, violoncelo),  apresentando também um quarteto de cordas, bem como diversos convidados, o "Anacrusa" surpreendeu os fãs com "Encordado", no qual o o grupo homenageia o Brasil com "Nordestino", uma canção que, como o nome diz, remete ao nordeste brasileiro através da flauta, cordas e percussão. No álbum, há uma recriação mais lenta para "El Sacrificio", e também, "Mamboreta", nada mais que uma versão moderna para "Galopa del Mamboreta", do primeiro álbum. As canções populares soam cansativas, e aqui encaixam-se "Rema Rema", "Rio Rio", "La Partida" e "Atardecer".  Por outro lado, o instrumental continua impecável, como atestam "Prision", "Galeron" e "Cautiva". "Candombe de Alain", "Cruz de Sal" e "Zamba de Invierno" são o trio de ouro de um álbum mediano, contudo bem melhor que seu antecessor. Uma pequena série de apresentações acabou fazendo com que mais um registro ocorresse, dessa vez do álbum "En Vivo", registrado em novembro de 2005, no Teatro Presidente Alvear, em Buenos Aires,  e lançado no mesmo ano.  Desde então, "Castiñeira" segue sua carreira como compositor, e aguardamos por uma reunião que parece, por enquanto, existir apenas nos sonhos dos fãs de uma das melhores bandas da América do Sul.  A estrutura das canções em absoluto é muito fechada para a cultura peruana, boliviana, baladas argentinas, bolero, milongas... porém representa algo mais refinado e certamente a melhor vibração possível  da música popular Latina com o rock progressivo, recomendo.Se em "Anacrusa II", os argentinos colocavam o pé levemente no progressivo, no terceiro disco a situação inverte-se, já que esse é o álbum mais folclórico do grupo, que como todos os demais, possui uma distinção muito clara nos ritmos apresentados. 
Nas canções com vocal, temos o joropo de "Pullas", com os vocais divididos entre "Mono" e "Susana", as vidalas "Lamento del Salitral" e "Tanta Lagrima Regada", a marinera peruana de "M'hey de Guardar", a valsa peruana "Maldito Amor" e a milonga "Milonga del Silencio", ambas com dramáticas interpretações de "Susana". 
Para manter a constante, os arranjos instrumentais do maestro "Castiñeira" são o que temos de melhor, enaltecendo cada vez mais o nome do grupo para os fãs, através das jóias "Polquita Cruceña", uma polca boliviana com um belo duelo de flauta e oboé, e "Los Capiangos", uma chaya típica representante da sonoridade "Anacrusa", trazendo como novidade a presença do sintetizador.
A agitada candomble "Recuerdos de Monserrat", que serviria de base para outra canção do grupo no futuro, destacando a inclusão do xilofone na mesma, é um dos principais destaques, ao lado de "Horizontes Y Senderos", que traz lágrimas em suas três partes, uma mais bela que a outra, e totalmente distintas entre si, mostrando que é possível construir uma ótima canção repleta de variações em apenas cinco minutos.
"Anacrusa" é uma banda argentina formada no início dos anos 70 por "José Luis Castiñeira de Dios" (violão, charango, cuatro, bandoneón, baixo, arranjos) e pela voz marcante de "Suzana Lago" (piano, órgão, charango e voz), acompanhados pelo trio "Alex Eriich-Oliva" (double bass, violões, violoncelo), "Julio Pardo" (flauta, oboé, instrumentos de sopro) e "Elias Chiche Heger" (bateria, percussão). O grupo apresentava-se em pequenos locais de Buenos Aires, apresentando um som fortemente influenciado pelos ritmos portenhos e latinos. Durante a década de 70, Brasil e Argentina não rivalizavam apenas no futebol, mas também na formação de grandes bandas. Enquanto o Brasil tinha "Secos & Molhados", "Mutantes", "Som Nosso de Cada Dia" e "O Terço" (só para citar alguns), a Argentina rivalizava com "Sui Generis", "La Biblia", "Almendra" e "La Maquina de Hacer Pajaros" (também para citar só alguns). Porém, os argentinos tinham um diferencial em suas bandas, já que a maioria delas explorava com muita qualidade as características sonoras do seu país. Não era diferente com a "Anacrusa", uma banda espetacular, que sabia fazer miséria com tango, rock progressivo, mambo, milonga, chamamé e diversos outros estilos comuns ao pampa portenho. O grupo, cujo nome é uma forma musical européia, advinda do grego "ἀνάκρουσις", que significa retrocesso, tem uma história praticamente obscura, mas graças a geração MP3, o mundo pode conhecer uma das bandas mais versáteis que o pampa portenho já ouviu, que fez questão de retroceder às origens folclóricas de seu país, mas foi além com o passar dos anos e as inspirações progressivas. Não tardou para que assinassem um contrato com o selo Redondel, e em 1973, lançasse seu álbum de estréia, auto-batizado. O disco é muito belo, misturando os elementos do pampa com sutis porções de rock progressivo. Em pouco mais de trinta minutos, somos apresentados a diversos ritmos latinos, como as cuecas "La Rosa Y El Clave" e "Rio Limay", contrastando os violões, piano e bandoneón com majestosos solos de flauta e xilofone, e as canções populares e dançantes presentes no joropo "Lo Que Mas Quiero" e no merengue "Marula Sanchez".  A voz de "Susana" destaca-se na guajira "Pobre Mi Tierra" e em "Elegia Sobre Un Poema", onde ela realmente assombra. Os destaques ficam para as instrumentais "El Baile del Pajarillo" (joropo venezuelano), "Zamba de Invierno", ambas com um show de "Castiñeira" e "Pardo", "Galopa del Mamboreta", uma galopa com uma empolgante variação de ritmos entre piano e flauta, a andina "Viento de Yavi", todas com ótimas passagens de elementos prog com elementos do pampa, e a mágica chacarera "Piedra Y Madera", sem sombra de dúvidas a melhor e mais elaborada canção do LP.  São canções curtas, mas com um belo apelo emocional, que indicavam um promissor caminho para o quinteto, que na capa do LP, mostrava suas influências progressivas, imitando o "Pink Floyd" em "Ummagumma" ao posar com todos os seus instrumentos ao mesmo tempo. O álbum vendeu relativamente bem, angariando mais shows para o grupo e permitindo a gravação de um segundo LP no ano seguinte. "Anacrusa II" de 1974 apresenta a primeira reformulação da banda, agora com o "La Platense Rubén Mono Izaurralde" no lugar de "Pardo". O grupo continua suas explorações musicais no ano seguinte, e "Mono" foi a substituição, dando uma nova face para o grupo, já que além de tocar muito bem, também canta, aqui em "Rio Manzanares".  O álbum possui canções populares de diferentes países, como a citada "Rio Manzanares" (canción venezuelana), "Coplas de Cundinamarca" (coplas colombianas) e a dançante "Palmero" (marinero peruana), além de "Homenaje", uma cueca legitimamente portenha, e que está no lado B.  Mas com a dolorida "Polo Coriano", o grupo surpreende nas partes instrumentais, enaltecidas nas pérolas "Zamba de la Despedida", destacando o órgão de "Susana", a suíte "Campo Sur" e a suave "Saque Mi Corazón de la Tierra Quemada", com violão, flauta e piano dividindo as atenções. Há também a estonteante "Calcufurá", uma incrível canção na qual "Susana" usa e abusa das notas do piano, e "Mono" faz misérias com a flauta, encerrando de forma fantástica esse belíssimo álbum e mostrando os caminhos progressivos que o grupo iria seguir em breve. "Anacrusa" e "Anacrusa II" foram posteriormente relançados em um único CD, chamado "Anacrusa" (2001), trazendo todas as canções de ambos os álbuns.  O mercado latino começava a receber de braços abertos o quinteto, que não parava de produzir espetáculos cada vez mais concorridos. Porém, em plena ditadura militar, sobreviver como músico no país vizinho tornou-se uma tarefa complicada, e desta forma, as dificuldades financeiras começaram a aparecer. Mesmo assim, o quinteto seguiu na luta, e com uma nova formação tendo "Castiñera",  "Mono", "Susana", "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Quique Alvarado" (baixo e sintetizador), "Juan Carlos Lícari" (bateria) e "Ricardo Martinez" (percussão), lançam "Anacrusa III", em 1975, pelo pequeno selo Global.  Se em "Anacrusa II", os argentinos colocavam o pé levemente no progressivo, no terceiro disco a situação inverte-se, já que esse é o álbum mais folclórico do grupo, que como todos os demais, possui uma distinção muito clara nos ritmos apresentados.  Nas canções com vocal, temos o joropo de "Pullas", com os vocais divididos entre "Mono" e "Susana", as vidalas "Lamento del Salitral" e "Tanta Lagrima Regada", a marinera peruana de "M'hey de Guardar", a valsa peruana "Maldito Amor" e a milonga "Milonga del Silencio", ambas com dramáticas interpretações de "Susana".  Para manter a constante, os arranjos instrumentais do maestro "Castiñeira" são o que temos de melhor, enaltecendo cada vez mais o nome do grupo para os fãs, através das jóias "Polquita Cruceña", uma polca boliviana com um belo duelo de flauta e oboé, e "Los Capiangos", uma chaya típica representante da sonoridade "Anacrusa", trazendo como novidade a presença do sintetizador. A agitada candomble "Recuerdos de Monserrat", que serviria de base para outra canção do grupo no futuro, destacando a inclusão do xilofone na mesma, é um dos principais destaques, ao lado de "Horizontes Y Senderos", que traz lágrimas em suas três partes, uma mais bela que a outra, e totalmente distintas entre si, mostrando que é possível construir uma ótima canção repleta de variações em apenas cinco minutos. Em 2005, esse álbum foi relançado com o nome "Documentos 75-76", trazendo cinco bônus, que foram gravadas para o quarto álbum do grupo, o qual seria lançado em 1976, mas não chegou a sair. São elas: "Cuando Llegare", "Vidala de la Tierra Conocida", "Cuando Salgo a Sabanear", "Polo Margariteno" e "Carnavalito Y Vidala", sendo "Documentos 75-76" um álbum de mais fácil acesso em comparação aos demais. A ditadura passou a ficar cada vez mais pesada entre os hermanos, obrigando o grupo a retirar-se do país, buscando exílio na França em 1977. Apesar da saída às pressas da sua Terra Natal, os ares europeus foram revitalizadores, já que lá, o quinteto ampliou seus conhecimentos musicais.  Amigos argentinos e da América Latina em geral, também exilados na França, passaram a frequentar as residências de "Susana" e "Castiñeira", surgindo um novo "Anacrusa", agora com "Susana", "Castiñeira", "Pardo" e "Bruno", "Daniel Sbarra" (guitarras), "Jorge Trasante" (bateria e percussão), "Juan Mosalini" (bandoneon) e "Phillipe Pages" (piano, órgão). O que estava bom iria fica incrivelmente melhor a partir de então. Os novos rumos ainda levaram o grupo a assinar com o mega selo Philips, e em 1978, chegou às lojas o álbum "El Sacrificio", que na minha opinião é o melhor do grupo. Desde a estonteante entrada com "El Pozo de los Vientos", e uma impecável mistura de elementos progressivos com latinos, percebemos que o grupo cresceu e muito. Guitarra, baixo e piano misturam-se a flauta, oboé e percussões de uma maneira ímpar, sendo que o trabalho de "Sbarra" é perfeito, com suas distorções puramente psicodélicas, apresentadas na recriação de "Los Capiangos" e em "Quien Bien Quiere", ambas com um belíssimo arranjo orquestral.  O trabalho instrumental de "Castiñeira" e "Susana" é elevado para o nível mais alto, como atestam "Sol del Fuego", com uma ótima participação do bumbo-leguero, e na longa suíte "Tema de Anacrusa", uma canção merecedora de ser chamada de Maravilha, com seus treze incansáveis minutos de variações e andamentos mágicos criados por piano, flauta, saxofone, baixo, guitarras e percussão, além de fantásticas vocalizações de "Susana".  Aliás, o que ela faz com a voz na faixa-título assusta até fantasmas, e quando ouvimos os cinco minutos da Maravilhosa "Homenaje a Waldo", não tem como evitarmos as lágrimas e a tradicional frase cuja sigla é "PQP!", tamanha a emoção e perfeição que os músicos exprimem na mesma. Um disco perfeito, que ao lado de "La Biblia" (Vox Dei) e "Artaud" (Pescado Rabioso), está no topo dos Melhores álbuns já lançados por um grupo da Argentina. O "Anacrusa" seguiu como um grupo errante, atuando pouco mas concentrando-se bastante nas composições, além de uma grande mudança na formação, agora com "Castiñeira" e "Susana" acompanhados de "Narciso Omar Espinosa" (violão), "Tony Bonfyls" (baixo), "André Arpino" (bateria), "Jacky Tricore" (guitarra), "Alain Human" (percussão),  "Rubem Sanchez Resta" (percussão), "Patrice Mondon" (violino), "Pierre Gozzes" (saxofone), "Claude Maisonneuve" (oboé) e "Raymond Guiot" (flautas). O segundo disco do exílio demorou quatro anos para ser parido, com o nome de "Fuerza" e lançado em 1982, é um forte concorrente para "El Sacrificio" à posição de melhor do grupo. Temos um álbum muito elétrico, levado principalmente pela guitarra ácida de Tricore.  As únicas canções que trazem um pouco das origens são a quase "Weather Report" "Monserrat", inspirada nos acordes de "Recuerdos de Monserrat", e a bela faixa-título, com o bumbo leguero se fazendo presente, mas destacando exclusivamente o arrepiante arranjo vocal. No mais, o "Anacrusa" apresenta novidades em seu som, como as baladas "En Paz" e "Vidala de la Tierra", essa com um ótimo arranjo orquestral, e até mesmo jazz-fusion, na incrível "Presion", com "Susana" dando show ao piano, além de um duelo inesquecível de violino e guitarra.  A maravilhosa recriação para "Calfucurá" é tão sublime quanto a versão de "Anacrusa II", mas muito mais potente com a presença dos metais e das cordas, além do tom medieval empregado na parte final da canção. O melhor fica para o final, com a estonteante "Chaya", repleta de inspirações diversas, desde o jazz ao tango, e  a suíte "Voz del Agua", que certamente irá fazer você pensar "Por que eu não ouvi essa banda antes?", tamanha a profundeza emocional que o "Anacrusa" nos apresenta ao longo dos seus nove minutos de duração, nesta que é a canção mais trabalhada orquestralmente na carreira do grupo. Infelizmente, após o lançamento de "Fuerza", o grupo separou-se, com alguns músicos voltando para a Argentina e outros permanecendo na Europa. Nesse período, o "Anacrusa" entrou na obscuridade, e somente "Castiñeira" ganhou algum destaque, compondo trilhas para diversos filmes franceses e argentinos. Somente nos anos 90, uma nova reunião entre "Susana" e "Castiñeira" veio a ocorrer, e a mesma acabou gerando mais um registro fonográfico, o quinto do grupo. 13 anos depois de "Fuerza", "Castiñeira" e "Susana" reencontraram-se em Buenos Aires, registrando "Reencuentro" (1995), com a participação de diversos músicos convidados. No álbum, revezam-se "Arturo Schneider" e "Rubén Mono Izarrualde" (flautas), "Adalberto Cevasco" e "Quique Alvarado" (baixo), "Enrique Zurdo Roizner" e "Carlos Carli" (bateria), "Narciso Omar Espinoza" e "Ricardo Lew" (guitarras), além de "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Daniel Binelli" (bandoneón), "Hugo Pierre" (clarinete e saxofone) e "Víctor Skorupski" (flauta e saxofone).  O grande momento desse reencontro é a faixa que abre o CD, a suíte "Tristes Llanos", com épicos quinze minutos instrumentais nos quais piano, guitarra, flauta e saxofone são os senhores de uma musicalidade quase esquecida nos anos 90.  Depois, temos quinze canções que variam bastante os estilos, algumas reaproveitadas de obras já compostas por "Castiñeira", com "Susana" prestando sua voz para "Alla Viené Un Corazón" , "Ya Me Voy", e a excepcional "Hasta Volver", que são as canções mais folclóricas do álbum. Como sempre, os momentos instrumentais são os que mais chamam a atenção, destacando "Gotas", "Violento", "Bajo Otro Sol", "Noche de Cueca", Prisión" e "Glaciares", todas com complexos e belos arranjos.  Há ainda canções que perambulam entre agradar ou não, que são as baladas vocais "Procesión" e "Estilo", e as instrumentais "De Aca Y de Alla", com flautas andinas fazendo o solo principal, mas com um magnífico bandoneón na sua segunda parte, e "Subiendo Cuestas", tendo como destaque o charango, mas um ritmo muito sonolento.  Os deslizes ficam para "Canto a la Tierra" e "Elegía", totalmente descartáveis. Um disco ameno, que podia ser mais curto (principalmente nas canções com vocal), mas cuja importância é muito relevante, já que algumas pérolas são encontradas apenas aqui. Seguiu-se um longo hiato novamente, e somente em 2005 os fãs puderam se surpreender com mais um lançamento do conjunto, "Encordado". Com "Susana", "Castiñeira", "Alejandro Santos" (flauta, saxofone, quena, sikus), "Hugo Pierre" (saxofone, flauta, clarinete), "Ricardo Lew" (guitarra, violão), "Enrique Zurdo Roizner" (bateria) e "Allan Ballan" (baixo, violoncelo),  apresentando também um quarteto de cordas, bem como diversos convidados, o "Anacrusa" surpreendeu os fãs com "Encordado", no qual o o grupo homenageia o Brasil com "Nordestino", uma canção que, como o nome diz, remete ao nordeste brasileiro através da flauta, cordas e percussão. No álbum, há uma recriação mais lenta para "El Sacrificio", e também, "Mamboreta", nada mais que uma versão moderna para "Galopa del Mamboreta", do primeiro álbum. As canções populares soam cansativas, e aqui encaixam-se "Rema Rema", "Rio Rio", "La Partida" e "Atardecer".  Por outro lado, o instrumental continua impecável, como atestam "Prision", "Galeron" e "Cautiva". "Candombe de Alain", "Cruz de Sal" e "Zamba de Invierno" são o trio de ouro de um álbum mediano, contudo bem melhor que seu antecessor. Uma pequena série de apresentações acabou fazendo com que mais um registro ocorresse, dessa vez do álbum "En Vivo", registrado em novembro de 2005, no Teatro Presidente Alvear, em Buenos Aires,  e lançado no mesmo ano.  Desde então, "Castiñeira" segue sua carreira como compositor, e aguardamos por uma reunião que parece, por enquanto, existir apenas nos sonhos dos fãs de uma das melhores bandas da América do Sul.  A estrutura das canções em absoluto é muito fechada para a cultura peruana, boliviana, baladas argentinas, bolero, milongas... porém representa algo mais refinado e certamente a melhor vibração possível  da música popular Latina com o rock progressivo, recomendo.Em 2005, esse álbum foi relançado com o nome "Documentos 75-76", trazendo cinco bônus, que foram gravadas para o quarto álbum do grupo, o qual seria lançado em 1976, mas não chegou a sair. São elas: "Cuando Llegare", "Vidala de la Tierra Conocida", "Cuando Salgo a Sabanear", "Polo Margariteno" e "Carnavalito Y Vidala", sendo "Documentos 75-76" um álbum de mais fácil acesso em comparação aos demais.
A ditadura passou a ficar cada vez mais pesada entre os hermanos, obrigando o grupo a retirar-se do país, buscando exílio na França em 1977. Apesar da saída às pressas da sua Terra Natal, os ares europeus foram revitalizadores, já que lá, o quinteto ampliou seus conhecimentos musicais. 
Amigos argentinos e da América Latina em geral, também exilados na França, passaram a frequentar as residências de "Susana" e "Castiñeira", surgindo um novo "Anacrusa", agora com "Susana", "Castiñeira", "Pardo" e "Bruno", "Daniel Sbarra" (guitarras), "Jorge Trasante" (bateria e percussão), "Juan Mosalini" (bandoneon) e "Phillipe Pages" (piano, órgão). O que estava bom iria fica incrivelmente melhor a partir de então. Os novos rumos ainda levaram o grupo a assinar com o mega selo Philips, e em 1978, chegou às lojas o álbum "El Sacrificio", que na minha opinião é o melhor do grupo.
"Anacrusa" é uma banda argentina formada no início dos anos 70 por "José Luis Castiñeira de Dios" (violão, charango, cuatro, bandoneón, baixo, arranjos) e pela voz marcante de "Suzana Lago" (piano, órgão, charango e voz), acompanhados pelo trio "Alex Eriich-Oliva" (double bass, violões, violoncelo), "Julio Pardo" (flauta, oboé, instrumentos de sopro) e "Elias Chiche Heger" (bateria, percussão). O grupo apresentava-se em pequenos locais de Buenos Aires, apresentando um som fortemente influenciado pelos ritmos portenhos e latinos. Durante a década de 70, Brasil e Argentina não rivalizavam apenas no futebol, mas também na formação de grandes bandas. Enquanto o Brasil tinha "Secos & Molhados", "Mutantes", "Som Nosso de Cada Dia" e "O Terço" (só para citar alguns), a Argentina rivalizava com "Sui Generis", "La Biblia", "Almendra" e "La Maquina de Hacer Pajaros" (também para citar só alguns). Porém, os argentinos tinham um diferencial em suas bandas, já que a maioria delas explorava com muita qualidade as características sonoras do seu país. Não era diferente com a "Anacrusa", uma banda espetacular, que sabia fazer miséria com tango, rock progressivo, mambo, milonga, chamamé e diversos outros estilos comuns ao pampa portenho. O grupo, cujo nome é uma forma musical européia, advinda do grego "ἀνάκρουσις", que significa retrocesso, tem uma história praticamente obscura, mas graças a geração MP3, o mundo pode conhecer uma das bandas mais versáteis que o pampa portenho já ouviu, que fez questão de retroceder às origens folclóricas de seu país, mas foi além com o passar dos anos e as inspirações progressivas. Não tardou para que assinassem um contrato com o selo Redondel, e em 1973, lançasse seu álbum de estréia, auto-batizado. O disco é muito belo, misturando os elementos do pampa com sutis porções de rock progressivo. Em pouco mais de trinta minutos, somos apresentados a diversos ritmos latinos, como as cuecas "La Rosa Y El Clave" e "Rio Limay", contrastando os violões, piano e bandoneón com majestosos solos de flauta e xilofone, e as canções populares e dançantes presentes no joropo "Lo Que Mas Quiero" e no merengue "Marula Sanchez".  A voz de "Susana" destaca-se na guajira "Pobre Mi Tierra" e em "Elegia Sobre Un Poema", onde ela realmente assombra. Os destaques ficam para as instrumentais "El Baile del Pajarillo" (joropo venezuelano), "Zamba de Invierno", ambas com um show de "Castiñeira" e "Pardo", "Galopa del Mamboreta", uma galopa com uma empolgante variação de ritmos entre piano e flauta, a andina "Viento de Yavi", todas com ótimas passagens de elementos prog com elementos do pampa, e a mágica chacarera "Piedra Y Madera", sem sombra de dúvidas a melhor e mais elaborada canção do LP.  São canções curtas, mas com um belo apelo emocional, que indicavam um promissor caminho para o quinteto, que na capa do LP, mostrava suas influências progressivas, imitando o "Pink Floyd" em "Ummagumma" ao posar com todos os seus instrumentos ao mesmo tempo. O álbum vendeu relativamente bem, angariando mais shows para o grupo e permitindo a gravação de um segundo LP no ano seguinte. "Anacrusa II" de 1974 apresenta a primeira reformulação da banda, agora com o "La Platense Rubén Mono Izaurralde" no lugar de "Pardo". O grupo continua suas explorações musicais no ano seguinte, e "Mono" foi a substituição, dando uma nova face para o grupo, já que além de tocar muito bem, também canta, aqui em "Rio Manzanares".  O álbum possui canções populares de diferentes países, como a citada "Rio Manzanares" (canción venezuelana), "Coplas de Cundinamarca" (coplas colombianas) e a dançante "Palmero" (marinero peruana), além de "Homenaje", uma cueca legitimamente portenha, e que está no lado B.  Mas com a dolorida "Polo Coriano", o grupo surpreende nas partes instrumentais, enaltecidas nas pérolas "Zamba de la Despedida", destacando o órgão de "Susana", a suíte "Campo Sur" e a suave "Saque Mi Corazón de la Tierra Quemada", com violão, flauta e piano dividindo as atenções. Há também a estonteante "Calcufurá", uma incrível canção na qual "Susana" usa e abusa das notas do piano, e "Mono" faz misérias com a flauta, encerrando de forma fantástica esse belíssimo álbum e mostrando os caminhos progressivos que o grupo iria seguir em breve. "Anacrusa" e "Anacrusa II" foram posteriormente relançados em um único CD, chamado "Anacrusa" (2001), trazendo todas as canções de ambos os álbuns.  O mercado latino começava a receber de braços abertos o quinteto, que não parava de produzir espetáculos cada vez mais concorridos. Porém, em plena ditadura militar, sobreviver como músico no país vizinho tornou-se uma tarefa complicada, e desta forma, as dificuldades financeiras começaram a aparecer. Mesmo assim, o quinteto seguiu na luta, e com uma nova formação tendo "Castiñera",  "Mono", "Susana", "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Quique Alvarado" (baixo e sintetizador), "Juan Carlos Lícari" (bateria) e "Ricardo Martinez" (percussão), lançam "Anacrusa III", em 1975, pelo pequeno selo Global.  Se em "Anacrusa II", os argentinos colocavam o pé levemente no progressivo, no terceiro disco a situação inverte-se, já que esse é o álbum mais folclórico do grupo, que como todos os demais, possui uma distinção muito clara nos ritmos apresentados.  Nas canções com vocal, temos o joropo de "Pullas", com os vocais divididos entre "Mono" e "Susana", as vidalas "Lamento del Salitral" e "Tanta Lagrima Regada", a marinera peruana de "M'hey de Guardar", a valsa peruana "Maldito Amor" e a milonga "Milonga del Silencio", ambas com dramáticas interpretações de "Susana".  Para manter a constante, os arranjos instrumentais do maestro "Castiñeira" são o que temos de melhor, enaltecendo cada vez mais o nome do grupo para os fãs, através das jóias "Polquita Cruceña", uma polca boliviana com um belo duelo de flauta e oboé, e "Los Capiangos", uma chaya típica representante da sonoridade "Anacrusa", trazendo como novidade a presença do sintetizador. A agitada candomble "Recuerdos de Monserrat", que serviria de base para outra canção do grupo no futuro, destacando a inclusão do xilofone na mesma, é um dos principais destaques, ao lado de "Horizontes Y Senderos", que traz lágrimas em suas três partes, uma mais bela que a outra, e totalmente distintas entre si, mostrando que é possível construir uma ótima canção repleta de variações em apenas cinco minutos. Em 2005, esse álbum foi relançado com o nome "Documentos 75-76", trazendo cinco bônus, que foram gravadas para o quarto álbum do grupo, o qual seria lançado em 1976, mas não chegou a sair. São elas: "Cuando Llegare", "Vidala de la Tierra Conocida", "Cuando Salgo a Sabanear", "Polo Margariteno" e "Carnavalito Y Vidala", sendo "Documentos 75-76" um álbum de mais fácil acesso em comparação aos demais. A ditadura passou a ficar cada vez mais pesada entre os hermanos, obrigando o grupo a retirar-se do país, buscando exílio na França em 1977. Apesar da saída às pressas da sua Terra Natal, os ares europeus foram revitalizadores, já que lá, o quinteto ampliou seus conhecimentos musicais.  Amigos argentinos e da América Latina em geral, também exilados na França, passaram a frequentar as residências de "Susana" e "Castiñeira", surgindo um novo "Anacrusa", agora com "Susana", "Castiñeira", "Pardo" e "Bruno", "Daniel Sbarra" (guitarras), "Jorge Trasante" (bateria e percussão), "Juan Mosalini" (bandoneon) e "Phillipe Pages" (piano, órgão). O que estava bom iria fica incrivelmente melhor a partir de então. Os novos rumos ainda levaram o grupo a assinar com o mega selo Philips, e em 1978, chegou às lojas o álbum "El Sacrificio", que na minha opinião é o melhor do grupo. Desde a estonteante entrada com "El Pozo de los Vientos", e uma impecável mistura de elementos progressivos com latinos, percebemos que o grupo cresceu e muito. Guitarra, baixo e piano misturam-se a flauta, oboé e percussões de uma maneira ímpar, sendo que o trabalho de "Sbarra" é perfeito, com suas distorções puramente psicodélicas, apresentadas na recriação de "Los Capiangos" e em "Quien Bien Quiere", ambas com um belíssimo arranjo orquestral.  O trabalho instrumental de "Castiñeira" e "Susana" é elevado para o nível mais alto, como atestam "Sol del Fuego", com uma ótima participação do bumbo-leguero, e na longa suíte "Tema de Anacrusa", uma canção merecedora de ser chamada de Maravilha, com seus treze incansáveis minutos de variações e andamentos mágicos criados por piano, flauta, saxofone, baixo, guitarras e percussão, além de fantásticas vocalizações de "Susana".  Aliás, o que ela faz com a voz na faixa-título assusta até fantasmas, e quando ouvimos os cinco minutos da Maravilhosa "Homenaje a Waldo", não tem como evitarmos as lágrimas e a tradicional frase cuja sigla é "PQP!", tamanha a emoção e perfeição que os músicos exprimem na mesma. Um disco perfeito, que ao lado de "La Biblia" (Vox Dei) e "Artaud" (Pescado Rabioso), está no topo dos Melhores álbuns já lançados por um grupo da Argentina. O "Anacrusa" seguiu como um grupo errante, atuando pouco mas concentrando-se bastante nas composições, além de uma grande mudança na formação, agora com "Castiñeira" e "Susana" acompanhados de "Narciso Omar Espinosa" (violão), "Tony Bonfyls" (baixo), "André Arpino" (bateria), "Jacky Tricore" (guitarra), "Alain Human" (percussão),  "Rubem Sanchez Resta" (percussão), "Patrice Mondon" (violino), "Pierre Gozzes" (saxofone), "Claude Maisonneuve" (oboé) e "Raymond Guiot" (flautas). O segundo disco do exílio demorou quatro anos para ser parido, com o nome de "Fuerza" e lançado em 1982, é um forte concorrente para "El Sacrificio" à posição de melhor do grupo. Temos um álbum muito elétrico, levado principalmente pela guitarra ácida de Tricore.  As únicas canções que trazem um pouco das origens são a quase "Weather Report" "Monserrat", inspirada nos acordes de "Recuerdos de Monserrat", e a bela faixa-título, com o bumbo leguero se fazendo presente, mas destacando exclusivamente o arrepiante arranjo vocal. No mais, o "Anacrusa" apresenta novidades em seu som, como as baladas "En Paz" e "Vidala de la Tierra", essa com um ótimo arranjo orquestral, e até mesmo jazz-fusion, na incrível "Presion", com "Susana" dando show ao piano, além de um duelo inesquecível de violino e guitarra.  A maravilhosa recriação para "Calfucurá" é tão sublime quanto a versão de "Anacrusa II", mas muito mais potente com a presença dos metais e das cordas, além do tom medieval empregado na parte final da canção. O melhor fica para o final, com a estonteante "Chaya", repleta de inspirações diversas, desde o jazz ao tango, e  a suíte "Voz del Agua", que certamente irá fazer você pensar "Por que eu não ouvi essa banda antes?", tamanha a profundeza emocional que o "Anacrusa" nos apresenta ao longo dos seus nove minutos de duração, nesta que é a canção mais trabalhada orquestralmente na carreira do grupo. Infelizmente, após o lançamento de "Fuerza", o grupo separou-se, com alguns músicos voltando para a Argentina e outros permanecendo na Europa. Nesse período, o "Anacrusa" entrou na obscuridade, e somente "Castiñeira" ganhou algum destaque, compondo trilhas para diversos filmes franceses e argentinos. Somente nos anos 90, uma nova reunião entre "Susana" e "Castiñeira" veio a ocorrer, e a mesma acabou gerando mais um registro fonográfico, o quinto do grupo. 13 anos depois de "Fuerza", "Castiñeira" e "Susana" reencontraram-se em Buenos Aires, registrando "Reencuentro" (1995), com a participação de diversos músicos convidados. No álbum, revezam-se "Arturo Schneider" e "Rubén Mono Izarrualde" (flautas), "Adalberto Cevasco" e "Quique Alvarado" (baixo), "Enrique Zurdo Roizner" e "Carlos Carli" (bateria), "Narciso Omar Espinoza" e "Ricardo Lew" (guitarras), além de "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Daniel Binelli" (bandoneón), "Hugo Pierre" (clarinete e saxofone) e "Víctor Skorupski" (flauta e saxofone).  O grande momento desse reencontro é a faixa que abre o CD, a suíte "Tristes Llanos", com épicos quinze minutos instrumentais nos quais piano, guitarra, flauta e saxofone são os senhores de uma musicalidade quase esquecida nos anos 90.  Depois, temos quinze canções que variam bastante os estilos, algumas reaproveitadas de obras já compostas por "Castiñeira", com "Susana" prestando sua voz para "Alla Viené Un Corazón" , "Ya Me Voy", e a excepcional "Hasta Volver", que são as canções mais folclóricas do álbum. Como sempre, os momentos instrumentais são os que mais chamam a atenção, destacando "Gotas", "Violento", "Bajo Otro Sol", "Noche de Cueca", Prisión" e "Glaciares", todas com complexos e belos arranjos.  Há ainda canções que perambulam entre agradar ou não, que são as baladas vocais "Procesión" e "Estilo", e as instrumentais "De Aca Y de Alla", com flautas andinas fazendo o solo principal, mas com um magnífico bandoneón na sua segunda parte, e "Subiendo Cuestas", tendo como destaque o charango, mas um ritmo muito sonolento.  Os deslizes ficam para "Canto a la Tierra" e "Elegía", totalmente descartáveis. Um disco ameno, que podia ser mais curto (principalmente nas canções com vocal), mas cuja importância é muito relevante, já que algumas pérolas são encontradas apenas aqui. Seguiu-se um longo hiato novamente, e somente em 2005 os fãs puderam se surpreender com mais um lançamento do conjunto, "Encordado". Com "Susana", "Castiñeira", "Alejandro Santos" (flauta, saxofone, quena, sikus), "Hugo Pierre" (saxofone, flauta, clarinete), "Ricardo Lew" (guitarra, violão), "Enrique Zurdo Roizner" (bateria) e "Allan Ballan" (baixo, violoncelo),  apresentando também um quarteto de cordas, bem como diversos convidados, o "Anacrusa" surpreendeu os fãs com "Encordado", no qual o o grupo homenageia o Brasil com "Nordestino", uma canção que, como o nome diz, remete ao nordeste brasileiro através da flauta, cordas e percussão. No álbum, há uma recriação mais lenta para "El Sacrificio", e também, "Mamboreta", nada mais que uma versão moderna para "Galopa del Mamboreta", do primeiro álbum. As canções populares soam cansativas, e aqui encaixam-se "Rema Rema", "Rio Rio", "La Partida" e "Atardecer".  Por outro lado, o instrumental continua impecável, como atestam "Prision", "Galeron" e "Cautiva". "Candombe de Alain", "Cruz de Sal" e "Zamba de Invierno" são o trio de ouro de um álbum mediano, contudo bem melhor que seu antecessor. Uma pequena série de apresentações acabou fazendo com que mais um registro ocorresse, dessa vez do álbum "En Vivo", registrado em novembro de 2005, no Teatro Presidente Alvear, em Buenos Aires,  e lançado no mesmo ano.  Desde então, "Castiñeira" segue sua carreira como compositor, e aguardamos por uma reunião que parece, por enquanto, existir apenas nos sonhos dos fãs de uma das melhores bandas da América do Sul.  A estrutura das canções em absoluto é muito fechada para a cultura peruana, boliviana, baladas argentinas, bolero, milongas... porém representa algo mais refinado e certamente a melhor vibração possível  da música popular Latina com o rock progressivo, recomendo.Desde a estonteante entrada com "El Pozo de los Vientos", e uma impecável mistura de elementos progressivos com latinos, percebemos que o grupo cresceu e muito. Guitarra, baixo e piano misturam-se a flauta, oboé e percussões de uma maneira ímpar, sendo que o trabalho de "Sbarra" é perfeito, com suas distorções puramente psicodélicas, apresentadas na recriação de "Los Capiangos" e em "Quien Bien Quiere", ambas com um belíssimo arranjo orquestral. 
O trabalho instrumental de "Castiñeira" e "Susana" é elevado para o nível mais alto, como atestam "Sol del Fuego", com uma ótima participação do bumbo-leguero, e na longa suíte "Tema de Anacrusa", uma canção merecedora de ser chamada de Maravilha, com seus treze incansáveis minutos de variações e andamentos mágicos criados por piano, flauta, saxofone, baixo, guitarras e percussão, 
além de fantásticas vocalizações de "Susana". 
Aliás, o que ela faz com a voz na faixa-título assusta até fantasmas, e quando ouvimos os cinco minutos da Maravilhosa "Homenaje a Waldo", não tem como evitarmos as lágrimas e a tradicional frase cuja sigla é "PQP!", tamanha a emoção 
e perfeição que os músicos exprimem na mesma.
Um disco perfeito, que ao lado de "La Biblia" (Vox Dei) e "Artaud" (Pescado Rabioso), está no topo dos Melhores álbuns já lançados por um grupo da Argentina.
O "Anacrusa" seguiu como um grupo errante, atuando pouco mas concentrando-se bastante nas composições, além de uma grande mudança na formação, agora com "Castiñeira" e "Susana" acompanhados de "Narciso Omar Espinosa" (violão), "Tony Bonfyls" (baixo), "André Arpino" (bateria), "Jacky Tricore" (guitarra), "Alain Human" (percussão),  "Rubem Sanchez Resta" (percussão), "Patrice Mondon" (violino), "Pierre Gozzes" (saxofone), "Claude Maisonneuve" (oboé) e "Raymond Guiot" (flautas).
"Anacrusa" é uma banda argentina formada no início dos anos 70 por "José Luis Castiñeira de Dios" (violão, charango, cuatro, bandoneón, baixo, arranjos) e pela voz marcante de "Suzana Lago" (piano, órgão, charango e voz), acompanhados pelo trio "Alex Eriich-Oliva" (double bass, violões, violoncelo), "Julio Pardo" (flauta, oboé, instrumentos de sopro) e "Elias Chiche Heger" (bateria, percussão). O grupo apresentava-se em pequenos locais de Buenos Aires, apresentando um som fortemente influenciado pelos ritmos portenhos e latinos. Durante a década de 70, Brasil e Argentina não rivalizavam apenas no futebol, mas também na formação de grandes bandas. Enquanto o Brasil tinha "Secos & Molhados", "Mutantes", "Som Nosso de Cada Dia" e "O Terço" (só para citar alguns), a Argentina rivalizava com "Sui Generis", "La Biblia", "Almendra" e "La Maquina de Hacer Pajaros" (também para citar só alguns). Porém, os argentinos tinham um diferencial em suas bandas, já que a maioria delas explorava com muita qualidade as características sonoras do seu país. Não era diferente com a "Anacrusa", uma banda espetacular, que sabia fazer miséria com tango, rock progressivo, mambo, milonga, chamamé e diversos outros estilos comuns ao pampa portenho. O grupo, cujo nome é uma forma musical européia, advinda do grego "ἀνάκρουσις", que significa retrocesso, tem uma história praticamente obscura, mas graças a geração MP3, o mundo pode conhecer uma das bandas mais versáteis que o pampa portenho já ouviu, que fez questão de retroceder às origens folclóricas de seu país, mas foi além com o passar dos anos e as inspirações progressivas. Não tardou para que assinassem um contrato com o selo Redondel, e em 1973, lançasse seu álbum de estréia, auto-batizado. O disco é muito belo, misturando os elementos do pampa com sutis porções de rock progressivo. Em pouco mais de trinta minutos, somos apresentados a diversos ritmos latinos, como as cuecas "La Rosa Y El Clave" e "Rio Limay", contrastando os violões, piano e bandoneón com majestosos solos de flauta e xilofone, e as canções populares e dançantes presentes no joropo "Lo Que Mas Quiero" e no merengue "Marula Sanchez".  A voz de "Susana" destaca-se na guajira "Pobre Mi Tierra" e em "Elegia Sobre Un Poema", onde ela realmente assombra. Os destaques ficam para as instrumentais "El Baile del Pajarillo" (joropo venezuelano), "Zamba de Invierno", ambas com um show de "Castiñeira" e "Pardo", "Galopa del Mamboreta", uma galopa com uma empolgante variação de ritmos entre piano e flauta, a andina "Viento de Yavi", todas com ótimas passagens de elementos prog com elementos do pampa, e a mágica chacarera "Piedra Y Madera", sem sombra de dúvidas a melhor e mais elaborada canção do LP.  São canções curtas, mas com um belo apelo emocional, que indicavam um promissor caminho para o quinteto, que na capa do LP, mostrava suas influências progressivas, imitando o "Pink Floyd" em "Ummagumma" ao posar com todos os seus instrumentos ao mesmo tempo. O álbum vendeu relativamente bem, angariando mais shows para o grupo e permitindo a gravação de um segundo LP no ano seguinte. "Anacrusa II" de 1974 apresenta a primeira reformulação da banda, agora com o "La Platense Rubén Mono Izaurralde" no lugar de "Pardo". O grupo continua suas explorações musicais no ano seguinte, e "Mono" foi a substituição, dando uma nova face para o grupo, já que além de tocar muito bem, também canta, aqui em "Rio Manzanares".  O álbum possui canções populares de diferentes países, como a citada "Rio Manzanares" (canción venezuelana), "Coplas de Cundinamarca" (coplas colombianas) e a dançante "Palmero" (marinero peruana), além de "Homenaje", uma cueca legitimamente portenha, e que está no lado B.  Mas com a dolorida "Polo Coriano", o grupo surpreende nas partes instrumentais, enaltecidas nas pérolas "Zamba de la Despedida", destacando o órgão de "Susana", a suíte "Campo Sur" e a suave "Saque Mi Corazón de la Tierra Quemada", com violão, flauta e piano dividindo as atenções. Há também a estonteante "Calcufurá", uma incrível canção na qual "Susana" usa e abusa das notas do piano, e "Mono" faz misérias com a flauta, encerrando de forma fantástica esse belíssimo álbum e mostrando os caminhos progressivos que o grupo iria seguir em breve. "Anacrusa" e "Anacrusa II" foram posteriormente relançados em um único CD, chamado "Anacrusa" (2001), trazendo todas as canções de ambos os álbuns.  O mercado latino começava a receber de braços abertos o quinteto, que não parava de produzir espetáculos cada vez mais concorridos. Porém, em plena ditadura militar, sobreviver como músico no país vizinho tornou-se uma tarefa complicada, e desta forma, as dificuldades financeiras começaram a aparecer. Mesmo assim, o quinteto seguiu na luta, e com uma nova formação tendo "Castiñera",  "Mono", "Susana", "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Quique Alvarado" (baixo e sintetizador), "Juan Carlos Lícari" (bateria) e "Ricardo Martinez" (percussão), lançam "Anacrusa III", em 1975, pelo pequeno selo Global.  Se em "Anacrusa II", os argentinos colocavam o pé levemente no progressivo, no terceiro disco a situação inverte-se, já que esse é o álbum mais folclórico do grupo, que como todos os demais, possui uma distinção muito clara nos ritmos apresentados.  Nas canções com vocal, temos o joropo de "Pullas", com os vocais divididos entre "Mono" e "Susana", as vidalas "Lamento del Salitral" e "Tanta Lagrima Regada", a marinera peruana de "M'hey de Guardar", a valsa peruana "Maldito Amor" e a milonga "Milonga del Silencio", ambas com dramáticas interpretações de "Susana".  Para manter a constante, os arranjos instrumentais do maestro "Castiñeira" são o que temos de melhor, enaltecendo cada vez mais o nome do grupo para os fãs, através das jóias "Polquita Cruceña", uma polca boliviana com um belo duelo de flauta e oboé, e "Los Capiangos", uma chaya típica representante da sonoridade "Anacrusa", trazendo como novidade a presença do sintetizador. A agitada candomble "Recuerdos de Monserrat", que serviria de base para outra canção do grupo no futuro, destacando a inclusão do xilofone na mesma, é um dos principais destaques, ao lado de "Horizontes Y Senderos", que traz lágrimas em suas três partes, uma mais bela que a outra, e totalmente distintas entre si, mostrando que é possível construir uma ótima canção repleta de variações em apenas cinco minutos. Em 2005, esse álbum foi relançado com o nome "Documentos 75-76", trazendo cinco bônus, que foram gravadas para o quarto álbum do grupo, o qual seria lançado em 1976, mas não chegou a sair. São elas: "Cuando Llegare", "Vidala de la Tierra Conocida", "Cuando Salgo a Sabanear", "Polo Margariteno" e "Carnavalito Y Vidala", sendo "Documentos 75-76" um álbum de mais fácil acesso em comparação aos demais. A ditadura passou a ficar cada vez mais pesada entre os hermanos, obrigando o grupo a retirar-se do país, buscando exílio na França em 1977. Apesar da saída às pressas da sua Terra Natal, os ares europeus foram revitalizadores, já que lá, o quinteto ampliou seus conhecimentos musicais.  Amigos argentinos e da América Latina em geral, também exilados na França, passaram a frequentar as residências de "Susana" e "Castiñeira", surgindo um novo "Anacrusa", agora com "Susana", "Castiñeira", "Pardo" e "Bruno", "Daniel Sbarra" (guitarras), "Jorge Trasante" (bateria e percussão), "Juan Mosalini" (bandoneon) e "Phillipe Pages" (piano, órgão). O que estava bom iria fica incrivelmente melhor a partir de então. Os novos rumos ainda levaram o grupo a assinar com o mega selo Philips, e em 1978, chegou às lojas o álbum "El Sacrificio", que na minha opinião é o melhor do grupo. Desde a estonteante entrada com "El Pozo de los Vientos", e uma impecável mistura de elementos progressivos com latinos, percebemos que o grupo cresceu e muito. Guitarra, baixo e piano misturam-se a flauta, oboé e percussões de uma maneira ímpar, sendo que o trabalho de "Sbarra" é perfeito, com suas distorções puramente psicodélicas, apresentadas na recriação de "Los Capiangos" e em "Quien Bien Quiere", ambas com um belíssimo arranjo orquestral.  O trabalho instrumental de "Castiñeira" e "Susana" é elevado para o nível mais alto, como atestam "Sol del Fuego", com uma ótima participação do bumbo-leguero, e na longa suíte "Tema de Anacrusa", uma canção merecedora de ser chamada de Maravilha, com seus treze incansáveis minutos de variações e andamentos mágicos criados por piano, flauta, saxofone, baixo, guitarras e percussão, além de fantásticas vocalizações de "Susana".  Aliás, o que ela faz com a voz na faixa-título assusta até fantasmas, e quando ouvimos os cinco minutos da Maravilhosa "Homenaje a Waldo", não tem como evitarmos as lágrimas e a tradicional frase cuja sigla é "PQP!", tamanha a emoção e perfeição que os músicos exprimem na mesma. Um disco perfeito, que ao lado de "La Biblia" (Vox Dei) e "Artaud" (Pescado Rabioso), está no topo dos Melhores álbuns já lançados por um grupo da Argentina. O "Anacrusa" seguiu como um grupo errante, atuando pouco mas concentrando-se bastante nas composições, além de uma grande mudança na formação, agora com "Castiñeira" e "Susana" acompanhados de "Narciso Omar Espinosa" (violão), "Tony Bonfyls" (baixo), "André Arpino" (bateria), "Jacky Tricore" (guitarra), "Alain Human" (percussão),  "Rubem Sanchez Resta" (percussão), "Patrice Mondon" (violino), "Pierre Gozzes" (saxofone), "Claude Maisonneuve" (oboé) e "Raymond Guiot" (flautas). O segundo disco do exílio demorou quatro anos para ser parido, com o nome de "Fuerza" e lançado em 1982, é um forte concorrente para "El Sacrificio" à posição de melhor do grupo. Temos um álbum muito elétrico, levado principalmente pela guitarra ácida de Tricore.  As únicas canções que trazem um pouco das origens são a quase "Weather Report" "Monserrat", inspirada nos acordes de "Recuerdos de Monserrat", e a bela faixa-título, com o bumbo leguero se fazendo presente, mas destacando exclusivamente o arrepiante arranjo vocal. No mais, o "Anacrusa" apresenta novidades em seu som, como as baladas "En Paz" e "Vidala de la Tierra", essa com um ótimo arranjo orquestral, e até mesmo jazz-fusion, na incrível "Presion", com "Susana" dando show ao piano, além de um duelo inesquecível de violino e guitarra.  A maravilhosa recriação para "Calfucurá" é tão sublime quanto a versão de "Anacrusa II", mas muito mais potente com a presença dos metais e das cordas, além do tom medieval empregado na parte final da canção. O melhor fica para o final, com a estonteante "Chaya", repleta de inspirações diversas, desde o jazz ao tango, e  a suíte "Voz del Agua", que certamente irá fazer você pensar "Por que eu não ouvi essa banda antes?", tamanha a profundeza emocional que o "Anacrusa" nos apresenta ao longo dos seus nove minutos de duração, nesta que é a canção mais trabalhada orquestralmente na carreira do grupo. Infelizmente, após o lançamento de "Fuerza", o grupo separou-se, com alguns músicos voltando para a Argentina e outros permanecendo na Europa. Nesse período, o "Anacrusa" entrou na obscuridade, e somente "Castiñeira" ganhou algum destaque, compondo trilhas para diversos filmes franceses e argentinos. Somente nos anos 90, uma nova reunião entre "Susana" e "Castiñeira" veio a ocorrer, e a mesma acabou gerando mais um registro fonográfico, o quinto do grupo. 13 anos depois de "Fuerza", "Castiñeira" e "Susana" reencontraram-se em Buenos Aires, registrando "Reencuentro" (1995), com a participação de diversos músicos convidados. No álbum, revezam-se "Arturo Schneider" e "Rubén Mono Izarrualde" (flautas), "Adalberto Cevasco" e "Quique Alvarado" (baixo), "Enrique Zurdo Roizner" e "Carlos Carli" (bateria), "Narciso Omar Espinoza" e "Ricardo Lew" (guitarras), além de "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Daniel Binelli" (bandoneón), "Hugo Pierre" (clarinete e saxofone) e "Víctor Skorupski" (flauta e saxofone).  O grande momento desse reencontro é a faixa que abre o CD, a suíte "Tristes Llanos", com épicos quinze minutos instrumentais nos quais piano, guitarra, flauta e saxofone são os senhores de uma musicalidade quase esquecida nos anos 90.  Depois, temos quinze canções que variam bastante os estilos, algumas reaproveitadas de obras já compostas por "Castiñeira", com "Susana" prestando sua voz para "Alla Viené Un Corazón" , "Ya Me Voy", e a excepcional "Hasta Volver", que são as canções mais folclóricas do álbum. Como sempre, os momentos instrumentais são os que mais chamam a atenção, destacando "Gotas", "Violento", "Bajo Otro Sol", "Noche de Cueca", Prisión" e "Glaciares", todas com complexos e belos arranjos.  Há ainda canções que perambulam entre agradar ou não, que são as baladas vocais "Procesión" e "Estilo", e as instrumentais "De Aca Y de Alla", com flautas andinas fazendo o solo principal, mas com um magnífico bandoneón na sua segunda parte, e "Subiendo Cuestas", tendo como destaque o charango, mas um ritmo muito sonolento.  Os deslizes ficam para "Canto a la Tierra" e "Elegía", totalmente descartáveis. Um disco ameno, que podia ser mais curto (principalmente nas canções com vocal), mas cuja importância é muito relevante, já que algumas pérolas são encontradas apenas aqui. Seguiu-se um longo hiato novamente, e somente em 2005 os fãs puderam se surpreender com mais um lançamento do conjunto, "Encordado". Com "Susana", "Castiñeira", "Alejandro Santos" (flauta, saxofone, quena, sikus), "Hugo Pierre" (saxofone, flauta, clarinete), "Ricardo Lew" (guitarra, violão), "Enrique Zurdo Roizner" (bateria) e "Allan Ballan" (baixo, violoncelo),  apresentando também um quarteto de cordas, bem como diversos convidados, o "Anacrusa" surpreendeu os fãs com "Encordado", no qual o o grupo homenageia o Brasil com "Nordestino", uma canção que, como o nome diz, remete ao nordeste brasileiro através da flauta, cordas e percussão. No álbum, há uma recriação mais lenta para "El Sacrificio", e também, "Mamboreta", nada mais que uma versão moderna para "Galopa del Mamboreta", do primeiro álbum. As canções populares soam cansativas, e aqui encaixam-se "Rema Rema", "Rio Rio", "La Partida" e "Atardecer".  Por outro lado, o instrumental continua impecável, como atestam "Prision", "Galeron" e "Cautiva". "Candombe de Alain", "Cruz de Sal" e "Zamba de Invierno" são o trio de ouro de um álbum mediano, contudo bem melhor que seu antecessor. Uma pequena série de apresentações acabou fazendo com que mais um registro ocorresse, dessa vez do álbum "En Vivo", registrado em novembro de 2005, no Teatro Presidente Alvear, em Buenos Aires,  e lançado no mesmo ano.  Desde então, "Castiñeira" segue sua carreira como compositor, e aguardamos por uma reunião que parece, por enquanto, existir apenas nos sonhos dos fãs de uma das melhores bandas da América do Sul.  A estrutura das canções em absoluto é muito fechada para a cultura peruana, boliviana, baladas argentinas, bolero, milongas... porém representa algo mais refinado e certamente a melhor vibração possível  da música popular Latina com o rock progressivo, recomendo.O segundo disco do exílio demorou quatro anos para ser parido, com o nome de "Fuerza" e lançado em 1982, é um forte concorrente para "El Sacrificio" à posição de melhor do grupo. Temos um álbum muito elétrico, levado principalmente pela guitarra ácida de Tricore. 
As únicas canções que trazem um pouco das origens são a quase "Weather Report" "Monserrat", inspirada nos acordes de "Recuerdos de Monserrat", e a bela faixa-título, com o bumbo leguero se fazendo presente, mas destacando exclusivamente o arrepiante arranjo vocal. No mais, o "Anacrusa" apresenta novidades em seu som, como as baladas "En Paz" e "Vidala de la Tierra", essa com um ótimo arranjo orquestral, e até mesmo jazz-fusion, na incrível "Presion", com "Susana" dando show ao piano, além de um duelo inesquecível de violino e guitarra. 
A maravilhosa recriação para "Calfucurá" é tão sublime quanto a versão de "Anacrusa II", mas muito mais potente com a presença dos metais e das cordas, além do tom medieval empregado na parte final da canção. O melhor fica para o final, com a estonteante "Chaya", repleta de inspirações diversas, desde o jazz ao tango, e  a suíte "Voz del Agua", que certamente irá fazer você pensar "Por que eu não ouvi essa banda antes?", tamanha a profundeza emocional que o "Anacrusa" nos apresenta ao longo dos seus nove minutos de duração, nesta que é a canção mais trabalhada 
orquestralmente na carreira do grupo.
Infelizmente, após o lançamento de "Fuerza", o grupo separou-se, com alguns músicos voltando para a Argentina e outros permanecendo na Europa. Nesse período, o "Anacrusa" entrou na obscuridade, e somente "Castiñeira" ganhou algum destaque, compondo trilhas para diversos filmes franceses e argentinos. Somente nos anos 90, uma nova reunião entre "Susana" e "Castiñeira" veio a ocorrer, e a mesma acabou gerando mais um registro fonográfico, o quinto do grupo.
"Anacrusa" é uma banda argentina formada no início dos anos 70 por "José Luis Castiñeira de Dios" (violão, charango, cuatro, bandoneón, baixo, arranjos) e pela voz marcante de "Suzana Lago" (piano, órgão, charango e voz), acompanhados pelo trio "Alex Eriich-Oliva" (double bass, violões, violoncelo), "Julio Pardo" (flauta, oboé, instrumentos de sopro) e "Elias Chiche Heger" (bateria, percussão). O grupo apresentava-se em pequenos locais de Buenos Aires, apresentando um som fortemente influenciado pelos ritmos portenhos e latinos. Durante a década de 70, Brasil e Argentina não rivalizavam apenas no futebol, mas também na formação de grandes bandas. Enquanto o Brasil tinha "Secos & Molhados", "Mutantes", "Som Nosso de Cada Dia" e "O Terço" (só para citar alguns), a Argentina rivalizava com "Sui Generis", "La Biblia", "Almendra" e "La Maquina de Hacer Pajaros" (também para citar só alguns). Porém, os argentinos tinham um diferencial em suas bandas, já que a maioria delas explorava com muita qualidade as características sonoras do seu país. Não era diferente com a "Anacrusa", uma banda espetacular, que sabia fazer miséria com tango, rock progressivo, mambo, milonga, chamamé e diversos outros estilos comuns ao pampa portenho. O grupo, cujo nome é uma forma musical européia, advinda do grego "ἀνάκρουσις", que significa retrocesso, tem uma história praticamente obscura, mas graças a geração MP3, o mundo pode conhecer uma das bandas mais versáteis que o pampa portenho já ouviu, que fez questão de retroceder às origens folclóricas de seu país, mas foi além com o passar dos anos e as inspirações progressivas. Não tardou para que assinassem um contrato com o selo Redondel, e em 1973, lançasse seu álbum de estréia, auto-batizado. O disco é muito belo, misturando os elementos do pampa com sutis porções de rock progressivo. Em pouco mais de trinta minutos, somos apresentados a diversos ritmos latinos, como as cuecas "La Rosa Y El Clave" e "Rio Limay", contrastando os violões, piano e bandoneón com majestosos solos de flauta e xilofone, e as canções populares e dançantes presentes no joropo "Lo Que Mas Quiero" e no merengue "Marula Sanchez".  A voz de "Susana" destaca-se na guajira "Pobre Mi Tierra" e em "Elegia Sobre Un Poema", onde ela realmente assombra. Os destaques ficam para as instrumentais "El Baile del Pajarillo" (joropo venezuelano), "Zamba de Invierno", ambas com um show de "Castiñeira" e "Pardo", "Galopa del Mamboreta", uma galopa com uma empolgante variação de ritmos entre piano e flauta, a andina "Viento de Yavi", todas com ótimas passagens de elementos prog com elementos do pampa, e a mágica chacarera "Piedra Y Madera", sem sombra de dúvidas a melhor e mais elaborada canção do LP.  São canções curtas, mas com um belo apelo emocional, que indicavam um promissor caminho para o quinteto, que na capa do LP, mostrava suas influências progressivas, imitando o "Pink Floyd" em "Ummagumma" ao posar com todos os seus instrumentos ao mesmo tempo. O álbum vendeu relativamente bem, angariando mais shows para o grupo e permitindo a gravação de um segundo LP no ano seguinte. "Anacrusa II" de 1974 apresenta a primeira reformulação da banda, agora com o "La Platense Rubén Mono Izaurralde" no lugar de "Pardo". O grupo continua suas explorações musicais no ano seguinte, e "Mono" foi a substituição, dando uma nova face para o grupo, já que além de tocar muito bem, também canta, aqui em "Rio Manzanares".  O álbum possui canções populares de diferentes países, como a citada "Rio Manzanares" (canción venezuelana), "Coplas de Cundinamarca" (coplas colombianas) e a dançante "Palmero" (marinero peruana), além de "Homenaje", uma cueca legitimamente portenha, e que está no lado B.  Mas com a dolorida "Polo Coriano", o grupo surpreende nas partes instrumentais, enaltecidas nas pérolas "Zamba de la Despedida", destacando o órgão de "Susana", a suíte "Campo Sur" e a suave "Saque Mi Corazón de la Tierra Quemada", com violão, flauta e piano dividindo as atenções. Há também a estonteante "Calcufurá", uma incrível canção na qual "Susana" usa e abusa das notas do piano, e "Mono" faz misérias com a flauta, encerrando de forma fantástica esse belíssimo álbum e mostrando os caminhos progressivos que o grupo iria seguir em breve. "Anacrusa" e "Anacrusa II" foram posteriormente relançados em um único CD, chamado "Anacrusa" (2001), trazendo todas as canções de ambos os álbuns.  O mercado latino começava a receber de braços abertos o quinteto, que não parava de produzir espetáculos cada vez mais concorridos. Porém, em plena ditadura militar, sobreviver como músico no país vizinho tornou-se uma tarefa complicada, e desta forma, as dificuldades financeiras começaram a aparecer. Mesmo assim, o quinteto seguiu na luta, e com uma nova formação tendo "Castiñera",  "Mono", "Susana", "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Quique Alvarado" (baixo e sintetizador), "Juan Carlos Lícari" (bateria) e "Ricardo Martinez" (percussão), lançam "Anacrusa III", em 1975, pelo pequeno selo Global.  Se em "Anacrusa II", os argentinos colocavam o pé levemente no progressivo, no terceiro disco a situação inverte-se, já que esse é o álbum mais folclórico do grupo, que como todos os demais, possui uma distinção muito clara nos ritmos apresentados.  Nas canções com vocal, temos o joropo de "Pullas", com os vocais divididos entre "Mono" e "Susana", as vidalas "Lamento del Salitral" e "Tanta Lagrima Regada", a marinera peruana de "M'hey de Guardar", a valsa peruana "Maldito Amor" e a milonga "Milonga del Silencio", ambas com dramáticas interpretações de "Susana".  Para manter a constante, os arranjos instrumentais do maestro "Castiñeira" são o que temos de melhor, enaltecendo cada vez mais o nome do grupo para os fãs, através das jóias "Polquita Cruceña", uma polca boliviana com um belo duelo de flauta e oboé, e "Los Capiangos", uma chaya típica representante da sonoridade "Anacrusa", trazendo como novidade a presença do sintetizador. A agitada candomble "Recuerdos de Monserrat", que serviria de base para outra canção do grupo no futuro, destacando a inclusão do xilofone na mesma, é um dos principais destaques, ao lado de "Horizontes Y Senderos", que traz lágrimas em suas três partes, uma mais bela que a outra, e totalmente distintas entre si, mostrando que é possível construir uma ótima canção repleta de variações em apenas cinco minutos. Em 2005, esse álbum foi relançado com o nome "Documentos 75-76", trazendo cinco bônus, que foram gravadas para o quarto álbum do grupo, o qual seria lançado em 1976, mas não chegou a sair. São elas: "Cuando Llegare", "Vidala de la Tierra Conocida", "Cuando Salgo a Sabanear", "Polo Margariteno" e "Carnavalito Y Vidala", sendo "Documentos 75-76" um álbum de mais fácil acesso em comparação aos demais. A ditadura passou a ficar cada vez mais pesada entre os hermanos, obrigando o grupo a retirar-se do país, buscando exílio na França em 1977. Apesar da saída às pressas da sua Terra Natal, os ares europeus foram revitalizadores, já que lá, o quinteto ampliou seus conhecimentos musicais.  Amigos argentinos e da América Latina em geral, também exilados na França, passaram a frequentar as residências de "Susana" e "Castiñeira", surgindo um novo "Anacrusa", agora com "Susana", "Castiñeira", "Pardo" e "Bruno", "Daniel Sbarra" (guitarras), "Jorge Trasante" (bateria e percussão), "Juan Mosalini" (bandoneon) e "Phillipe Pages" (piano, órgão). O que estava bom iria fica incrivelmente melhor a partir de então. Os novos rumos ainda levaram o grupo a assinar com o mega selo Philips, e em 1978, chegou às lojas o álbum "El Sacrificio", que na minha opinião é o melhor do grupo. Desde a estonteante entrada com "El Pozo de los Vientos", e uma impecável mistura de elementos progressivos com latinos, percebemos que o grupo cresceu e muito. Guitarra, baixo e piano misturam-se a flauta, oboé e percussões de uma maneira ímpar, sendo que o trabalho de "Sbarra" é perfeito, com suas distorções puramente psicodélicas, apresentadas na recriação de "Los Capiangos" e em "Quien Bien Quiere", ambas com um belíssimo arranjo orquestral.  O trabalho instrumental de "Castiñeira" e "Susana" é elevado para o nível mais alto, como atestam "Sol del Fuego", com uma ótima participação do bumbo-leguero, e na longa suíte "Tema de Anacrusa", uma canção merecedora de ser chamada de Maravilha, com seus treze incansáveis minutos de variações e andamentos mágicos criados por piano, flauta, saxofone, baixo, guitarras e percussão, além de fantásticas vocalizações de "Susana".  Aliás, o que ela faz com a voz na faixa-título assusta até fantasmas, e quando ouvimos os cinco minutos da Maravilhosa "Homenaje a Waldo", não tem como evitarmos as lágrimas e a tradicional frase cuja sigla é "PQP!", tamanha a emoção e perfeição que os músicos exprimem na mesma. Um disco perfeito, que ao lado de "La Biblia" (Vox Dei) e "Artaud" (Pescado Rabioso), está no topo dos Melhores álbuns já lançados por um grupo da Argentina. O "Anacrusa" seguiu como um grupo errante, atuando pouco mas concentrando-se bastante nas composições, além de uma grande mudança na formação, agora com "Castiñeira" e "Susana" acompanhados de "Narciso Omar Espinosa" (violão), "Tony Bonfyls" (baixo), "André Arpino" (bateria), "Jacky Tricore" (guitarra), "Alain Human" (percussão),  "Rubem Sanchez Resta" (percussão), "Patrice Mondon" (violino), "Pierre Gozzes" (saxofone), "Claude Maisonneuve" (oboé) e "Raymond Guiot" (flautas). O segundo disco do exílio demorou quatro anos para ser parido, com o nome de "Fuerza" e lançado em 1982, é um forte concorrente para "El Sacrificio" à posição de melhor do grupo. Temos um álbum muito elétrico, levado principalmente pela guitarra ácida de Tricore.  As únicas canções que trazem um pouco das origens são a quase "Weather Report" "Monserrat", inspirada nos acordes de "Recuerdos de Monserrat", e a bela faixa-título, com o bumbo leguero se fazendo presente, mas destacando exclusivamente o arrepiante arranjo vocal. No mais, o "Anacrusa" apresenta novidades em seu som, como as baladas "En Paz" e "Vidala de la Tierra", essa com um ótimo arranjo orquestral, e até mesmo jazz-fusion, na incrível "Presion", com "Susana" dando show ao piano, além de um duelo inesquecível de violino e guitarra.  A maravilhosa recriação para "Calfucurá" é tão sublime quanto a versão de "Anacrusa II", mas muito mais potente com a presença dos metais e das cordas, além do tom medieval empregado na parte final da canção. O melhor fica para o final, com a estonteante "Chaya", repleta de inspirações diversas, desde o jazz ao tango, e  a suíte "Voz del Agua", que certamente irá fazer você pensar "Por que eu não ouvi essa banda antes?", tamanha a profundeza emocional que o "Anacrusa" nos apresenta ao longo dos seus nove minutos de duração, nesta que é a canção mais trabalhada orquestralmente na carreira do grupo. Infelizmente, após o lançamento de "Fuerza", o grupo separou-se, com alguns músicos voltando para a Argentina e outros permanecendo na Europa. Nesse período, o "Anacrusa" entrou na obscuridade, e somente "Castiñeira" ganhou algum destaque, compondo trilhas para diversos filmes franceses e argentinos. Somente nos anos 90, uma nova reunião entre "Susana" e "Castiñeira" veio a ocorrer, e a mesma acabou gerando mais um registro fonográfico, o quinto do grupo. 13 anos depois de "Fuerza", "Castiñeira" e "Susana" reencontraram-se em Buenos Aires, registrando "Reencuentro" (1995), com a participação de diversos músicos convidados. No álbum, revezam-se "Arturo Schneider" e "Rubén Mono Izarrualde" (flautas), "Adalberto Cevasco" e "Quique Alvarado" (baixo), "Enrique Zurdo Roizner" e "Carlos Carli" (bateria), "Narciso Omar Espinoza" e "Ricardo Lew" (guitarras), além de "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Daniel Binelli" (bandoneón), "Hugo Pierre" (clarinete e saxofone) e "Víctor Skorupski" (flauta e saxofone).  O grande momento desse reencontro é a faixa que abre o CD, a suíte "Tristes Llanos", com épicos quinze minutos instrumentais nos quais piano, guitarra, flauta e saxofone são os senhores de uma musicalidade quase esquecida nos anos 90.  Depois, temos quinze canções que variam bastante os estilos, algumas reaproveitadas de obras já compostas por "Castiñeira", com "Susana" prestando sua voz para "Alla Viené Un Corazón" , "Ya Me Voy", e a excepcional "Hasta Volver", que são as canções mais folclóricas do álbum. Como sempre, os momentos instrumentais são os que mais chamam a atenção, destacando "Gotas", "Violento", "Bajo Otro Sol", "Noche de Cueca", Prisión" e "Glaciares", todas com complexos e belos arranjos.  Há ainda canções que perambulam entre agradar ou não, que são as baladas vocais "Procesión" e "Estilo", e as instrumentais "De Aca Y de Alla", com flautas andinas fazendo o solo principal, mas com um magnífico bandoneón na sua segunda parte, e "Subiendo Cuestas", tendo como destaque o charango, mas um ritmo muito sonolento.  Os deslizes ficam para "Canto a la Tierra" e "Elegía", totalmente descartáveis. Um disco ameno, que podia ser mais curto (principalmente nas canções com vocal), mas cuja importância é muito relevante, já que algumas pérolas são encontradas apenas aqui. Seguiu-se um longo hiato novamente, e somente em 2005 os fãs puderam se surpreender com mais um lançamento do conjunto, "Encordado". Com "Susana", "Castiñeira", "Alejandro Santos" (flauta, saxofone, quena, sikus), "Hugo Pierre" (saxofone, flauta, clarinete), "Ricardo Lew" (guitarra, violão), "Enrique Zurdo Roizner" (bateria) e "Allan Ballan" (baixo, violoncelo),  apresentando também um quarteto de cordas, bem como diversos convidados, o "Anacrusa" surpreendeu os fãs com "Encordado", no qual o o grupo homenageia o Brasil com "Nordestino", uma canção que, como o nome diz, remete ao nordeste brasileiro através da flauta, cordas e percussão. No álbum, há uma recriação mais lenta para "El Sacrificio", e também, "Mamboreta", nada mais que uma versão moderna para "Galopa del Mamboreta", do primeiro álbum. As canções populares soam cansativas, e aqui encaixam-se "Rema Rema", "Rio Rio", "La Partida" e "Atardecer".  Por outro lado, o instrumental continua impecável, como atestam "Prision", "Galeron" e "Cautiva". "Candombe de Alain", "Cruz de Sal" e "Zamba de Invierno" são o trio de ouro de um álbum mediano, contudo bem melhor que seu antecessor. Uma pequena série de apresentações acabou fazendo com que mais um registro ocorresse, dessa vez do álbum "En Vivo", registrado em novembro de 2005, no Teatro Presidente Alvear, em Buenos Aires,  e lançado no mesmo ano.  Desde então, "Castiñeira" segue sua carreira como compositor, e aguardamos por uma reunião que parece, por enquanto, existir apenas nos sonhos dos fãs de uma das melhores bandas da América do Sul.  A estrutura das canções em absoluto é muito fechada para a cultura peruana, boliviana, baladas argentinas, bolero, milongas... porém representa algo mais refinado e certamente a melhor vibração possível  da música popular Latina com o rock progressivo, recomendo.
13 anos depois de "Fuerza", "Castiñeira" e "Susana" reencontraram-se em Buenos Aires, registrando "Reencuentro" (1995), com a participação de diversos músicos convidados. No álbum, revezam-se "Arturo Schneider" e "Rubén Mono Izarrualde" (flautas), "Adalberto Cevasco" e "Quique Alvarado" (baixo), "Enrique Zurdo Roizner" e "Carlos Carli" (bateria), "Narciso Omar Espinoza" e "Ricardo Lew" (guitarras), além de "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Daniel Binelli" (bandoneón), "Hugo Pierre" (clarinete e saxofone) e "Víctor Skorupski" (flauta e saxofone). 
O grande momento desse reencontro é a faixa que abre o CD, a suíte "Tristes Llanos", com épicos quinze minutos instrumentais nos quais piano, guitarra, flauta e saxofone são os senhores de uma musicalidade 
quase esquecida nos anos 90. 
Depois, temos quinze canções que variam bastante os estilos, algumas reaproveitadas de obras já compostas por "Castiñeira", com "Susana" prestando sua voz para "Alla Viené Un Corazón" , "Ya Me Voy", e a excepcional "Hasta Volver", que são as canções mais folclóricas do álbum. Como sempre, os momentos instrumentais são os que mais chamam a atenção, destacando "Gotas", "Violento", "Bajo Otro Sol", "Noche de Cueca", Prisión" e "Glaciares", todas com complexos e belos arranjos. 
Há ainda canções que perambulam entre agradar ou não, que são as baladas vocais "Procesión" e "Estilo", e as instrumentais "De Aca Y de Alla", com flautas andinas fazendo o solo principal, mas com um magnífico bandoneón na sua segunda parte, e "Subiendo Cuestas", tendo como destaque o charango, mas um ritmo muito sonolento. 
Os deslizes ficam para "Canto a la Tierra" e "Elegía", totalmente descartáveis. Um disco ameno, que podia ser mais curto (principalmente nas canções com vocal), mas cuja importância é muito relevante, já que algumas pérolas são encontradas apenas aqui.
"Anacrusa" é uma banda argentina formada no início dos anos 70 por "José Luis Castiñeira de Dios" (violão, charango, cuatro, bandoneón, baixo, arranjos) e pela voz marcante de "Suzana Lago" (piano, órgão, charango e voz), acompanhados pelo trio "Alex Eriich-Oliva" (double bass, violões, violoncelo), "Julio Pardo" (flauta, oboé, instrumentos de sopro) e "Elias Chiche Heger" (bateria, percussão). O grupo apresentava-se em pequenos locais de Buenos Aires, apresentando um som fortemente influenciado pelos ritmos portenhos e latinos. Durante a década de 70, Brasil e Argentina não rivalizavam apenas no futebol, mas também na formação de grandes bandas. Enquanto o Brasil tinha "Secos & Molhados", "Mutantes", "Som Nosso de Cada Dia" e "O Terço" (só para citar alguns), a Argentina rivalizava com "Sui Generis", "La Biblia", "Almendra" e "La Maquina de Hacer Pajaros" (também para citar só alguns). Porém, os argentinos tinham um diferencial em suas bandas, já que a maioria delas explorava com muita qualidade as características sonoras do seu país. Não era diferente com a "Anacrusa", uma banda espetacular, que sabia fazer miséria com tango, rock progressivo, mambo, milonga, chamamé e diversos outros estilos comuns ao pampa portenho. O grupo, cujo nome é uma forma musical européia, advinda do grego "ἀνάκρουσις", que significa retrocesso, tem uma história praticamente obscura, mas graças a geração MP3, o mundo pode conhecer uma das bandas mais versáteis que o pampa portenho já ouviu, que fez questão de retroceder às origens folclóricas de seu país, mas foi além com o passar dos anos e as inspirações progressivas. Não tardou para que assinassem um contrato com o selo Redondel, e em 1973, lançasse seu álbum de estréia, auto-batizado. O disco é muito belo, misturando os elementos do pampa com sutis porções de rock progressivo. Em pouco mais de trinta minutos, somos apresentados a diversos ritmos latinos, como as cuecas "La Rosa Y El Clave" e "Rio Limay", contrastando os violões, piano e bandoneón com majestosos solos de flauta e xilofone, e as canções populares e dançantes presentes no joropo "Lo Que Mas Quiero" e no merengue "Marula Sanchez".  A voz de "Susana" destaca-se na guajira "Pobre Mi Tierra" e em "Elegia Sobre Un Poema", onde ela realmente assombra. Os destaques ficam para as instrumentais "El Baile del Pajarillo" (joropo venezuelano), "Zamba de Invierno", ambas com um show de "Castiñeira" e "Pardo", "Galopa del Mamboreta", uma galopa com uma empolgante variação de ritmos entre piano e flauta, a andina "Viento de Yavi", todas com ótimas passagens de elementos prog com elementos do pampa, e a mágica chacarera "Piedra Y Madera", sem sombra de dúvidas a melhor e mais elaborada canção do LP.  São canções curtas, mas com um belo apelo emocional, que indicavam um promissor caminho para o quinteto, que na capa do LP, mostrava suas influências progressivas, imitando o "Pink Floyd" em "Ummagumma" ao posar com todos os seus instrumentos ao mesmo tempo. O álbum vendeu relativamente bem, angariando mais shows para o grupo e permitindo a gravação de um segundo LP no ano seguinte. "Anacrusa II" de 1974 apresenta a primeira reformulação da banda, agora com o "La Platense Rubén Mono Izaurralde" no lugar de "Pardo". O grupo continua suas explorações musicais no ano seguinte, e "Mono" foi a substituição, dando uma nova face para o grupo, já que além de tocar muito bem, também canta, aqui em "Rio Manzanares".  O álbum possui canções populares de diferentes países, como a citada "Rio Manzanares" (canción venezuelana), "Coplas de Cundinamarca" (coplas colombianas) e a dançante "Palmero" (marinero peruana), além de "Homenaje", uma cueca legitimamente portenha, e que está no lado B.  Mas com a dolorida "Polo Coriano", o grupo surpreende nas partes instrumentais, enaltecidas nas pérolas "Zamba de la Despedida", destacando o órgão de "Susana", a suíte "Campo Sur" e a suave "Saque Mi Corazón de la Tierra Quemada", com violão, flauta e piano dividindo as atenções. Há também a estonteante "Calcufurá", uma incrível canção na qual "Susana" usa e abusa das notas do piano, e "Mono" faz misérias com a flauta, encerrando de forma fantástica esse belíssimo álbum e mostrando os caminhos progressivos que o grupo iria seguir em breve. "Anacrusa" e "Anacrusa II" foram posteriormente relançados em um único CD, chamado "Anacrusa" (2001), trazendo todas as canções de ambos os álbuns.  O mercado latino começava a receber de braços abertos o quinteto, que não parava de produzir espetáculos cada vez mais concorridos. Porém, em plena ditadura militar, sobreviver como músico no país vizinho tornou-se uma tarefa complicada, e desta forma, as dificuldades financeiras começaram a aparecer. Mesmo assim, o quinteto seguiu na luta, e com uma nova formação tendo "Castiñera",  "Mono", "Susana", "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Quique Alvarado" (baixo e sintetizador), "Juan Carlos Lícari" (bateria) e "Ricardo Martinez" (percussão), lançam "Anacrusa III", em 1975, pelo pequeno selo Global.  Se em "Anacrusa II", os argentinos colocavam o pé levemente no progressivo, no terceiro disco a situação inverte-se, já que esse é o álbum mais folclórico do grupo, que como todos os demais, possui uma distinção muito clara nos ritmos apresentados.  Nas canções com vocal, temos o joropo de "Pullas", com os vocais divididos entre "Mono" e "Susana", as vidalas "Lamento del Salitral" e "Tanta Lagrima Regada", a marinera peruana de "M'hey de Guardar", a valsa peruana "Maldito Amor" e a milonga "Milonga del Silencio", ambas com dramáticas interpretações de "Susana".  Para manter a constante, os arranjos instrumentais do maestro "Castiñeira" são o que temos de melhor, enaltecendo cada vez mais o nome do grupo para os fãs, através das jóias "Polquita Cruceña", uma polca boliviana com um belo duelo de flauta e oboé, e "Los Capiangos", uma chaya típica representante da sonoridade "Anacrusa", trazendo como novidade a presença do sintetizador. A agitada candomble "Recuerdos de Monserrat", que serviria de base para outra canção do grupo no futuro, destacando a inclusão do xilofone na mesma, é um dos principais destaques, ao lado de "Horizontes Y Senderos", que traz lágrimas em suas três partes, uma mais bela que a outra, e totalmente distintas entre si, mostrando que é possível construir uma ótima canção repleta de variações em apenas cinco minutos. Em 2005, esse álbum foi relançado com o nome "Documentos 75-76", trazendo cinco bônus, que foram gravadas para o quarto álbum do grupo, o qual seria lançado em 1976, mas não chegou a sair. São elas: "Cuando Llegare", "Vidala de la Tierra Conocida", "Cuando Salgo a Sabanear", "Polo Margariteno" e "Carnavalito Y Vidala", sendo "Documentos 75-76" um álbum de mais fácil acesso em comparação aos demais. A ditadura passou a ficar cada vez mais pesada entre os hermanos, obrigando o grupo a retirar-se do país, buscando exílio na França em 1977. Apesar da saída às pressas da sua Terra Natal, os ares europeus foram revitalizadores, já que lá, o quinteto ampliou seus conhecimentos musicais.  Amigos argentinos e da América Latina em geral, também exilados na França, passaram a frequentar as residências de "Susana" e "Castiñeira", surgindo um novo "Anacrusa", agora com "Susana", "Castiñeira", "Pardo" e "Bruno", "Daniel Sbarra" (guitarras), "Jorge Trasante" (bateria e percussão), "Juan Mosalini" (bandoneon) e "Phillipe Pages" (piano, órgão). O que estava bom iria fica incrivelmente melhor a partir de então. Os novos rumos ainda levaram o grupo a assinar com o mega selo Philips, e em 1978, chegou às lojas o álbum "El Sacrificio", que na minha opinião é o melhor do grupo. Desde a estonteante entrada com "El Pozo de los Vientos", e uma impecável mistura de elementos progressivos com latinos, percebemos que o grupo cresceu e muito. Guitarra, baixo e piano misturam-se a flauta, oboé e percussões de uma maneira ímpar, sendo que o trabalho de "Sbarra" é perfeito, com suas distorções puramente psicodélicas, apresentadas na recriação de "Los Capiangos" e em "Quien Bien Quiere", ambas com um belíssimo arranjo orquestral.  O trabalho instrumental de "Castiñeira" e "Susana" é elevado para o nível mais alto, como atestam "Sol del Fuego", com uma ótima participação do bumbo-leguero, e na longa suíte "Tema de Anacrusa", uma canção merecedora de ser chamada de Maravilha, com seus treze incansáveis minutos de variações e andamentos mágicos criados por piano, flauta, saxofone, baixo, guitarras e percussão, além de fantásticas vocalizações de "Susana".  Aliás, o que ela faz com a voz na faixa-título assusta até fantasmas, e quando ouvimos os cinco minutos da Maravilhosa "Homenaje a Waldo", não tem como evitarmos as lágrimas e a tradicional frase cuja sigla é "PQP!", tamanha a emoção e perfeição que os músicos exprimem na mesma. Um disco perfeito, que ao lado de "La Biblia" (Vox Dei) e "Artaud" (Pescado Rabioso), está no topo dos Melhores álbuns já lançados por um grupo da Argentina. O "Anacrusa" seguiu como um grupo errante, atuando pouco mas concentrando-se bastante nas composições, além de uma grande mudança na formação, agora com "Castiñeira" e "Susana" acompanhados de "Narciso Omar Espinosa" (violão), "Tony Bonfyls" (baixo), "André Arpino" (bateria), "Jacky Tricore" (guitarra), "Alain Human" (percussão),  "Rubem Sanchez Resta" (percussão), "Patrice Mondon" (violino), "Pierre Gozzes" (saxofone), "Claude Maisonneuve" (oboé) e "Raymond Guiot" (flautas). O segundo disco do exílio demorou quatro anos para ser parido, com o nome de "Fuerza" e lançado em 1982, é um forte concorrente para "El Sacrificio" à posição de melhor do grupo. Temos um álbum muito elétrico, levado principalmente pela guitarra ácida de Tricore.  As únicas canções que trazem um pouco das origens são a quase "Weather Report" "Monserrat", inspirada nos acordes de "Recuerdos de Monserrat", e a bela faixa-título, com o bumbo leguero se fazendo presente, mas destacando exclusivamente o arrepiante arranjo vocal. No mais, o "Anacrusa" apresenta novidades em seu som, como as baladas "En Paz" e "Vidala de la Tierra", essa com um ótimo arranjo orquestral, e até mesmo jazz-fusion, na incrível "Presion", com "Susana" dando show ao piano, além de um duelo inesquecível de violino e guitarra.  A maravilhosa recriação para "Calfucurá" é tão sublime quanto a versão de "Anacrusa II", mas muito mais potente com a presença dos metais e das cordas, além do tom medieval empregado na parte final da canção. O melhor fica para o final, com a estonteante "Chaya", repleta de inspirações diversas, desde o jazz ao tango, e  a suíte "Voz del Agua", que certamente irá fazer você pensar "Por que eu não ouvi essa banda antes?", tamanha a profundeza emocional que o "Anacrusa" nos apresenta ao longo dos seus nove minutos de duração, nesta que é a canção mais trabalhada orquestralmente na carreira do grupo. Infelizmente, após o lançamento de "Fuerza", o grupo separou-se, com alguns músicos voltando para a Argentina e outros permanecendo na Europa. Nesse período, o "Anacrusa" entrou na obscuridade, e somente "Castiñeira" ganhou algum destaque, compondo trilhas para diversos filmes franceses e argentinos. Somente nos anos 90, uma nova reunião entre "Susana" e "Castiñeira" veio a ocorrer, e a mesma acabou gerando mais um registro fonográfico, o quinto do grupo. 13 anos depois de "Fuerza", "Castiñeira" e "Susana" reencontraram-se em Buenos Aires, registrando "Reencuentro" (1995), com a participação de diversos músicos convidados. No álbum, revezam-se "Arturo Schneider" e "Rubén Mono Izarrualde" (flautas), "Adalberto Cevasco" e "Quique Alvarado" (baixo), "Enrique Zurdo Roizner" e "Carlos Carli" (bateria), "Narciso Omar Espinoza" e "Ricardo Lew" (guitarras), além de "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Daniel Binelli" (bandoneón), "Hugo Pierre" (clarinete e saxofone) e "Víctor Skorupski" (flauta e saxofone).  O grande momento desse reencontro é a faixa que abre o CD, a suíte "Tristes Llanos", com épicos quinze minutos instrumentais nos quais piano, guitarra, flauta e saxofone são os senhores de uma musicalidade quase esquecida nos anos 90.  Depois, temos quinze canções que variam bastante os estilos, algumas reaproveitadas de obras já compostas por "Castiñeira", com "Susana" prestando sua voz para "Alla Viené Un Corazón" , "Ya Me Voy", e a excepcional "Hasta Volver", que são as canções mais folclóricas do álbum. Como sempre, os momentos instrumentais são os que mais chamam a atenção, destacando "Gotas", "Violento", "Bajo Otro Sol", "Noche de Cueca", Prisión" e "Glaciares", todas com complexos e belos arranjos.  Há ainda canções que perambulam entre agradar ou não, que são as baladas vocais "Procesión" e "Estilo", e as instrumentais "De Aca Y de Alla", com flautas andinas fazendo o solo principal, mas com um magnífico bandoneón na sua segunda parte, e "Subiendo Cuestas", tendo como destaque o charango, mas um ritmo muito sonolento.  Os deslizes ficam para "Canto a la Tierra" e "Elegía", totalmente descartáveis. Um disco ameno, que podia ser mais curto (principalmente nas canções com vocal), mas cuja importância é muito relevante, já que algumas pérolas são encontradas apenas aqui. Seguiu-se um longo hiato novamente, e somente em 2005 os fãs puderam se surpreender com mais um lançamento do conjunto, "Encordado". Com "Susana", "Castiñeira", "Alejandro Santos" (flauta, saxofone, quena, sikus), "Hugo Pierre" (saxofone, flauta, clarinete), "Ricardo Lew" (guitarra, violão), "Enrique Zurdo Roizner" (bateria) e "Allan Ballan" (baixo, violoncelo),  apresentando também um quarteto de cordas, bem como diversos convidados, o "Anacrusa" surpreendeu os fãs com "Encordado", no qual o o grupo homenageia o Brasil com "Nordestino", uma canção que, como o nome diz, remete ao nordeste brasileiro através da flauta, cordas e percussão. No álbum, há uma recriação mais lenta para "El Sacrificio", e também, "Mamboreta", nada mais que uma versão moderna para "Galopa del Mamboreta", do primeiro álbum. As canções populares soam cansativas, e aqui encaixam-se "Rema Rema", "Rio Rio", "La Partida" e "Atardecer".  Por outro lado, o instrumental continua impecável, como atestam "Prision", "Galeron" e "Cautiva". "Candombe de Alain", "Cruz de Sal" e "Zamba de Invierno" são o trio de ouro de um álbum mediano, contudo bem melhor que seu antecessor. Uma pequena série de apresentações acabou fazendo com que mais um registro ocorresse, dessa vez do álbum "En Vivo", registrado em novembro de 2005, no Teatro Presidente Alvear, em Buenos Aires,  e lançado no mesmo ano.  Desde então, "Castiñeira" segue sua carreira como compositor, e aguardamos por uma reunião que parece, por enquanto, existir apenas nos sonhos dos fãs de uma das melhores bandas da América do Sul.  A estrutura das canções em absoluto é muito fechada para a cultura peruana, boliviana, baladas argentinas, bolero, milongas... porém representa algo mais refinado e certamente a melhor vibração possível  da música popular Latina com o rock progressivo, recomendo.Seguiu-se um longo hiato novamente, e somente em 2005 os fãs puderam se surpreender com 
mais um lançamento do conjunto, "Encordado".
Com "Susana", "Castiñeira", "Alejandro Santos" (flauta, saxofone, quena, sikus), "Hugo Pierre" (saxofone, flauta, clarinete), "Ricardo Lew" (guitarra, violão), "Enrique Zurdo Roizner" (bateria) e "Allan Ballan" (baixo, violoncelo),  apresentando também um quarteto de cordas, bem como diversos convidados, o "Anacrusa" surpreendeu os fãs com "Encordado", no qual o o grupo homenageia o Brasil com "Nordestino", uma canção que, como o nome diz, remete ao nordeste brasileiro através 
da flauta, cordas e percussão.
No álbum, há uma recriação mais lenta para "El Sacrificio", e também, "Mamboreta", nada mais que uma versão moderna para "Galopa del Mamboreta", do primeiro álbum. As canções populares soam cansativas, e aqui encaixam-se "Rema Rema", "Rio Rio", "La Partida" e "Atardecer".  Por outro lado, o instrumental continua impecável, como atestam "Prision", "Galeron" e "Cautiva". "Candombe de Alain", "Cruz de Sal" e "Zamba de Invierno" são o trio de ouro de um álbum mediano, 
contudo bem melhor que seu antecessor.
"Anacrusa" é uma banda argentina formada no início dos anos 70 por "José Luis Castiñeira de Dios" (violão, charango, cuatro, bandoneón, baixo, arranjos) e pela voz marcante de "Suzana Lago" (piano, órgão, charango e voz), acompanhados pelo trio "Alex Eriich-Oliva" (double bass, violões, violoncelo), "Julio Pardo" (flauta, oboé, instrumentos de sopro) e "Elias Chiche Heger" (bateria, percussão). O grupo apresentava-se em pequenos locais de Buenos Aires, apresentando um som fortemente influenciado pelos ritmos portenhos e latinos. Durante a década de 70, Brasil e Argentina não rivalizavam apenas no futebol, mas também na formação de grandes bandas. Enquanto o Brasil tinha "Secos & Molhados", "Mutantes", "Som Nosso de Cada Dia" e "O Terço" (só para citar alguns), a Argentina rivalizava com "Sui Generis", "La Biblia", "Almendra" e "La Maquina de Hacer Pajaros" (também para citar só alguns). Porém, os argentinos tinham um diferencial em suas bandas, já que a maioria delas explorava com muita qualidade as características sonoras do seu país. Não era diferente com a "Anacrusa", uma banda espetacular, que sabia fazer miséria com tango, rock progressivo, mambo, milonga, chamamé e diversos outros estilos comuns ao pampa portenho. O grupo, cujo nome é uma forma musical européia, advinda do grego "ἀνάκρουσις", que significa retrocesso, tem uma história praticamente obscura, mas graças a geração MP3, o mundo pode conhecer uma das bandas mais versáteis que o pampa portenho já ouviu, que fez questão de retroceder às origens folclóricas de seu país, mas foi além com o passar dos anos e as inspirações progressivas. Não tardou para que assinassem um contrato com o selo Redondel, e em 1973, lançasse seu álbum de estréia, auto-batizado. O disco é muito belo, misturando os elementos do pampa com sutis porções de rock progressivo. Em pouco mais de trinta minutos, somos apresentados a diversos ritmos latinos, como as cuecas "La Rosa Y El Clave" e "Rio Limay", contrastando os violões, piano e bandoneón com majestosos solos de flauta e xilofone, e as canções populares e dançantes presentes no joropo "Lo Que Mas Quiero" e no merengue "Marula Sanchez".  A voz de "Susana" destaca-se na guajira "Pobre Mi Tierra" e em "Elegia Sobre Un Poema", onde ela realmente assombra. Os destaques ficam para as instrumentais "El Baile del Pajarillo" (joropo venezuelano), "Zamba de Invierno", ambas com um show de "Castiñeira" e "Pardo", "Galopa del Mamboreta", uma galopa com uma empolgante variação de ritmos entre piano e flauta, a andina "Viento de Yavi", todas com ótimas passagens de elementos prog com elementos do pampa, e a mágica chacarera "Piedra Y Madera", sem sombra de dúvidas a melhor e mais elaborada canção do LP.  São canções curtas, mas com um belo apelo emocional, que indicavam um promissor caminho para o quinteto, que na capa do LP, mostrava suas influências progressivas, imitando o "Pink Floyd" em "Ummagumma" ao posar com todos os seus instrumentos ao mesmo tempo. O álbum vendeu relativamente bem, angariando mais shows para o grupo e permitindo a gravação de um segundo LP no ano seguinte. "Anacrusa II" de 1974 apresenta a primeira reformulação da banda, agora com o "La Platense Rubén Mono Izaurralde" no lugar de "Pardo". O grupo continua suas explorações musicais no ano seguinte, e "Mono" foi a substituição, dando uma nova face para o grupo, já que além de tocar muito bem, também canta, aqui em "Rio Manzanares".  O álbum possui canções populares de diferentes países, como a citada "Rio Manzanares" (canción venezuelana), "Coplas de Cundinamarca" (coplas colombianas) e a dançante "Palmero" (marinero peruana), além de "Homenaje", uma cueca legitimamente portenha, e que está no lado B.  Mas com a dolorida "Polo Coriano", o grupo surpreende nas partes instrumentais, enaltecidas nas pérolas "Zamba de la Despedida", destacando o órgão de "Susana", a suíte "Campo Sur" e a suave "Saque Mi Corazón de la Tierra Quemada", com violão, flauta e piano dividindo as atenções. Há também a estonteante "Calcufurá", uma incrível canção na qual "Susana" usa e abusa das notas do piano, e "Mono" faz misérias com a flauta, encerrando de forma fantástica esse belíssimo álbum e mostrando os caminhos progressivos que o grupo iria seguir em breve. "Anacrusa" e "Anacrusa II" foram posteriormente relançados em um único CD, chamado "Anacrusa" (2001), trazendo todas as canções de ambos os álbuns.  O mercado latino começava a receber de braços abertos o quinteto, que não parava de produzir espetáculos cada vez mais concorridos. Porém, em plena ditadura militar, sobreviver como músico no país vizinho tornou-se uma tarefa complicada, e desta forma, as dificuldades financeiras começaram a aparecer. Mesmo assim, o quinteto seguiu na luta, e com uma nova formação tendo "Castiñera",  "Mono", "Susana", "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Quique Alvarado" (baixo e sintetizador), "Juan Carlos Lícari" (bateria) e "Ricardo Martinez" (percussão), lançam "Anacrusa III", em 1975, pelo pequeno selo Global.  Se em "Anacrusa II", os argentinos colocavam o pé levemente no progressivo, no terceiro disco a situação inverte-se, já que esse é o álbum mais folclórico do grupo, que como todos os demais, possui uma distinção muito clara nos ritmos apresentados.  Nas canções com vocal, temos o joropo de "Pullas", com os vocais divididos entre "Mono" e "Susana", as vidalas "Lamento del Salitral" e "Tanta Lagrima Regada", a marinera peruana de "M'hey de Guardar", a valsa peruana "Maldito Amor" e a milonga "Milonga del Silencio", ambas com dramáticas interpretações de "Susana".  Para manter a constante, os arranjos instrumentais do maestro "Castiñeira" são o que temos de melhor, enaltecendo cada vez mais o nome do grupo para os fãs, através das jóias "Polquita Cruceña", uma polca boliviana com um belo duelo de flauta e oboé, e "Los Capiangos", uma chaya típica representante da sonoridade "Anacrusa", trazendo como novidade a presença do sintetizador. A agitada candomble "Recuerdos de Monserrat", que serviria de base para outra canção do grupo no futuro, destacando a inclusão do xilofone na mesma, é um dos principais destaques, ao lado de "Horizontes Y Senderos", que traz lágrimas em suas três partes, uma mais bela que a outra, e totalmente distintas entre si, mostrando que é possível construir uma ótima canção repleta de variações em apenas cinco minutos. Em 2005, esse álbum foi relançado com o nome "Documentos 75-76", trazendo cinco bônus, que foram gravadas para o quarto álbum do grupo, o qual seria lançado em 1976, mas não chegou a sair. São elas: "Cuando Llegare", "Vidala de la Tierra Conocida", "Cuando Salgo a Sabanear", "Polo Margariteno" e "Carnavalito Y Vidala", sendo "Documentos 75-76" um álbum de mais fácil acesso em comparação aos demais. A ditadura passou a ficar cada vez mais pesada entre os hermanos, obrigando o grupo a retirar-se do país, buscando exílio na França em 1977. Apesar da saída às pressas da sua Terra Natal, os ares europeus foram revitalizadores, já que lá, o quinteto ampliou seus conhecimentos musicais.  Amigos argentinos e da América Latina em geral, também exilados na França, passaram a frequentar as residências de "Susana" e "Castiñeira", surgindo um novo "Anacrusa", agora com "Susana", "Castiñeira", "Pardo" e "Bruno", "Daniel Sbarra" (guitarras), "Jorge Trasante" (bateria e percussão), "Juan Mosalini" (bandoneon) e "Phillipe Pages" (piano, órgão). O que estava bom iria fica incrivelmente melhor a partir de então. Os novos rumos ainda levaram o grupo a assinar com o mega selo Philips, e em 1978, chegou às lojas o álbum "El Sacrificio", que na minha opinião é o melhor do grupo. Desde a estonteante entrada com "El Pozo de los Vientos", e uma impecável mistura de elementos progressivos com latinos, percebemos que o grupo cresceu e muito. Guitarra, baixo e piano misturam-se a flauta, oboé e percussões de uma maneira ímpar, sendo que o trabalho de "Sbarra" é perfeito, com suas distorções puramente psicodélicas, apresentadas na recriação de "Los Capiangos" e em "Quien Bien Quiere", ambas com um belíssimo arranjo orquestral.  O trabalho instrumental de "Castiñeira" e "Susana" é elevado para o nível mais alto, como atestam "Sol del Fuego", com uma ótima participação do bumbo-leguero, e na longa suíte "Tema de Anacrusa", uma canção merecedora de ser chamada de Maravilha, com seus treze incansáveis minutos de variações e andamentos mágicos criados por piano, flauta, saxofone, baixo, guitarras e percussão, além de fantásticas vocalizações de "Susana".  Aliás, o que ela faz com a voz na faixa-título assusta até fantasmas, e quando ouvimos os cinco minutos da Maravilhosa "Homenaje a Waldo", não tem como evitarmos as lágrimas e a tradicional frase cuja sigla é "PQP!", tamanha a emoção e perfeição que os músicos exprimem na mesma. Um disco perfeito, que ao lado de "La Biblia" (Vox Dei) e "Artaud" (Pescado Rabioso), está no topo dos Melhores álbuns já lançados por um grupo da Argentina. O "Anacrusa" seguiu como um grupo errante, atuando pouco mas concentrando-se bastante nas composições, além de uma grande mudança na formação, agora com "Castiñeira" e "Susana" acompanhados de "Narciso Omar Espinosa" (violão), "Tony Bonfyls" (baixo), "André Arpino" (bateria), "Jacky Tricore" (guitarra), "Alain Human" (percussão),  "Rubem Sanchez Resta" (percussão), "Patrice Mondon" (violino), "Pierre Gozzes" (saxofone), "Claude Maisonneuve" (oboé) e "Raymond Guiot" (flautas). O segundo disco do exílio demorou quatro anos para ser parido, com o nome de "Fuerza" e lançado em 1982, é um forte concorrente para "El Sacrificio" à posição de melhor do grupo. Temos um álbum muito elétrico, levado principalmente pela guitarra ácida de Tricore.  As únicas canções que trazem um pouco das origens são a quase "Weather Report" "Monserrat", inspirada nos acordes de "Recuerdos de Monserrat", e a bela faixa-título, com o bumbo leguero se fazendo presente, mas destacando exclusivamente o arrepiante arranjo vocal. No mais, o "Anacrusa" apresenta novidades em seu som, como as baladas "En Paz" e "Vidala de la Tierra", essa com um ótimo arranjo orquestral, e até mesmo jazz-fusion, na incrível "Presion", com "Susana" dando show ao piano, além de um duelo inesquecível de violino e guitarra.  A maravilhosa recriação para "Calfucurá" é tão sublime quanto a versão de "Anacrusa II", mas muito mais potente com a presença dos metais e das cordas, além do tom medieval empregado na parte final da canção. O melhor fica para o final, com a estonteante "Chaya", repleta de inspirações diversas, desde o jazz ao tango, e  a suíte "Voz del Agua", que certamente irá fazer você pensar "Por que eu não ouvi essa banda antes?", tamanha a profundeza emocional que o "Anacrusa" nos apresenta ao longo dos seus nove minutos de duração, nesta que é a canção mais trabalhada orquestralmente na carreira do grupo. Infelizmente, após o lançamento de "Fuerza", o grupo separou-se, com alguns músicos voltando para a Argentina e outros permanecendo na Europa. Nesse período, o "Anacrusa" entrou na obscuridade, e somente "Castiñeira" ganhou algum destaque, compondo trilhas para diversos filmes franceses e argentinos. Somente nos anos 90, uma nova reunião entre "Susana" e "Castiñeira" veio a ocorrer, e a mesma acabou gerando mais um registro fonográfico, o quinto do grupo. 13 anos depois de "Fuerza", "Castiñeira" e "Susana" reencontraram-se em Buenos Aires, registrando "Reencuentro" (1995), com a participação de diversos músicos convidados. No álbum, revezam-se "Arturo Schneider" e "Rubén Mono Izarrualde" (flautas), "Adalberto Cevasco" e "Quique Alvarado" (baixo), "Enrique Zurdo Roizner" e "Carlos Carli" (bateria), "Narciso Omar Espinoza" e "Ricardo Lew" (guitarras), além de "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Daniel Binelli" (bandoneón), "Hugo Pierre" (clarinete e saxofone) e "Víctor Skorupski" (flauta e saxofone).  O grande momento desse reencontro é a faixa que abre o CD, a suíte "Tristes Llanos", com épicos quinze minutos instrumentais nos quais piano, guitarra, flauta e saxofone são os senhores de uma musicalidade quase esquecida nos anos 90.  Depois, temos quinze canções que variam bastante os estilos, algumas reaproveitadas de obras já compostas por "Castiñeira", com "Susana" prestando sua voz para "Alla Viené Un Corazón" , "Ya Me Voy", e a excepcional "Hasta Volver", que são as canções mais folclóricas do álbum. Como sempre, os momentos instrumentais são os que mais chamam a atenção, destacando "Gotas", "Violento", "Bajo Otro Sol", "Noche de Cueca", Prisión" e "Glaciares", todas com complexos e belos arranjos.  Há ainda canções que perambulam entre agradar ou não, que são as baladas vocais "Procesión" e "Estilo", e as instrumentais "De Aca Y de Alla", com flautas andinas fazendo o solo principal, mas com um magnífico bandoneón na sua segunda parte, e "Subiendo Cuestas", tendo como destaque o charango, mas um ritmo muito sonolento.  Os deslizes ficam para "Canto a la Tierra" e "Elegía", totalmente descartáveis. Um disco ameno, que podia ser mais curto (principalmente nas canções com vocal), mas cuja importância é muito relevante, já que algumas pérolas são encontradas apenas aqui. Seguiu-se um longo hiato novamente, e somente em 2005 os fãs puderam se surpreender com mais um lançamento do conjunto, "Encordado". Com "Susana", "Castiñeira", "Alejandro Santos" (flauta, saxofone, quena, sikus), "Hugo Pierre" (saxofone, flauta, clarinete), "Ricardo Lew" (guitarra, violão), "Enrique Zurdo Roizner" (bateria) e "Allan Ballan" (baixo, violoncelo),  apresentando também um quarteto de cordas, bem como diversos convidados, o "Anacrusa" surpreendeu os fãs com "Encordado", no qual o o grupo homenageia o Brasil com "Nordestino", uma canção que, como o nome diz, remete ao nordeste brasileiro através da flauta, cordas e percussão. No álbum, há uma recriação mais lenta para "El Sacrificio", e também, "Mamboreta", nada mais que uma versão moderna para "Galopa del Mamboreta", do primeiro álbum. As canções populares soam cansativas, e aqui encaixam-se "Rema Rema", "Rio Rio", "La Partida" e "Atardecer".  Por outro lado, o instrumental continua impecável, como atestam "Prision", "Galeron" e "Cautiva". "Candombe de Alain", "Cruz de Sal" e "Zamba de Invierno" são o trio de ouro de um álbum mediano, contudo bem melhor que seu antecessor. Uma pequena série de apresentações acabou fazendo com que mais um registro ocorresse, dessa vez do álbum "En Vivo", registrado em novembro de 2005, no Teatro Presidente Alvear, em Buenos Aires,  e lançado no mesmo ano.  Desde então, "Castiñeira" segue sua carreira como compositor, e aguardamos por uma reunião que parece, por enquanto, existir apenas nos sonhos dos fãs de uma das melhores bandas da América do Sul.  A estrutura das canções em absoluto é muito fechada para a cultura peruana, boliviana, baladas argentinas, bolero, milongas... porém representa algo mais refinado e certamente a melhor vibração possível  da música popular Latina com o rock progressivo, recomendo.Uma pequena série de apresentações acabou fazendo com que mais um registro ocorresse, dessa vez do álbum "En Vivo", registrado em novembro de 2005, no Teatro Presidente Alvear, em Buenos Aires,  
e lançado no mesmo ano. 
Desde então, "Castiñeira" segue sua carreira como compositor, e aguardamos por uma reunião que parece, por enquanto, existir apenas nos sonhos dos fãs de uma das melhores bandas da América do Sul. 
A estrutura das canções em absoluto é muito fechada para a cultura peruana, boliviana, baladas argentinas, bolero, milongas... porém representa algo mais refinado e certamente a melhor vibração possível 
da música popular Latina com o rock progressivo, recomendo.

"Anacrusa" é uma banda argentina formada no início dos anos 70 por "José Luis Castiñeira de Dios" (violão, charango, cuatro, bandoneón, baixo, arranjos) e pela voz marcante de "Suzana Lago" (piano, órgão, charango e voz), acompanhados pelo trio "Alex Eriich-Oliva" (double bass, violões, violoncelo), "Julio Pardo" (flauta, oboé, instrumentos de sopro) e "Elias Chiche Heger" (bateria, percussão). O grupo apresentava-se em pequenos locais de Buenos Aires, apresentando um som fortemente influenciado pelos ritmos portenhos e latinos. Durante a década de 70, Brasil e Argentina não rivalizavam apenas no futebol, mas também na formação de grandes bandas. Enquanto o Brasil tinha "Secos & Molhados", "Mutantes", "Som Nosso de Cada Dia" e "O Terço" (só para citar alguns), a Argentina rivalizava com "Sui Generis", "La Biblia", "Almendra" e "La Maquina de Hacer Pajaros" (também para citar só alguns). Porém, os argentinos tinham um diferencial em suas bandas, já que a maioria delas explorava com muita qualidade as características sonoras do seu país. Não era diferente com a "Anacrusa", uma banda espetacular, que sabia fazer miséria com tango, rock progressivo, mambo, milonga, chamamé e diversos outros estilos comuns ao pampa portenho. O grupo, cujo nome é uma forma musical européia, advinda do grego "ἀνάκρουσις", que significa retrocesso, tem uma história praticamente obscura, mas graças a geração MP3, o mundo pode conhecer uma das bandas mais versáteis que o pampa portenho já ouviu, que fez questão de retroceder às origens folclóricas de seu país, mas foi além com o passar dos anos e as inspirações progressivas. Não tardou para que assinassem um contrato com o selo Redondel, e em 1973, lançasse seu álbum de estréia, auto-batizado. O disco é muito belo, misturando os elementos do pampa com sutis porções de rock progressivo. Em pouco mais de trinta minutos, somos apresentados a diversos ritmos latinos, como as cuecas "La Rosa Y El Clave" e "Rio Limay", contrastando os violões, piano e bandoneón com majestosos solos de flauta e xilofone, e as canções populares e dançantes presentes no joropo "Lo Que Mas Quiero" e no merengue "Marula Sanchez".  A voz de "Susana" destaca-se na guajira "Pobre Mi Tierra" e em "Elegia Sobre Un Poema", onde ela realmente assombra. Os destaques ficam para as instrumentais "El Baile del Pajarillo" (joropo venezuelano), "Zamba de Invierno", ambas com um show de "Castiñeira" e "Pardo", "Galopa del Mamboreta", uma galopa com uma empolgante variação de ritmos entre piano e flauta, a andina "Viento de Yavi", todas com ótimas passagens de elementos prog com elementos do pampa, e a mágica chacarera "Piedra Y Madera", sem sombra de dúvidas a melhor e mais elaborada canção do LP.  São canções curtas, mas com um belo apelo emocional, que indicavam um promissor caminho para o quinteto, que na capa do LP, mostrava suas influências progressivas, imitando o "Pink Floyd" em "Ummagumma" ao posar com todos os seus instrumentos ao mesmo tempo. O álbum vendeu relativamente bem, angariando mais shows para o grupo e permitindo a gravação de um segundo LP no ano seguinte. "Anacrusa II" de 1974 apresenta a primeira reformulação da banda, agora com o "La Platense Rubén Mono Izaurralde" no lugar de "Pardo". O grupo continua suas explorações musicais no ano seguinte, e "Mono" foi a substituição, dando uma nova face para o grupo, já que além de tocar muito bem, também canta, aqui em "Rio Manzanares".  O álbum possui canções populares de diferentes países, como a citada "Rio Manzanares" (canción venezuelana), "Coplas de Cundinamarca" (coplas colombianas) e a dançante "Palmero" (marinero peruana), além de "Homenaje", uma cueca legitimamente portenha, e que está no lado B.  Mas com a dolorida "Polo Coriano", o grupo surpreende nas partes instrumentais, enaltecidas nas pérolas "Zamba de la Despedida", destacando o órgão de "Susana", a suíte "Campo Sur" e a suave "Saque Mi Corazón de la Tierra Quemada", com violão, flauta e piano dividindo as atenções. Há também a estonteante "Calcufurá", uma incrível canção na qual "Susana" usa e abusa das notas do piano, e "Mono" faz misérias com a flauta, encerrando de forma fantástica esse belíssimo álbum e mostrando os caminhos progressivos que o grupo iria seguir em breve. "Anacrusa" e "Anacrusa II" foram posteriormente relançados em um único CD, chamado "Anacrusa" (2001), trazendo todas as canções de ambos os álbuns.  O mercado latino começava a receber de braços abertos o quinteto, que não parava de produzir espetáculos cada vez mais concorridos. Porém, em plena ditadura militar, sobreviver como músico no país vizinho tornou-se uma tarefa complicada, e desta forma, as dificuldades financeiras começaram a aparecer. Mesmo assim, o quinteto seguiu na luta, e com uma nova formação tendo "Castiñera",  "Mono", "Susana", "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Quique Alvarado" (baixo e sintetizador), "Juan Carlos Lícari" (bateria) e "Ricardo Martinez" (percussão), lançam "Anacrusa III", em 1975, pelo pequeno selo Global.  Se em "Anacrusa II", os argentinos colocavam o pé levemente no progressivo, no terceiro disco a situação inverte-se, já que esse é o álbum mais folclórico do grupo, que como todos os demais, possui uma distinção muito clara nos ritmos apresentados.  Nas canções com vocal, temos o joropo de "Pullas", com os vocais divididos entre "Mono" e "Susana", as vidalas "Lamento del Salitral" e "Tanta Lagrima Regada", a marinera peruana de "M'hey de Guardar", a valsa peruana "Maldito Amor" e a milonga "Milonga del Silencio", ambas com dramáticas interpretações de "Susana".  Para manter a constante, os arranjos instrumentais do maestro "Castiñeira" são o que temos de melhor, enaltecendo cada vez mais o nome do grupo para os fãs, através das jóias "Polquita Cruceña", uma polca boliviana com um belo duelo de flauta e oboé, e "Los Capiangos", uma chaya típica representante da sonoridade "Anacrusa", trazendo como novidade a presença do sintetizador. A agitada candomble "Recuerdos de Monserrat", que serviria de base para outra canção do grupo no futuro, destacando a inclusão do xilofone na mesma, é um dos principais destaques, ao lado de "Horizontes Y Senderos", que traz lágrimas em suas três partes, uma mais bela que a outra, e totalmente distintas entre si, mostrando que é possível construir uma ótima canção repleta de variações em apenas cinco minutos. Em 2005, esse álbum foi relançado com o nome "Documentos 75-76", trazendo cinco bônus, que foram gravadas para o quarto álbum do grupo, o qual seria lançado em 1976, mas não chegou a sair. São elas: "Cuando Llegare", "Vidala de la Tierra Conocida", "Cuando Salgo a Sabanear", "Polo Margariteno" e "Carnavalito Y Vidala", sendo "Documentos 75-76" um álbum de mais fácil acesso em comparação aos demais. A ditadura passou a ficar cada vez mais pesada entre os hermanos, obrigando o grupo a retirar-se do país, buscando exílio na França em 1977. Apesar da saída às pressas da sua Terra Natal, os ares europeus foram revitalizadores, já que lá, o quinteto ampliou seus conhecimentos musicais.  Amigos argentinos e da América Latina em geral, também exilados na França, passaram a frequentar as residências de "Susana" e "Castiñeira", surgindo um novo "Anacrusa", agora com "Susana", "Castiñeira", "Pardo" e "Bruno", "Daniel Sbarra" (guitarras), "Jorge Trasante" (bateria e percussão), "Juan Mosalini" (bandoneon) e "Phillipe Pages" (piano, órgão). O que estava bom iria fica incrivelmente melhor a partir de então. Os novos rumos ainda levaram o grupo a assinar com o mega selo Philips, e em 1978, chegou às lojas o álbum "El Sacrificio", que na minha opinião é o melhor do grupo. Desde a estonteante entrada com "El Pozo de los Vientos", e uma impecável mistura de elementos progressivos com latinos, percebemos que o grupo cresceu e muito. Guitarra, baixo e piano misturam-se a flauta, oboé e percussões de uma maneira ímpar, sendo que o trabalho de "Sbarra" é perfeito, com suas distorções puramente psicodélicas, apresentadas na recriação de "Los Capiangos" e em "Quien Bien Quiere", ambas com um belíssimo arranjo orquestral.  O trabalho instrumental de "Castiñeira" e "Susana" é elevado para o nível mais alto, como atestam "Sol del Fuego", com uma ótima participação do bumbo-leguero, e na longa suíte "Tema de Anacrusa", uma canção merecedora de ser chamada de Maravilha, com seus treze incansáveis minutos de variações e andamentos mágicos criados por piano, flauta, saxofone, baixo, guitarras e percussão, além de fantásticas vocalizações de "Susana".  Aliás, o que ela faz com a voz na faixa-título assusta até fantasmas, e quando ouvimos os cinco minutos da Maravilhosa "Homenaje a Waldo", não tem como evitarmos as lágrimas e a tradicional frase cuja sigla é "PQP!", tamanha a emoção e perfeição que os músicos exprimem na mesma. Um disco perfeito, que ao lado de "La Biblia" (Vox Dei) e "Artaud" (Pescado Rabioso), está no topo dos Melhores álbuns já lançados por um grupo da Argentina. O "Anacrusa" seguiu como um grupo errante, atuando pouco mas concentrando-se bastante nas composições, além de uma grande mudança na formação, agora com "Castiñeira" e "Susana" acompanhados de "Narciso Omar Espinosa" (violão), "Tony Bonfyls" (baixo), "André Arpino" (bateria), "Jacky Tricore" (guitarra), "Alain Human" (percussão),  "Rubem Sanchez Resta" (percussão), "Patrice Mondon" (violino), "Pierre Gozzes" (saxofone), "Claude Maisonneuve" (oboé) e "Raymond Guiot" (flautas). O segundo disco do exílio demorou quatro anos para ser parido, com o nome de "Fuerza" e lançado em 1982, é um forte concorrente para "El Sacrificio" à posição de melhor do grupo. Temos um álbum muito elétrico, levado principalmente pela guitarra ácida de Tricore.  As únicas canções que trazem um pouco das origens são a quase "Weather Report" "Monserrat", inspirada nos acordes de "Recuerdos de Monserrat", e a bela faixa-título, com o bumbo leguero se fazendo presente, mas destacando exclusivamente o arrepiante arranjo vocal. No mais, o "Anacrusa" apresenta novidades em seu som, como as baladas "En Paz" e "Vidala de la Tierra", essa com um ótimo arranjo orquestral, e até mesmo jazz-fusion, na incrível "Presion", com "Susana" dando show ao piano, além de um duelo inesquecível de violino e guitarra.  A maravilhosa recriação para "Calfucurá" é tão sublime quanto a versão de "Anacrusa II", mas muito mais potente com a presença dos metais e das cordas, além do tom medieval empregado na parte final da canção. O melhor fica para o final, com a estonteante "Chaya", repleta de inspirações diversas, desde o jazz ao tango, e  a suíte "Voz del Agua", que certamente irá fazer você pensar "Por que eu não ouvi essa banda antes?", tamanha a profundeza emocional que o "Anacrusa" nos apresenta ao longo dos seus nove minutos de duração, nesta que é a canção mais trabalhada orquestralmente na carreira do grupo. Infelizmente, após o lançamento de "Fuerza", o grupo separou-se, com alguns músicos voltando para a Argentina e outros permanecendo na Europa. Nesse período, o "Anacrusa" entrou na obscuridade, e somente "Castiñeira" ganhou algum destaque, compondo trilhas para diversos filmes franceses e argentinos. Somente nos anos 90, uma nova reunião entre "Susana" e "Castiñeira" veio a ocorrer, e a mesma acabou gerando mais um registro fonográfico, o quinto do grupo. 13 anos depois de "Fuerza", "Castiñeira" e "Susana" reencontraram-se em Buenos Aires, registrando "Reencuentro" (1995), com a participação de diversos músicos convidados. No álbum, revezam-se "Arturo Schneider" e "Rubén Mono Izarrualde" (flautas), "Adalberto Cevasco" e "Quique Alvarado" (baixo), "Enrique Zurdo Roizner" e "Carlos Carli" (bateria), "Narciso Omar Espinoza" e "Ricardo Lew" (guitarras), além de "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Daniel Binelli" (bandoneón), "Hugo Pierre" (clarinete e saxofone) e "Víctor Skorupski" (flauta e saxofone).  O grande momento desse reencontro é a faixa que abre o CD, a suíte "Tristes Llanos", com épicos quinze minutos instrumentais nos quais piano, guitarra, flauta e saxofone são os senhores de uma musicalidade quase esquecida nos anos 90.  Depois, temos quinze canções que variam bastante os estilos, algumas reaproveitadas de obras já compostas por "Castiñeira", com "Susana" prestando sua voz para "Alla Viené Un Corazón" , "Ya Me Voy", e a excepcional "Hasta Volver", que são as canções mais folclóricas do álbum. Como sempre, os momentos instrumentais são os que mais chamam a atenção, destacando "Gotas", "Violento", "Bajo Otro Sol", "Noche de Cueca", Prisión" e "Glaciares", todas com complexos e belos arranjos.  Há ainda canções que perambulam entre agradar ou não, que são as baladas vocais "Procesión" e "Estilo", e as instrumentais "De Aca Y de Alla", com flautas andinas fazendo o solo principal, mas com um magnífico bandoneón na sua segunda parte, e "Subiendo Cuestas", tendo como destaque o charango, mas um ritmo muito sonolento.  Os deslizes ficam para "Canto a la Tierra" e "Elegía", totalmente descartáveis. Um disco ameno, que podia ser mais curto (principalmente nas canções com vocal), mas cuja importância é muito relevante, já que algumas pérolas são encontradas apenas aqui. Seguiu-se um longo hiato novamente, e somente em 2005 os fãs puderam se surpreender com mais um lançamento do conjunto, "Encordado". Com "Susana", "Castiñeira", "Alejandro Santos" (flauta, saxofone, quena, sikus), "Hugo Pierre" (saxofone, flauta, clarinete), "Ricardo Lew" (guitarra, violão), "Enrique Zurdo Roizner" (bateria) e "Allan Ballan" (baixo, violoncelo),  apresentando também um quarteto de cordas, bem como diversos convidados, o "Anacrusa" surpreendeu os fãs com "Encordado", no qual o o grupo homenageia o Brasil com "Nordestino", uma canção que, como o nome diz, remete ao nordeste brasileiro através da flauta, cordas e percussão. No álbum, há uma recriação mais lenta para "El Sacrificio", e também, "Mamboreta", nada mais que uma versão moderna para "Galopa del Mamboreta", do primeiro álbum. As canções populares soam cansativas, e aqui encaixam-se "Rema Rema", "Rio Rio", "La Partida" e "Atardecer".  Por outro lado, o instrumental continua impecável, como atestam "Prision", "Galeron" e "Cautiva". "Candombe de Alain", "Cruz de Sal" e "Zamba de Invierno" são o trio de ouro de um álbum mediano, contudo bem melhor que seu antecessor. Uma pequena série de apresentações acabou fazendo com que mais um registro ocorresse, dessa vez do álbum "En Vivo", registrado em novembro de 2005, no Teatro Presidente Alvear, em Buenos Aires,  e lançado no mesmo ano.  Desde então, "Castiñeira" segue sua carreira como compositor, e aguardamos por uma reunião que parece, por enquanto, existir apenas nos sonhos dos fãs de uma das melhores bandas da América do Sul.  A estrutura das canções em absoluto é muito fechada para a cultura peruana, boliviana, baladas argentinas, bolero, milongas... porém representa algo mais refinado e certamente a melhor vibração possível  da música popular Latina com o rock progressivo, recomendo.DISCOGRAFIA:
1973 - Anacrusa
1974 - Anacrusa II
1975 - Anacrusa III
1978 - El Sacrificio
1982 - Fuerza
1995 - Reencuentro
2005 - Documentos 75-76
2005 - Encordado
2005 - En Vivo (ao vivo em novembro de 2005, Teatro Presidente Alvear, Buenos Aires)




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Anacrusa 1973
"Anacrusa" é uma banda argentina formada no início dos anos 70 por "José Luis Castiñeira de Dios" (violão, charango, cuatro, bandoneón, baixo, arranjos) e pela voz marcante de "Suzana Lago" (piano, órgão, charango e voz), acompanhados pelo trio "Alex Eriich-Oliva" (double bass, violões, violoncelo), "Julio Pardo" (flauta, oboé, instrumentos de sopro) e "Elias Chiche Heger" (bateria, percussão). O grupo apresentava-se em pequenos locais de Buenos Aires, apresentando um som fortemente influenciado pelos ritmos portenhos e latinos. Durante a década de 70, Brasil e Argentina não rivalizavam apenas no futebol, mas também na formação de grandes bandas. Enquanto o Brasil tinha "Secos & Molhados", "Mutantes", "Som Nosso de Cada Dia" e "O Terço" (só para citar alguns), a Argentina rivalizava com "Sui Generis", "La Biblia", "Almendra" e "La Maquina de Hacer Pajaros" (também para citar só alguns). Porém, os argentinos tinham um diferencial em suas bandas, já que a maioria delas explorava com muita qualidade as características sonoras do seu país. Não era diferente com a "Anacrusa", uma banda espetacular, que sabia fazer miséria com tango, rock progressivo, mambo, milonga, chamamé e diversos outros estilos comuns ao pampa portenho. O grupo, cujo nome é uma forma musical européia, advinda do grego "ἀνάκρουσις", que significa retrocesso, tem uma história praticamente obscura, mas graças a geração MP3, o mundo pode conhecer uma das bandas mais versáteis que o pampa portenho já ouviu, que fez questão de retroceder às origens folclóricas de seu país, mas foi além com o passar dos anos e as inspirações progressivas. Não tardou para que assinassem um contrato com o selo Redondel, e em 1973, lançasse seu álbum de estréia, auto-batizado. O disco é muito belo, misturando os elementos do pampa com sutis porções de rock progressivo. Em pouco mais de trinta minutos, somos apresentados a diversos ritmos latinos, como as cuecas "La Rosa Y El Clave" e "Rio Limay", contrastando os violões, piano e bandoneón com majestosos solos de flauta e xilofone, e as canções populares e dançantes presentes no joropo "Lo Que Mas Quiero" e no merengue "Marula Sanchez".  A voz de "Susana" destaca-se na guajira "Pobre Mi Tierra" e em "Elegia Sobre Un Poema", onde ela realmente assombra. Os destaques ficam para as instrumentais "El Baile del Pajarillo" (joropo venezuelano), "Zamba de Invierno", ambas com um show de "Castiñeira" e "Pardo", "Galopa del Mamboreta", uma galopa com uma empolgante variação de ritmos entre piano e flauta, a andina "Viento de Yavi", todas com ótimas passagens de elementos prog com elementos do pampa, e a mágica chacarera "Piedra Y Madera", sem sombra de dúvidas a melhor e mais elaborada canção do LP.  São canções curtas, mas com um belo apelo emocional, que indicavam um promissor caminho para o quinteto, que na capa do LP, mostrava suas influências progressivas, imitando o "Pink Floyd" em "Ummagumma" ao posar com todos os seus instrumentos ao mesmo tempo. O álbum vendeu relativamente bem, angariando mais shows para o grupo e permitindo a gravação de um segundo LP no ano seguinte. "Anacrusa II" de 1974 apresenta a primeira reformulação da banda, agora com o "La Platense Rubén Mono Izaurralde" no lugar de "Pardo". O grupo continua suas explorações musicais no ano seguinte, e "Mono" foi a substituição, dando uma nova face para o grupo, já que além de tocar muito bem, também canta, aqui em "Rio Manzanares".  O álbum possui canções populares de diferentes países, como a citada "Rio Manzanares" (canción venezuelana), "Coplas de Cundinamarca" (coplas colombianas) e a dançante "Palmero" (marinero peruana), além de "Homenaje", uma cueca legitimamente portenha, e que está no lado B.  Mas com a dolorida "Polo Coriano", o grupo surpreende nas partes instrumentais, enaltecidas nas pérolas "Zamba de la Despedida", destacando o órgão de "Susana", a suíte "Campo Sur" e a suave "Saque Mi Corazón de la Tierra Quemada", com violão, flauta e piano dividindo as atenções. Há também a estonteante "Calcufurá", uma incrível canção na qual "Susana" usa e abusa das notas do piano, e "Mono" faz misérias com a flauta, encerrando de forma fantástica esse belíssimo álbum e mostrando os caminhos progressivos que o grupo iria seguir em breve. "Anacrusa" e "Anacrusa II" foram posteriormente relançados em um único CD, chamado "Anacrusa" (2001), trazendo todas as canções de ambos os álbuns.  O mercado latino começava a receber de braços abertos o quinteto, que não parava de produzir espetáculos cada vez mais concorridos. Porém, em plena ditadura militar, sobreviver como músico no país vizinho tornou-se uma tarefa complicada, e desta forma, as dificuldades financeiras começaram a aparecer. Mesmo assim, o quinteto seguiu na luta, e com uma nova formação tendo "Castiñera",  "Mono", "Susana", "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Quique Alvarado" (baixo e sintetizador), "Juan Carlos Lícari" (bateria) e "Ricardo Martinez" (percussão), lançam "Anacrusa III", em 1975, pelo pequeno selo Global.  Se em "Anacrusa II", os argentinos colocavam o pé levemente no progressivo, no terceiro disco a situação inverte-se, já que esse é o álbum mais folclórico do grupo, que como todos os demais, possui uma distinção muito clara nos ritmos apresentados.  Nas canções com vocal, temos o joropo de "Pullas", com os vocais divididos entre "Mono" e "Susana", as vidalas "Lamento del Salitral" e "Tanta Lagrima Regada", a marinera peruana de "M'hey de Guardar", a valsa peruana "Maldito Amor" e a milonga "Milonga del Silencio", ambas com dramáticas interpretações de "Susana".  Para manter a constante, os arranjos instrumentais do maestro "Castiñeira" são o que temos de melhor, enaltecendo cada vez mais o nome do grupo para os fãs, através das jóias "Polquita Cruceña", uma polca boliviana com um belo duelo de flauta e oboé, e "Los Capiangos", uma chaya típica representante da sonoridade "Anacrusa", trazendo como novidade a presença do sintetizador. A agitada candomble "Recuerdos de Monserrat", que serviria de base para outra canção do grupo no futuro, destacando a inclusão do xilofone na mesma, é um dos principais destaques, ao lado de "Horizontes Y Senderos", que traz lágrimas em suas três partes, uma mais bela que a outra, e totalmente distintas entre si, mostrando que é possível construir uma ótima canção repleta de variações em apenas cinco minutos. Em 2005, esse álbum foi relançado com o nome "Documentos 75-76", trazendo cinco bônus, que foram gravadas para o quarto álbum do grupo, o qual seria lançado em 1976, mas não chegou a sair. São elas: "Cuando Llegare", "Vidala de la Tierra Conocida", "Cuando Salgo a Sabanear", "Polo Margariteno" e "Carnavalito Y Vidala", sendo "Documentos 75-76" um álbum de mais fácil acesso em comparação aos demais. A ditadura passou a ficar cada vez mais pesada entre os hermanos, obrigando o grupo a retirar-se do país, buscando exílio na França em 1977. Apesar da saída às pressas da sua Terra Natal, os ares europeus foram revitalizadores, já que lá, o quinteto ampliou seus conhecimentos musicais.  Amigos argentinos e da América Latina em geral, também exilados na França, passaram a frequentar as residências de "Susana" e "Castiñeira", surgindo um novo "Anacrusa", agora com "Susana", "Castiñeira", "Pardo" e "Bruno", "Daniel Sbarra" (guitarras), "Jorge Trasante" (bateria e percussão), "Juan Mosalini" (bandoneon) e "Phillipe Pages" (piano, órgão). O que estava bom iria fica incrivelmente melhor a partir de então. Os novos rumos ainda levaram o grupo a assinar com o mega selo Philips, e em 1978, chegou às lojas o álbum "El Sacrificio", que na minha opinião é o melhor do grupo. Desde a estonteante entrada com "El Pozo de los Vientos", e uma impecável mistura de elementos progressivos com latinos, percebemos que o grupo cresceu e muito. Guitarra, baixo e piano misturam-se a flauta, oboé e percussões de uma maneira ímpar, sendo que o trabalho de "Sbarra" é perfeito, com suas distorções puramente psicodélicas, apresentadas na recriação de "Los Capiangos" e em "Quien Bien Quiere", ambas com um belíssimo arranjo orquestral.  O trabalho instrumental de "Castiñeira" e "Susana" é elevado para o nível mais alto, como atestam "Sol del Fuego", com uma ótima participação do bumbo-leguero, e na longa suíte "Tema de Anacrusa", uma canção merecedora de ser chamada de Maravilha, com seus treze incansáveis minutos de variações e andamentos mágicos criados por piano, flauta, saxofone, baixo, guitarras e percussão, além de fantásticas vocalizações de "Susana".  Aliás, o que ela faz com a voz na faixa-título assusta até fantasmas, e quando ouvimos os cinco minutos da Maravilhosa "Homenaje a Waldo", não tem como evitarmos as lágrimas e a tradicional frase cuja sigla é "PQP!", tamanha a emoção e perfeição que os músicos exprimem na mesma. Um disco perfeito, que ao lado de "La Biblia" (Vox Dei) e "Artaud" (Pescado Rabioso), está no topo dos Melhores álbuns já lançados por um grupo da Argentina. O "Anacrusa" seguiu como um grupo errante, atuando pouco mas concentrando-se bastante nas composições, além de uma grande mudança na formação, agora com "Castiñeira" e "Susana" acompanhados de "Narciso Omar Espinosa" (violão), "Tony Bonfyls" (baixo), "André Arpino" (bateria), "Jacky Tricore" (guitarra), "Alain Human" (percussão),  "Rubem Sanchez Resta" (percussão), "Patrice Mondon" (violino), "Pierre Gozzes" (saxofone), "Claude Maisonneuve" (oboé) e "Raymond Guiot" (flautas). O segundo disco do exílio demorou quatro anos para ser parido, com o nome de "Fuerza" e lançado em 1982, é um forte concorrente para "El Sacrificio" à posição de melhor do grupo. Temos um álbum muito elétrico, levado principalmente pela guitarra ácida de Tricore.  As únicas canções que trazem um pouco das origens são a quase "Weather Report" "Monserrat", inspirada nos acordes de "Recuerdos de Monserrat", e a bela faixa-título, com o bumbo leguero se fazendo presente, mas destacando exclusivamente o arrepiante arranjo vocal. No mais, o "Anacrusa" apresenta novidades em seu som, como as baladas "En Paz" e "Vidala de la Tierra", essa com um ótimo arranjo orquestral, e até mesmo jazz-fusion, na incrível "Presion", com "Susana" dando show ao piano, além de um duelo inesquecível de violino e guitarra.  A maravilhosa recriação para "Calfucurá" é tão sublime quanto a versão de "Anacrusa II", mas muito mais potente com a presença dos metais e das cordas, além do tom medieval empregado na parte final da canção. O melhor fica para o final, com a estonteante "Chaya", repleta de inspirações diversas, desde o jazz ao tango, e  a suíte "Voz del Agua", que certamente irá fazer você pensar "Por que eu não ouvi essa banda antes?", tamanha a profundeza emocional que o "Anacrusa" nos apresenta ao longo dos seus nove minutos de duração, nesta que é a canção mais trabalhada orquestralmente na carreira do grupo. Infelizmente, após o lançamento de "Fuerza", o grupo separou-se, com alguns músicos voltando para a Argentina e outros permanecendo na Europa. Nesse período, o "Anacrusa" entrou na obscuridade, e somente "Castiñeira" ganhou algum destaque, compondo trilhas para diversos filmes franceses e argentinos. Somente nos anos 90, uma nova reunião entre "Susana" e "Castiñeira" veio a ocorrer, e a mesma acabou gerando mais um registro fonográfico, o quinto do grupo. 13 anos depois de "Fuerza", "Castiñeira" e "Susana" reencontraram-se em Buenos Aires, registrando "Reencuentro" (1995), com a participação de diversos músicos convidados. No álbum, revezam-se "Arturo Schneider" e "Rubén Mono Izarrualde" (flautas), "Adalberto Cevasco" e "Quique Alvarado" (baixo), "Enrique Zurdo Roizner" e "Carlos Carli" (bateria), "Narciso Omar Espinoza" e "Ricardo Lew" (guitarras), além de "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Daniel Binelli" (bandoneón), "Hugo Pierre" (clarinete e saxofone) e "Víctor Skorupski" (flauta e saxofone).  O grande momento desse reencontro é a faixa que abre o CD, a suíte "Tristes Llanos", com épicos quinze minutos instrumentais nos quais piano, guitarra, flauta e saxofone são os senhores de uma musicalidade quase esquecida nos anos 90.  Depois, temos quinze canções que variam bastante os estilos, algumas reaproveitadas de obras já compostas por "Castiñeira", com "Susana" prestando sua voz para "Alla Viené Un Corazón" , "Ya Me Voy", e a excepcional "Hasta Volver", que são as canções mais folclóricas do álbum. Como sempre, os momentos instrumentais são os que mais chamam a atenção, destacando "Gotas", "Violento", "Bajo Otro Sol", "Noche de Cueca", Prisión" e "Glaciares", todas com complexos e belos arranjos.  Há ainda canções que perambulam entre agradar ou não, que são as baladas vocais "Procesión" e "Estilo", e as instrumentais "De Aca Y de Alla", com flautas andinas fazendo o solo principal, mas com um magnífico bandoneón na sua segunda parte, e "Subiendo Cuestas", tendo como destaque o charango, mas um ritmo muito sonolento.  Os deslizes ficam para "Canto a la Tierra" e "Elegía", totalmente descartáveis. Um disco ameno, que podia ser mais curto (principalmente nas canções com vocal), mas cuja importância é muito relevante, já que algumas pérolas são encontradas apenas aqui. Seguiu-se um longo hiato novamente, e somente em 2005 os fãs puderam se surpreender com mais um lançamento do conjunto, "Encordado". Com "Susana", "Castiñeira", "Alejandro Santos" (flauta, saxofone, quena, sikus), "Hugo Pierre" (saxofone, flauta, clarinete), "Ricardo Lew" (guitarra, violão), "Enrique Zurdo Roizner" (bateria) e "Allan Ballan" (baixo, violoncelo),  apresentando também um quarteto de cordas, bem como diversos convidados, o "Anacrusa" surpreendeu os fãs com "Encordado", no qual o o grupo homenageia o Brasil com "Nordestino", uma canção que, como o nome diz, remete ao nordeste brasileiro através da flauta, cordas e percussão. No álbum, há uma recriação mais lenta para "El Sacrificio", e também, "Mamboreta", nada mais que uma versão moderna para "Galopa del Mamboreta", do primeiro álbum. As canções populares soam cansativas, e aqui encaixam-se "Rema Rema", "Rio Rio", "La Partida" e "Atardecer".  Por outro lado, o instrumental continua impecável, como atestam "Prision", "Galeron" e "Cautiva". "Candombe de Alain", "Cruz de Sal" e "Zamba de Invierno" são o trio de ouro de um álbum mediano, contudo bem melhor que seu antecessor. Uma pequena série de apresentações acabou fazendo com que mais um registro ocorresse, dessa vez do álbum "En Vivo", registrado em novembro de 2005, no Teatro Presidente Alvear, em Buenos Aires,  e lançado no mesmo ano.  Desde então, "Castiñeira" segue sua carreira como compositor, e aguardamos por uma reunião que parece, por enquanto, existir apenas nos sonhos dos fãs de uma das melhores bandas da América do Sul.  A estrutura das canções em absoluto é muito fechada para a cultura peruana, boliviana, baladas argentinas, bolero, milongas... porém representa algo mais refinado e certamente a melhor vibração possível  da música popular Latina com o rock progressivo, recomendo.
FAIXAS:
1. Rio Limay (2:47)
2. Pobre mi tierra (3:42)
3. Elegia sobre un poema (3:10)
4. El baile del pajarillo (2:15)
5. Zamba de invierno (2:20)
6. Lo que mas quiero (3:01)
7. Viento de yavi (4:16)
8. La rosa y el clavel (1:35)
9. Galopa del mamboreta (2:41) 
10. Marula Sanchez (1:44)
11. Piedra y madera (3:37)
Total Time: 31:01

MEMBROS:
- José Luis Castiñeira de Dios: guitar, charango, cuatro
- Susana Lago: keyboards, vocals
- Narciso Omar Espinoza: guitar
- André Arpino: drums
- Jackye Tricore: guitar
- Tony Bonfyls: bass
- Pierre Gozzes: sax
- Patrice Mondon: violin




Anacrusa II 1974
"Anacrusa" é uma banda argentina formada no início dos anos 70 por "José Luis Castiñeira de Dios" (violão, charango, cuatro, bandoneón, baixo, arranjos) e pela voz marcante de "Suzana Lago" (piano, órgão, charango e voz), acompanhados pelo trio "Alex Eriich-Oliva" (double bass, violões, violoncelo), "Julio Pardo" (flauta, oboé, instrumentos de sopro) e "Elias Chiche Heger" (bateria, percussão). O grupo apresentava-se em pequenos locais de Buenos Aires, apresentando um som fortemente influenciado pelos ritmos portenhos e latinos. Durante a década de 70, Brasil e Argentina não rivalizavam apenas no futebol, mas também na formação de grandes bandas. Enquanto o Brasil tinha "Secos & Molhados", "Mutantes", "Som Nosso de Cada Dia" e "O Terço" (só para citar alguns), a Argentina rivalizava com "Sui Generis", "La Biblia", "Almendra" e "La Maquina de Hacer Pajaros" (também para citar só alguns). Porém, os argentinos tinham um diferencial em suas bandas, já que a maioria delas explorava com muita qualidade as características sonoras do seu país. Não era diferente com a "Anacrusa", uma banda espetacular, que sabia fazer miséria com tango, rock progressivo, mambo, milonga, chamamé e diversos outros estilos comuns ao pampa portenho. O grupo, cujo nome é uma forma musical européia, advinda do grego "ἀνάκρουσις", que significa retrocesso, tem uma história praticamente obscura, mas graças a geração MP3, o mundo pode conhecer uma das bandas mais versáteis que o pampa portenho já ouviu, que fez questão de retroceder às origens folclóricas de seu país, mas foi além com o passar dos anos e as inspirações progressivas. Não tardou para que assinassem um contrato com o selo Redondel, e em 1973, lançasse seu álbum de estréia, auto-batizado. O disco é muito belo, misturando os elementos do pampa com sutis porções de rock progressivo. Em pouco mais de trinta minutos, somos apresentados a diversos ritmos latinos, como as cuecas "La Rosa Y El Clave" e "Rio Limay", contrastando os violões, piano e bandoneón com majestosos solos de flauta e xilofone, e as canções populares e dançantes presentes no joropo "Lo Que Mas Quiero" e no merengue "Marula Sanchez".  A voz de "Susana" destaca-se na guajira "Pobre Mi Tierra" e em "Elegia Sobre Un Poema", onde ela realmente assombra. Os destaques ficam para as instrumentais "El Baile del Pajarillo" (joropo venezuelano), "Zamba de Invierno", ambas com um show de "Castiñeira" e "Pardo", "Galopa del Mamboreta", uma galopa com uma empolgante variação de ritmos entre piano e flauta, a andina "Viento de Yavi", todas com ótimas passagens de elementos prog com elementos do pampa, e a mágica chacarera "Piedra Y Madera", sem sombra de dúvidas a melhor e mais elaborada canção do LP.  São canções curtas, mas com um belo apelo emocional, que indicavam um promissor caminho para o quinteto, que na capa do LP, mostrava suas influências progressivas, imitando o "Pink Floyd" em "Ummagumma" ao posar com todos os seus instrumentos ao mesmo tempo. O álbum vendeu relativamente bem, angariando mais shows para o grupo e permitindo a gravação de um segundo LP no ano seguinte. "Anacrusa II" de 1974 apresenta a primeira reformulação da banda, agora com o "La Platense Rubén Mono Izaurralde" no lugar de "Pardo". O grupo continua suas explorações musicais no ano seguinte, e "Mono" foi a substituição, dando uma nova face para o grupo, já que além de tocar muito bem, também canta, aqui em "Rio Manzanares".  O álbum possui canções populares de diferentes países, como a citada "Rio Manzanares" (canción venezuelana), "Coplas de Cundinamarca" (coplas colombianas) e a dançante "Palmero" (marinero peruana), além de "Homenaje", uma cueca legitimamente portenha, e que está no lado B.  Mas com a dolorida "Polo Coriano", o grupo surpreende nas partes instrumentais, enaltecidas nas pérolas "Zamba de la Despedida", destacando o órgão de "Susana", a suíte "Campo Sur" e a suave "Saque Mi Corazón de la Tierra Quemada", com violão, flauta e piano dividindo as atenções. Há também a estonteante "Calcufurá", uma incrível canção na qual "Susana" usa e abusa das notas do piano, e "Mono" faz misérias com a flauta, encerrando de forma fantástica esse belíssimo álbum e mostrando os caminhos progressivos que o grupo iria seguir em breve. "Anacrusa" e "Anacrusa II" foram posteriormente relançados em um único CD, chamado "Anacrusa" (2001), trazendo todas as canções de ambos os álbuns.  O mercado latino começava a receber de braços abertos o quinteto, que não parava de produzir espetáculos cada vez mais concorridos. Porém, em plena ditadura militar, sobreviver como músico no país vizinho tornou-se uma tarefa complicada, e desta forma, as dificuldades financeiras começaram a aparecer. Mesmo assim, o quinteto seguiu na luta, e com uma nova formação tendo "Castiñera",  "Mono", "Susana", "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Quique Alvarado" (baixo e sintetizador), "Juan Carlos Lícari" (bateria) e "Ricardo Martinez" (percussão), lançam "Anacrusa III", em 1975, pelo pequeno selo Global.  Se em "Anacrusa II", os argentinos colocavam o pé levemente no progressivo, no terceiro disco a situação inverte-se, já que esse é o álbum mais folclórico do grupo, que como todos os demais, possui uma distinção muito clara nos ritmos apresentados.  Nas canções com vocal, temos o joropo de "Pullas", com os vocais divididos entre "Mono" e "Susana", as vidalas "Lamento del Salitral" e "Tanta Lagrima Regada", a marinera peruana de "M'hey de Guardar", a valsa peruana "Maldito Amor" e a milonga "Milonga del Silencio", ambas com dramáticas interpretações de "Susana".  Para manter a constante, os arranjos instrumentais do maestro "Castiñeira" são o que temos de melhor, enaltecendo cada vez mais o nome do grupo para os fãs, através das jóias "Polquita Cruceña", uma polca boliviana com um belo duelo de flauta e oboé, e "Los Capiangos", uma chaya típica representante da sonoridade "Anacrusa", trazendo como novidade a presença do sintetizador. A agitada candomble "Recuerdos de Monserrat", que serviria de base para outra canção do grupo no futuro, destacando a inclusão do xilofone na mesma, é um dos principais destaques, ao lado de "Horizontes Y Senderos", que traz lágrimas em suas três partes, uma mais bela que a outra, e totalmente distintas entre si, mostrando que é possível construir uma ótima canção repleta de variações em apenas cinco minutos. Em 2005, esse álbum foi relançado com o nome "Documentos 75-76", trazendo cinco bônus, que foram gravadas para o quarto álbum do grupo, o qual seria lançado em 1976, mas não chegou a sair. São elas: "Cuando Llegare", "Vidala de la Tierra Conocida", "Cuando Salgo a Sabanear", "Polo Margariteno" e "Carnavalito Y Vidala", sendo "Documentos 75-76" um álbum de mais fácil acesso em comparação aos demais. A ditadura passou a ficar cada vez mais pesada entre os hermanos, obrigando o grupo a retirar-se do país, buscando exílio na França em 1977. Apesar da saída às pressas da sua Terra Natal, os ares europeus foram revitalizadores, já que lá, o quinteto ampliou seus conhecimentos musicais.  Amigos argentinos e da América Latina em geral, também exilados na França, passaram a frequentar as residências de "Susana" e "Castiñeira", surgindo um novo "Anacrusa", agora com "Susana", "Castiñeira", "Pardo" e "Bruno", "Daniel Sbarra" (guitarras), "Jorge Trasante" (bateria e percussão), "Juan Mosalini" (bandoneon) e "Phillipe Pages" (piano, órgão). O que estava bom iria fica incrivelmente melhor a partir de então. Os novos rumos ainda levaram o grupo a assinar com o mega selo Philips, e em 1978, chegou às lojas o álbum "El Sacrificio", que na minha opinião é o melhor do grupo. Desde a estonteante entrada com "El Pozo de los Vientos", e uma impecável mistura de elementos progressivos com latinos, percebemos que o grupo cresceu e muito. Guitarra, baixo e piano misturam-se a flauta, oboé e percussões de uma maneira ímpar, sendo que o trabalho de "Sbarra" é perfeito, com suas distorções puramente psicodélicas, apresentadas na recriação de "Los Capiangos" e em "Quien Bien Quiere", ambas com um belíssimo arranjo orquestral.  O trabalho instrumental de "Castiñeira" e "Susana" é elevado para o nível mais alto, como atestam "Sol del Fuego", com uma ótima participação do bumbo-leguero, e na longa suíte "Tema de Anacrusa", uma canção merecedora de ser chamada de Maravilha, com seus treze incansáveis minutos de variações e andamentos mágicos criados por piano, flauta, saxofone, baixo, guitarras e percussão, além de fantásticas vocalizações de "Susana".  Aliás, o que ela faz com a voz na faixa-título assusta até fantasmas, e quando ouvimos os cinco minutos da Maravilhosa "Homenaje a Waldo", não tem como evitarmos as lágrimas e a tradicional frase cuja sigla é "PQP!", tamanha a emoção e perfeição que os músicos exprimem na mesma. Um disco perfeito, que ao lado de "La Biblia" (Vox Dei) e "Artaud" (Pescado Rabioso), está no topo dos Melhores álbuns já lançados por um grupo da Argentina. O "Anacrusa" seguiu como um grupo errante, atuando pouco mas concentrando-se bastante nas composições, além de uma grande mudança na formação, agora com "Castiñeira" e "Susana" acompanhados de "Narciso Omar Espinosa" (violão), "Tony Bonfyls" (baixo), "André Arpino" (bateria), "Jacky Tricore" (guitarra), "Alain Human" (percussão),  "Rubem Sanchez Resta" (percussão), "Patrice Mondon" (violino), "Pierre Gozzes" (saxofone), "Claude Maisonneuve" (oboé) e "Raymond Guiot" (flautas). O segundo disco do exílio demorou quatro anos para ser parido, com o nome de "Fuerza" e lançado em 1982, é um forte concorrente para "El Sacrificio" à posição de melhor do grupo. Temos um álbum muito elétrico, levado principalmente pela guitarra ácida de Tricore.  As únicas canções que trazem um pouco das origens são a quase "Weather Report" "Monserrat", inspirada nos acordes de "Recuerdos de Monserrat", e a bela faixa-título, com o bumbo leguero se fazendo presente, mas destacando exclusivamente o arrepiante arranjo vocal. No mais, o "Anacrusa" apresenta novidades em seu som, como as baladas "En Paz" e "Vidala de la Tierra", essa com um ótimo arranjo orquestral, e até mesmo jazz-fusion, na incrível "Presion", com "Susana" dando show ao piano, além de um duelo inesquecível de violino e guitarra.  A maravilhosa recriação para "Calfucurá" é tão sublime quanto a versão de "Anacrusa II", mas muito mais potente com a presença dos metais e das cordas, além do tom medieval empregado na parte final da canção. O melhor fica para o final, com a estonteante "Chaya", repleta de inspirações diversas, desde o jazz ao tango, e  a suíte "Voz del Agua", que certamente irá fazer você pensar "Por que eu não ouvi essa banda antes?", tamanha a profundeza emocional que o "Anacrusa" nos apresenta ao longo dos seus nove minutos de duração, nesta que é a canção mais trabalhada orquestralmente na carreira do grupo. Infelizmente, após o lançamento de "Fuerza", o grupo separou-se, com alguns músicos voltando para a Argentina e outros permanecendo na Europa. Nesse período, o "Anacrusa" entrou na obscuridade, e somente "Castiñeira" ganhou algum destaque, compondo trilhas para diversos filmes franceses e argentinos. Somente nos anos 90, uma nova reunião entre "Susana" e "Castiñeira" veio a ocorrer, e a mesma acabou gerando mais um registro fonográfico, o quinto do grupo. 13 anos depois de "Fuerza", "Castiñeira" e "Susana" reencontraram-se em Buenos Aires, registrando "Reencuentro" (1995), com a participação de diversos músicos convidados. No álbum, revezam-se "Arturo Schneider" e "Rubén Mono Izarrualde" (flautas), "Adalberto Cevasco" e "Quique Alvarado" (baixo), "Enrique Zurdo Roizner" e "Carlos Carli" (bateria), "Narciso Omar Espinoza" e "Ricardo Lew" (guitarras), além de "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Daniel Binelli" (bandoneón), "Hugo Pierre" (clarinete e saxofone) e "Víctor Skorupski" (flauta e saxofone).  O grande momento desse reencontro é a faixa que abre o CD, a suíte "Tristes Llanos", com épicos quinze minutos instrumentais nos quais piano, guitarra, flauta e saxofone são os senhores de uma musicalidade quase esquecida nos anos 90.  Depois, temos quinze canções que variam bastante os estilos, algumas reaproveitadas de obras já compostas por "Castiñeira", com "Susana" prestando sua voz para "Alla Viené Un Corazón" , "Ya Me Voy", e a excepcional "Hasta Volver", que são as canções mais folclóricas do álbum. Como sempre, os momentos instrumentais são os que mais chamam a atenção, destacando "Gotas", "Violento", "Bajo Otro Sol", "Noche de Cueca", Prisión" e "Glaciares", todas com complexos e belos arranjos.  Há ainda canções que perambulam entre agradar ou não, que são as baladas vocais "Procesión" e "Estilo", e as instrumentais "De Aca Y de Alla", com flautas andinas fazendo o solo principal, mas com um magnífico bandoneón na sua segunda parte, e "Subiendo Cuestas", tendo como destaque o charango, mas um ritmo muito sonolento.  Os deslizes ficam para "Canto a la Tierra" e "Elegía", totalmente descartáveis. Um disco ameno, que podia ser mais curto (principalmente nas canções com vocal), mas cuja importância é muito relevante, já que algumas pérolas são encontradas apenas aqui. Seguiu-se um longo hiato novamente, e somente em 2005 os fãs puderam se surpreender com mais um lançamento do conjunto, "Encordado". Com "Susana", "Castiñeira", "Alejandro Santos" (flauta, saxofone, quena, sikus), "Hugo Pierre" (saxofone, flauta, clarinete), "Ricardo Lew" (guitarra, violão), "Enrique Zurdo Roizner" (bateria) e "Allan Ballan" (baixo, violoncelo),  apresentando também um quarteto de cordas, bem como diversos convidados, o "Anacrusa" surpreendeu os fãs com "Encordado", no qual o o grupo homenageia o Brasil com "Nordestino", uma canção que, como o nome diz, remete ao nordeste brasileiro através da flauta, cordas e percussão. No álbum, há uma recriação mais lenta para "El Sacrificio", e também, "Mamboreta", nada mais que uma versão moderna para "Galopa del Mamboreta", do primeiro álbum. As canções populares soam cansativas, e aqui encaixam-se "Rema Rema", "Rio Rio", "La Partida" e "Atardecer".  Por outro lado, o instrumental continua impecável, como atestam "Prision", "Galeron" e "Cautiva". "Candombe de Alain", "Cruz de Sal" e "Zamba de Invierno" são o trio de ouro de um álbum mediano, contudo bem melhor que seu antecessor. Uma pequena série de apresentações acabou fazendo com que mais um registro ocorresse, dessa vez do álbum "En Vivo", registrado em novembro de 2005, no Teatro Presidente Alvear, em Buenos Aires,  e lançado no mesmo ano.  Desde então, "Castiñeira" segue sua carreira como compositor, e aguardamos por uma reunião que parece, por enquanto, existir apenas nos sonhos dos fãs de uma das melhores bandas da América do Sul.  A estrutura das canções em absoluto é muito fechada para a cultura peruana, boliviana, baladas argentinas, bolero, milongas... porém representa algo mais refinado e certamente a melhor vibração possível  da música popular Latina com o rock progressivo, recomendo.
FAIXAS:
1. Río Manzanares (3:06)
2. Coplas de Cundinamarca (3:09)
3. Polo coriano (2:35)
4. Palmero (3:25)
5. Zamba de la despedida (4:44)
6. Homenaje (4:06)
7. Saqué mi corazón de la tierra quemada (5:07)
8. Calfucurá (7:01)
Total Time: 33:24

MEMBROS:
- Susana Lago / vocals, piano, organ 
- Julio Pardo / flute, clarinet 
- Ruben Izaurralde / flute, vocals 
- Alex Oliva / guitar, bass guitar 
- Josè Luis Castineira De Dios / bass, vibraphone, guitar 
- Elias Heger / drums 




Anacrusa III 1975
"Anacrusa" é uma banda argentina formada no início dos anos 70 por "José Luis Castiñeira de Dios" (violão, charango, cuatro, bandoneón, baixo, arranjos) e pela voz marcante de "Suzana Lago" (piano, órgão, charango e voz), acompanhados pelo trio "Alex Eriich-Oliva" (double bass, violões, violoncelo), "Julio Pardo" (flauta, oboé, instrumentos de sopro) e "Elias Chiche Heger" (bateria, percussão). O grupo apresentava-se em pequenos locais de Buenos Aires, apresentando um som fortemente influenciado pelos ritmos portenhos e latinos. Durante a década de 70, Brasil e Argentina não rivalizavam apenas no futebol, mas também na formação de grandes bandas. Enquanto o Brasil tinha "Secos & Molhados", "Mutantes", "Som Nosso de Cada Dia" e "O Terço" (só para citar alguns), a Argentina rivalizava com "Sui Generis", "La Biblia", "Almendra" e "La Maquina de Hacer Pajaros" (também para citar só alguns). Porém, os argentinos tinham um diferencial em suas bandas, já que a maioria delas explorava com muita qualidade as características sonoras do seu país. Não era diferente com a "Anacrusa", uma banda espetacular, que sabia fazer miséria com tango, rock progressivo, mambo, milonga, chamamé e diversos outros estilos comuns ao pampa portenho. O grupo, cujo nome é uma forma musical européia, advinda do grego "ἀνάκρουσις", que significa retrocesso, tem uma história praticamente obscura, mas graças a geração MP3, o mundo pode conhecer uma das bandas mais versáteis que o pampa portenho já ouviu, que fez questão de retroceder às origens folclóricas de seu país, mas foi além com o passar dos anos e as inspirações progressivas. Não tardou para que assinassem um contrato com o selo Redondel, e em 1973, lançasse seu álbum de estréia, auto-batizado. O disco é muito belo, misturando os elementos do pampa com sutis porções de rock progressivo. Em pouco mais de trinta minutos, somos apresentados a diversos ritmos latinos, como as cuecas "La Rosa Y El Clave" e "Rio Limay", contrastando os violões, piano e bandoneón com majestosos solos de flauta e xilofone, e as canções populares e dançantes presentes no joropo "Lo Que Mas Quiero" e no merengue "Marula Sanchez".  A voz de "Susana" destaca-se na guajira "Pobre Mi Tierra" e em "Elegia Sobre Un Poema", onde ela realmente assombra. Os destaques ficam para as instrumentais "El Baile del Pajarillo" (joropo venezuelano), "Zamba de Invierno", ambas com um show de "Castiñeira" e "Pardo", "Galopa del Mamboreta", uma galopa com uma empolgante variação de ritmos entre piano e flauta, a andina "Viento de Yavi", todas com ótimas passagens de elementos prog com elementos do pampa, e a mágica chacarera "Piedra Y Madera", sem sombra de dúvidas a melhor e mais elaborada canção do LP.  São canções curtas, mas com um belo apelo emocional, que indicavam um promissor caminho para o quinteto, que na capa do LP, mostrava suas influências progressivas, imitando o "Pink Floyd" em "Ummagumma" ao posar com todos os seus instrumentos ao mesmo tempo. O álbum vendeu relativamente bem, angariando mais shows para o grupo e permitindo a gravação de um segundo LP no ano seguinte. "Anacrusa II" de 1974 apresenta a primeira reformulação da banda, agora com o "La Platense Rubén Mono Izaurralde" no lugar de "Pardo". O grupo continua suas explorações musicais no ano seguinte, e "Mono" foi a substituição, dando uma nova face para o grupo, já que além de tocar muito bem, também canta, aqui em "Rio Manzanares".  O álbum possui canções populares de diferentes países, como a citada "Rio Manzanares" (canción venezuelana), "Coplas de Cundinamarca" (coplas colombianas) e a dançante "Palmero" (marinero peruana), além de "Homenaje", uma cueca legitimamente portenha, e que está no lado B.  Mas com a dolorida "Polo Coriano", o grupo surpreende nas partes instrumentais, enaltecidas nas pérolas "Zamba de la Despedida", destacando o órgão de "Susana", a suíte "Campo Sur" e a suave "Saque Mi Corazón de la Tierra Quemada", com violão, flauta e piano dividindo as atenções. Há também a estonteante "Calcufurá", uma incrível canção na qual "Susana" usa e abusa das notas do piano, e "Mono" faz misérias com a flauta, encerrando de forma fantástica esse belíssimo álbum e mostrando os caminhos progressivos que o grupo iria seguir em breve. "Anacrusa" e "Anacrusa II" foram posteriormente relançados em um único CD, chamado "Anacrusa" (2001), trazendo todas as canções de ambos os álbuns.  O mercado latino começava a receber de braços abertos o quinteto, que não parava de produzir espetáculos cada vez mais concorridos. Porém, em plena ditadura militar, sobreviver como músico no país vizinho tornou-se uma tarefa complicada, e desta forma, as dificuldades financeiras começaram a aparecer. Mesmo assim, o quinteto seguiu na luta, e com uma nova formação tendo "Castiñera",  "Mono", "Susana", "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Quique Alvarado" (baixo e sintetizador), "Juan Carlos Lícari" (bateria) e "Ricardo Martinez" (percussão), lançam "Anacrusa III", em 1975, pelo pequeno selo Global.  Se em "Anacrusa II", os argentinos colocavam o pé levemente no progressivo, no terceiro disco a situação inverte-se, já que esse é o álbum mais folclórico do grupo, que como todos os demais, possui uma distinção muito clara nos ritmos apresentados.  Nas canções com vocal, temos o joropo de "Pullas", com os vocais divididos entre "Mono" e "Susana", as vidalas "Lamento del Salitral" e "Tanta Lagrima Regada", a marinera peruana de "M'hey de Guardar", a valsa peruana "Maldito Amor" e a milonga "Milonga del Silencio", ambas com dramáticas interpretações de "Susana".  Para manter a constante, os arranjos instrumentais do maestro "Castiñeira" são o que temos de melhor, enaltecendo cada vez mais o nome do grupo para os fãs, através das jóias "Polquita Cruceña", uma polca boliviana com um belo duelo de flauta e oboé, e "Los Capiangos", uma chaya típica representante da sonoridade "Anacrusa", trazendo como novidade a presença do sintetizador. A agitada candomble "Recuerdos de Monserrat", que serviria de base para outra canção do grupo no futuro, destacando a inclusão do xilofone na mesma, é um dos principais destaques, ao lado de "Horizontes Y Senderos", que traz lágrimas em suas três partes, uma mais bela que a outra, e totalmente distintas entre si, mostrando que é possível construir uma ótima canção repleta de variações em apenas cinco minutos. Em 2005, esse álbum foi relançado com o nome "Documentos 75-76", trazendo cinco bônus, que foram gravadas para o quarto álbum do grupo, o qual seria lançado em 1976, mas não chegou a sair. São elas: "Cuando Llegare", "Vidala de la Tierra Conocida", "Cuando Salgo a Sabanear", "Polo Margariteno" e "Carnavalito Y Vidala", sendo "Documentos 75-76" um álbum de mais fácil acesso em comparação aos demais. A ditadura passou a ficar cada vez mais pesada entre os hermanos, obrigando o grupo a retirar-se do país, buscando exílio na França em 1977. Apesar da saída às pressas da sua Terra Natal, os ares europeus foram revitalizadores, já que lá, o quinteto ampliou seus conhecimentos musicais.  Amigos argentinos e da América Latina em geral, também exilados na França, passaram a frequentar as residências de "Susana" e "Castiñeira", surgindo um novo "Anacrusa", agora com "Susana", "Castiñeira", "Pardo" e "Bruno", "Daniel Sbarra" (guitarras), "Jorge Trasante" (bateria e percussão), "Juan Mosalini" (bandoneon) e "Phillipe Pages" (piano, órgão). O que estava bom iria fica incrivelmente melhor a partir de então. Os novos rumos ainda levaram o grupo a assinar com o mega selo Philips, e em 1978, chegou às lojas o álbum "El Sacrificio", que na minha opinião é o melhor do grupo. Desde a estonteante entrada com "El Pozo de los Vientos", e uma impecável mistura de elementos progressivos com latinos, percebemos que o grupo cresceu e muito. Guitarra, baixo e piano misturam-se a flauta, oboé e percussões de uma maneira ímpar, sendo que o trabalho de "Sbarra" é perfeito, com suas distorções puramente psicodélicas, apresentadas na recriação de "Los Capiangos" e em "Quien Bien Quiere", ambas com um belíssimo arranjo orquestral.  O trabalho instrumental de "Castiñeira" e "Susana" é elevado para o nível mais alto, como atestam "Sol del Fuego", com uma ótima participação do bumbo-leguero, e na longa suíte "Tema de Anacrusa", uma canção merecedora de ser chamada de Maravilha, com seus treze incansáveis minutos de variações e andamentos mágicos criados por piano, flauta, saxofone, baixo, guitarras e percussão, além de fantásticas vocalizações de "Susana".  Aliás, o que ela faz com a voz na faixa-título assusta até fantasmas, e quando ouvimos os cinco minutos da Maravilhosa "Homenaje a Waldo", não tem como evitarmos as lágrimas e a tradicional frase cuja sigla é "PQP!", tamanha a emoção e perfeição que os músicos exprimem na mesma. Um disco perfeito, que ao lado de "La Biblia" (Vox Dei) e "Artaud" (Pescado Rabioso), está no topo dos Melhores álbuns já lançados por um grupo da Argentina. O "Anacrusa" seguiu como um grupo errante, atuando pouco mas concentrando-se bastante nas composições, além de uma grande mudança na formação, agora com "Castiñeira" e "Susana" acompanhados de "Narciso Omar Espinosa" (violão), "Tony Bonfyls" (baixo), "André Arpino" (bateria), "Jacky Tricore" (guitarra), "Alain Human" (percussão),  "Rubem Sanchez Resta" (percussão), "Patrice Mondon" (violino), "Pierre Gozzes" (saxofone), "Claude Maisonneuve" (oboé) e "Raymond Guiot" (flautas). O segundo disco do exílio demorou quatro anos para ser parido, com o nome de "Fuerza" e lançado em 1982, é um forte concorrente para "El Sacrificio" à posição de melhor do grupo. Temos um álbum muito elétrico, levado principalmente pela guitarra ácida de Tricore.  As únicas canções que trazem um pouco das origens são a quase "Weather Report" "Monserrat", inspirada nos acordes de "Recuerdos de Monserrat", e a bela faixa-título, com o bumbo leguero se fazendo presente, mas destacando exclusivamente o arrepiante arranjo vocal. No mais, o "Anacrusa" apresenta novidades em seu som, como as baladas "En Paz" e "Vidala de la Tierra", essa com um ótimo arranjo orquestral, e até mesmo jazz-fusion, na incrível "Presion", com "Susana" dando show ao piano, além de um duelo inesquecível de violino e guitarra.  A maravilhosa recriação para "Calfucurá" é tão sublime quanto a versão de "Anacrusa II", mas muito mais potente com a presença dos metais e das cordas, além do tom medieval empregado na parte final da canção. O melhor fica para o final, com a estonteante "Chaya", repleta de inspirações diversas, desde o jazz ao tango, e  a suíte "Voz del Agua", que certamente irá fazer você pensar "Por que eu não ouvi essa banda antes?", tamanha a profundeza emocional que o "Anacrusa" nos apresenta ao longo dos seus nove minutos de duração, nesta que é a canção mais trabalhada orquestralmente na carreira do grupo. Infelizmente, após o lançamento de "Fuerza", o grupo separou-se, com alguns músicos voltando para a Argentina e outros permanecendo na Europa. Nesse período, o "Anacrusa" entrou na obscuridade, e somente "Castiñeira" ganhou algum destaque, compondo trilhas para diversos filmes franceses e argentinos. Somente nos anos 90, uma nova reunião entre "Susana" e "Castiñeira" veio a ocorrer, e a mesma acabou gerando mais um registro fonográfico, o quinto do grupo. 13 anos depois de "Fuerza", "Castiñeira" e "Susana" reencontraram-se em Buenos Aires, registrando "Reencuentro" (1995), com a participação de diversos músicos convidados. No álbum, revezam-se "Arturo Schneider" e "Rubén Mono Izarrualde" (flautas), "Adalberto Cevasco" e "Quique Alvarado" (baixo), "Enrique Zurdo Roizner" e "Carlos Carli" (bateria), "Narciso Omar Espinoza" e "Ricardo Lew" (guitarras), além de "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Daniel Binelli" (bandoneón), "Hugo Pierre" (clarinete e saxofone) e "Víctor Skorupski" (flauta e saxofone).  O grande momento desse reencontro é a faixa que abre o CD, a suíte "Tristes Llanos", com épicos quinze minutos instrumentais nos quais piano, guitarra, flauta e saxofone são os senhores de uma musicalidade quase esquecida nos anos 90.  Depois, temos quinze canções que variam bastante os estilos, algumas reaproveitadas de obras já compostas por "Castiñeira", com "Susana" prestando sua voz para "Alla Viené Un Corazón" , "Ya Me Voy", e a excepcional "Hasta Volver", que são as canções mais folclóricas do álbum. Como sempre, os momentos instrumentais são os que mais chamam a atenção, destacando "Gotas", "Violento", "Bajo Otro Sol", "Noche de Cueca", Prisión" e "Glaciares", todas com complexos e belos arranjos.  Há ainda canções que perambulam entre agradar ou não, que são as baladas vocais "Procesión" e "Estilo", e as instrumentais "De Aca Y de Alla", com flautas andinas fazendo o solo principal, mas com um magnífico bandoneón na sua segunda parte, e "Subiendo Cuestas", tendo como destaque o charango, mas um ritmo muito sonolento.  Os deslizes ficam para "Canto a la Tierra" e "Elegía", totalmente descartáveis. Um disco ameno, que podia ser mais curto (principalmente nas canções com vocal), mas cuja importância é muito relevante, já que algumas pérolas são encontradas apenas aqui. Seguiu-se um longo hiato novamente, e somente em 2005 os fãs puderam se surpreender com mais um lançamento do conjunto, "Encordado". Com "Susana", "Castiñeira", "Alejandro Santos" (flauta, saxofone, quena, sikus), "Hugo Pierre" (saxofone, flauta, clarinete), "Ricardo Lew" (guitarra, violão), "Enrique Zurdo Roizner" (bateria) e "Allan Ballan" (baixo, violoncelo),  apresentando também um quarteto de cordas, bem como diversos convidados, o "Anacrusa" surpreendeu os fãs com "Encordado", no qual o o grupo homenageia o Brasil com "Nordestino", uma canção que, como o nome diz, remete ao nordeste brasileiro através da flauta, cordas e percussão. No álbum, há uma recriação mais lenta para "El Sacrificio", e também, "Mamboreta", nada mais que uma versão moderna para "Galopa del Mamboreta", do primeiro álbum. As canções populares soam cansativas, e aqui encaixam-se "Rema Rema", "Rio Rio", "La Partida" e "Atardecer".  Por outro lado, o instrumental continua impecável, como atestam "Prision", "Galeron" e "Cautiva". "Candombe de Alain", "Cruz de Sal" e "Zamba de Invierno" são o trio de ouro de um álbum mediano, contudo bem melhor que seu antecessor. Uma pequena série de apresentações acabou fazendo com que mais um registro ocorresse, dessa vez do álbum "En Vivo", registrado em novembro de 2005, no Teatro Presidente Alvear, em Buenos Aires,  e lançado no mesmo ano.  Desde então, "Castiñeira" segue sua carreira como compositor, e aguardamos por uma reunião que parece, por enquanto, existir apenas nos sonhos dos fãs de uma das melhores bandas da América do Sul.  A estrutura das canções em absoluto é muito fechada para a cultura peruana, boliviana, baladas argentinas, bolero, milongas... porém representa algo mais refinado e certamente a melhor vibração possível  da música popular Latina com o rock progressivo, recomendo.

FAIXAS:
1.Pullas (3:20)
2.Horizontes y Senderos (5:21)
3.M'Hey de Guardar (2:00)
4.Tanta Lagrima Regada (2:59)
5.Los Capiangos (5:30)
6.Recuerdos de Monserrat (3:41)
7.Maldito Amor (2:29)
8.Lamento del Salitral (4:04)
9.Polquita Crucena (2:49)
10.Milonga del Silencio (6:04)
11.Cuando Llegare (6:48)
12.Vidala De La Tierra Conocida (5:01)
13.Cuando Salgo A Sabanear (5:24)
14.Polo Margariteno (2:22)
15.Carnavalito Y Vidala (15:02)
Total Time: 1:13:27

MEMBROS:
Susana Lago / vocals, piano & organ
Bruno Pizzamiglio / oboe 
Quique Alvarado / bass, synth 
Ruben Izarrualde: flute, vocals 
Juan Carlos Licari: drums & percussions 
Ricardo Martinez: drums & percussions
Jose Luis Castineira de Dios / Guitar, charango




El Sacrificio 1978
"Anacrusa" é uma banda argentina formada no início dos anos 70 por "José Luis Castiñeira de Dios" (violão, charango, cuatro, bandoneón, baixo, arranjos) e pela voz marcante de "Suzana Lago" (piano, órgão, charango e voz), acompanhados pelo trio "Alex Eriich-Oliva" (double bass, violões, violoncelo), "Julio Pardo" (flauta, oboé, instrumentos de sopro) e "Elias Chiche Heger" (bateria, percussão). O grupo apresentava-se em pequenos locais de Buenos Aires, apresentando um som fortemente influenciado pelos ritmos portenhos e latinos. Durante a década de 70, Brasil e Argentina não rivalizavam apenas no futebol, mas também na formação de grandes bandas. Enquanto o Brasil tinha "Secos & Molhados", "Mutantes", "Som Nosso de Cada Dia" e "O Terço" (só para citar alguns), a Argentina rivalizava com "Sui Generis", "La Biblia", "Almendra" e "La Maquina de Hacer Pajaros" (também para citar só alguns). Porém, os argentinos tinham um diferencial em suas bandas, já que a maioria delas explorava com muita qualidade as características sonoras do seu país. Não era diferente com a "Anacrusa", uma banda espetacular, que sabia fazer miséria com tango, rock progressivo, mambo, milonga, chamamé e diversos outros estilos comuns ao pampa portenho. O grupo, cujo nome é uma forma musical européia, advinda do grego "ἀνάκρουσις", que significa retrocesso, tem uma história praticamente obscura, mas graças a geração MP3, o mundo pode conhecer uma das bandas mais versáteis que o pampa portenho já ouviu, que fez questão de retroceder às origens folclóricas de seu país, mas foi além com o passar dos anos e as inspirações progressivas. Não tardou para que assinassem um contrato com o selo Redondel, e em 1973, lançasse seu álbum de estréia, auto-batizado. O disco é muito belo, misturando os elementos do pampa com sutis porções de rock progressivo. Em pouco mais de trinta minutos, somos apresentados a diversos ritmos latinos, como as cuecas "La Rosa Y El Clave" e "Rio Limay", contrastando os violões, piano e bandoneón com majestosos solos de flauta e xilofone, e as canções populares e dançantes presentes no joropo "Lo Que Mas Quiero" e no merengue "Marula Sanchez".  A voz de "Susana" destaca-se na guajira "Pobre Mi Tierra" e em "Elegia Sobre Un Poema", onde ela realmente assombra. Os destaques ficam para as instrumentais "El Baile del Pajarillo" (joropo venezuelano), "Zamba de Invierno", ambas com um show de "Castiñeira" e "Pardo", "Galopa del Mamboreta", uma galopa com uma empolgante variação de ritmos entre piano e flauta, a andina "Viento de Yavi", todas com ótimas passagens de elementos prog com elementos do pampa, e a mágica chacarera "Piedra Y Madera", sem sombra de dúvidas a melhor e mais elaborada canção do LP.  São canções curtas, mas com um belo apelo emocional, que indicavam um promissor caminho para o quinteto, que na capa do LP, mostrava suas influências progressivas, imitando o "Pink Floyd" em "Ummagumma" ao posar com todos os seus instrumentos ao mesmo tempo. O álbum vendeu relativamente bem, angariando mais shows para o grupo e permitindo a gravação de um segundo LP no ano seguinte. "Anacrusa II" de 1974 apresenta a primeira reformulação da banda, agora com o "La Platense Rubén Mono Izaurralde" no lugar de "Pardo". O grupo continua suas explorações musicais no ano seguinte, e "Mono" foi a substituição, dando uma nova face para o grupo, já que além de tocar muito bem, também canta, aqui em "Rio Manzanares".  O álbum possui canções populares de diferentes países, como a citada "Rio Manzanares" (canción venezuelana), "Coplas de Cundinamarca" (coplas colombianas) e a dançante "Palmero" (marinero peruana), além de "Homenaje", uma cueca legitimamente portenha, e que está no lado B.  Mas com a dolorida "Polo Coriano", o grupo surpreende nas partes instrumentais, enaltecidas nas pérolas "Zamba de la Despedida", destacando o órgão de "Susana", a suíte "Campo Sur" e a suave "Saque Mi Corazón de la Tierra Quemada", com violão, flauta e piano dividindo as atenções. Há também a estonteante "Calcufurá", uma incrível canção na qual "Susana" usa e abusa das notas do piano, e "Mono" faz misérias com a flauta, encerrando de forma fantástica esse belíssimo álbum e mostrando os caminhos progressivos que o grupo iria seguir em breve. "Anacrusa" e "Anacrusa II" foram posteriormente relançados em um único CD, chamado "Anacrusa" (2001), trazendo todas as canções de ambos os álbuns.  O mercado latino começava a receber de braços abertos o quinteto, que não parava de produzir espetáculos cada vez mais concorridos. Porém, em plena ditadura militar, sobreviver como músico no país vizinho tornou-se uma tarefa complicada, e desta forma, as dificuldades financeiras começaram a aparecer. Mesmo assim, o quinteto seguiu na luta, e com uma nova formação tendo "Castiñera",  "Mono", "Susana", "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Quique Alvarado" (baixo e sintetizador), "Juan Carlos Lícari" (bateria) e "Ricardo Martinez" (percussão), lançam "Anacrusa III", em 1975, pelo pequeno selo Global.  Se em "Anacrusa II", os argentinos colocavam o pé levemente no progressivo, no terceiro disco a situação inverte-se, já que esse é o álbum mais folclórico do grupo, que como todos os demais, possui uma distinção muito clara nos ritmos apresentados.  Nas canções com vocal, temos o joropo de "Pullas", com os vocais divididos entre "Mono" e "Susana", as vidalas "Lamento del Salitral" e "Tanta Lagrima Regada", a marinera peruana de "M'hey de Guardar", a valsa peruana "Maldito Amor" e a milonga "Milonga del Silencio", ambas com dramáticas interpretações de "Susana".  Para manter a constante, os arranjos instrumentais do maestro "Castiñeira" são o que temos de melhor, enaltecendo cada vez mais o nome do grupo para os fãs, através das jóias "Polquita Cruceña", uma polca boliviana com um belo duelo de flauta e oboé, e "Los Capiangos", uma chaya típica representante da sonoridade "Anacrusa", trazendo como novidade a presença do sintetizador. A agitada candomble "Recuerdos de Monserrat", que serviria de base para outra canção do grupo no futuro, destacando a inclusão do xilofone na mesma, é um dos principais destaques, ao lado de "Horizontes Y Senderos", que traz lágrimas em suas três partes, uma mais bela que a outra, e totalmente distintas entre si, mostrando que é possível construir uma ótima canção repleta de variações em apenas cinco minutos. Em 2005, esse álbum foi relançado com o nome "Documentos 75-76", trazendo cinco bônus, que foram gravadas para o quarto álbum do grupo, o qual seria lançado em 1976, mas não chegou a sair. São elas: "Cuando Llegare", "Vidala de la Tierra Conocida", "Cuando Salgo a Sabanear", "Polo Margariteno" e "Carnavalito Y Vidala", sendo "Documentos 75-76" um álbum de mais fácil acesso em comparação aos demais. A ditadura passou a ficar cada vez mais pesada entre os hermanos, obrigando o grupo a retirar-se do país, buscando exílio na França em 1977. Apesar da saída às pressas da sua Terra Natal, os ares europeus foram revitalizadores, já que lá, o quinteto ampliou seus conhecimentos musicais.  Amigos argentinos e da América Latina em geral, também exilados na França, passaram a frequentar as residências de "Susana" e "Castiñeira", surgindo um novo "Anacrusa", agora com "Susana", "Castiñeira", "Pardo" e "Bruno", "Daniel Sbarra" (guitarras), "Jorge Trasante" (bateria e percussão), "Juan Mosalini" (bandoneon) e "Phillipe Pages" (piano, órgão). O que estava bom iria fica incrivelmente melhor a partir de então. Os novos rumos ainda levaram o grupo a assinar com o mega selo Philips, e em 1978, chegou às lojas o álbum "El Sacrificio", que na minha opinião é o melhor do grupo. Desde a estonteante entrada com "El Pozo de los Vientos", e uma impecável mistura de elementos progressivos com latinos, percebemos que o grupo cresceu e muito. Guitarra, baixo e piano misturam-se a flauta, oboé e percussões de uma maneira ímpar, sendo que o trabalho de "Sbarra" é perfeito, com suas distorções puramente psicodélicas, apresentadas na recriação de "Los Capiangos" e em "Quien Bien Quiere", ambas com um belíssimo arranjo orquestral.  O trabalho instrumental de "Castiñeira" e "Susana" é elevado para o nível mais alto, como atestam "Sol del Fuego", com uma ótima participação do bumbo-leguero, e na longa suíte "Tema de Anacrusa", uma canção merecedora de ser chamada de Maravilha, com seus treze incansáveis minutos de variações e andamentos mágicos criados por piano, flauta, saxofone, baixo, guitarras e percussão, além de fantásticas vocalizações de "Susana".  Aliás, o que ela faz com a voz na faixa-título assusta até fantasmas, e quando ouvimos os cinco minutos da Maravilhosa "Homenaje a Waldo", não tem como evitarmos as lágrimas e a tradicional frase cuja sigla é "PQP!", tamanha a emoção e perfeição que os músicos exprimem na mesma. Um disco perfeito, que ao lado de "La Biblia" (Vox Dei) e "Artaud" (Pescado Rabioso), está no topo dos Melhores álbuns já lançados por um grupo da Argentina. O "Anacrusa" seguiu como um grupo errante, atuando pouco mas concentrando-se bastante nas composições, além de uma grande mudança na formação, agora com "Castiñeira" e "Susana" acompanhados de "Narciso Omar Espinosa" (violão), "Tony Bonfyls" (baixo), "André Arpino" (bateria), "Jacky Tricore" (guitarra), "Alain Human" (percussão),  "Rubem Sanchez Resta" (percussão), "Patrice Mondon" (violino), "Pierre Gozzes" (saxofone), "Claude Maisonneuve" (oboé) e "Raymond Guiot" (flautas). O segundo disco do exílio demorou quatro anos para ser parido, com o nome de "Fuerza" e lançado em 1982, é um forte concorrente para "El Sacrificio" à posição de melhor do grupo. Temos um álbum muito elétrico, levado principalmente pela guitarra ácida de Tricore.  As únicas canções que trazem um pouco das origens são a quase "Weather Report" "Monserrat", inspirada nos acordes de "Recuerdos de Monserrat", e a bela faixa-título, com o bumbo leguero se fazendo presente, mas destacando exclusivamente o arrepiante arranjo vocal. No mais, o "Anacrusa" apresenta novidades em seu som, como as baladas "En Paz" e "Vidala de la Tierra", essa com um ótimo arranjo orquestral, e até mesmo jazz-fusion, na incrível "Presion", com "Susana" dando show ao piano, além de um duelo inesquecível de violino e guitarra.  A maravilhosa recriação para "Calfucurá" é tão sublime quanto a versão de "Anacrusa II", mas muito mais potente com a presença dos metais e das cordas, além do tom medieval empregado na parte final da canção. O melhor fica para o final, com a estonteante "Chaya", repleta de inspirações diversas, desde o jazz ao tango, e  a suíte "Voz del Agua", que certamente irá fazer você pensar "Por que eu não ouvi essa banda antes?", tamanha a profundeza emocional que o "Anacrusa" nos apresenta ao longo dos seus nove minutos de duração, nesta que é a canção mais trabalhada orquestralmente na carreira do grupo. Infelizmente, após o lançamento de "Fuerza", o grupo separou-se, com alguns músicos voltando para a Argentina e outros permanecendo na Europa. Nesse período, o "Anacrusa" entrou na obscuridade, e somente "Castiñeira" ganhou algum destaque, compondo trilhas para diversos filmes franceses e argentinos. Somente nos anos 90, uma nova reunião entre "Susana" e "Castiñeira" veio a ocorrer, e a mesma acabou gerando mais um registro fonográfico, o quinto do grupo. 13 anos depois de "Fuerza", "Castiñeira" e "Susana" reencontraram-se em Buenos Aires, registrando "Reencuentro" (1995), com a participação de diversos músicos convidados. No álbum, revezam-se "Arturo Schneider" e "Rubén Mono Izarrualde" (flautas), "Adalberto Cevasco" e "Quique Alvarado" (baixo), "Enrique Zurdo Roizner" e "Carlos Carli" (bateria), "Narciso Omar Espinoza" e "Ricardo Lew" (guitarras), além de "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Daniel Binelli" (bandoneón), "Hugo Pierre" (clarinete e saxofone) e "Víctor Skorupski" (flauta e saxofone).  O grande momento desse reencontro é a faixa que abre o CD, a suíte "Tristes Llanos", com épicos quinze minutos instrumentais nos quais piano, guitarra, flauta e saxofone são os senhores de uma musicalidade quase esquecida nos anos 90.  Depois, temos quinze canções que variam bastante os estilos, algumas reaproveitadas de obras já compostas por "Castiñeira", com "Susana" prestando sua voz para "Alla Viené Un Corazón" , "Ya Me Voy", e a excepcional "Hasta Volver", que são as canções mais folclóricas do álbum. Como sempre, os momentos instrumentais são os que mais chamam a atenção, destacando "Gotas", "Violento", "Bajo Otro Sol", "Noche de Cueca", Prisión" e "Glaciares", todas com complexos e belos arranjos.  Há ainda canções que perambulam entre agradar ou não, que são as baladas vocais "Procesión" e "Estilo", e as instrumentais "De Aca Y de Alla", com flautas andinas fazendo o solo principal, mas com um magnífico bandoneón na sua segunda parte, e "Subiendo Cuestas", tendo como destaque o charango, mas um ritmo muito sonolento.  Os deslizes ficam para "Canto a la Tierra" e "Elegía", totalmente descartáveis. Um disco ameno, que podia ser mais curto (principalmente nas canções com vocal), mas cuja importância é muito relevante, já que algumas pérolas são encontradas apenas aqui. Seguiu-se um longo hiato novamente, e somente em 2005 os fãs puderam se surpreender com mais um lançamento do conjunto, "Encordado". Com "Susana", "Castiñeira", "Alejandro Santos" (flauta, saxofone, quena, sikus), "Hugo Pierre" (saxofone, flauta, clarinete), "Ricardo Lew" (guitarra, violão), "Enrique Zurdo Roizner" (bateria) e "Allan Ballan" (baixo, violoncelo),  apresentando também um quarteto de cordas, bem como diversos convidados, o "Anacrusa" surpreendeu os fãs com "Encordado", no qual o o grupo homenageia o Brasil com "Nordestino", uma canção que, como o nome diz, remete ao nordeste brasileiro através da flauta, cordas e percussão. No álbum, há uma recriação mais lenta para "El Sacrificio", e também, "Mamboreta", nada mais que uma versão moderna para "Galopa del Mamboreta", do primeiro álbum. As canções populares soam cansativas, e aqui encaixam-se "Rema Rema", "Rio Rio", "La Partida" e "Atardecer".  Por outro lado, o instrumental continua impecável, como atestam "Prision", "Galeron" e "Cautiva". "Candombe de Alain", "Cruz de Sal" e "Zamba de Invierno" são o trio de ouro de um álbum mediano, contudo bem melhor que seu antecessor. Uma pequena série de apresentações acabou fazendo com que mais um registro ocorresse, dessa vez do álbum "En Vivo", registrado em novembro de 2005, no Teatro Presidente Alvear, em Buenos Aires,  e lançado no mesmo ano.  Desde então, "Castiñeira" segue sua carreira como compositor, e aguardamos por uma reunião que parece, por enquanto, existir apenas nos sonhos dos fãs de uma das melhores bandas da América do Sul.  A estrutura das canções em absoluto é muito fechada para a cultura peruana, boliviana, baladas argentinas, bolero, milongas... porém representa algo mais refinado e certamente a melhor vibração possível  da música popular Latina com o rock progressivo, recomendo.

FAIXAS:
1. El Pozo De Los Vientos - 3:10
2. El Sacrificio - 3:17
3. Sol De Fuego - 3:30
4. Quien Bien Quiere - 2:47
5. Homenaje A Waldo - 5:21
6. Los Capiangos - 5:18
7. Tema De Anacrusa - 13:06
Total Time: 36:30

MEMBROS:
Jose Luis Castineira de Dios Musical Director 
Susana Lago - Voice and Keyboards
Julio Pardo - flute
Bruno Pizzamiglio - oboe
Daniel Sbarra (Abuelo Et Nada) - guitars
Jorge Trasante - Drums and percusion
Juan Mosalini - gaita 
Phillipe Pages - keyboards




Fuerza 1982
"Anacrusa" é uma banda argentina formada no início dos anos 70 por "José Luis Castiñeira de Dios" (violão, charango, cuatro, bandoneón, baixo, arranjos) e pela voz marcante de "Suzana Lago" (piano, órgão, charango e voz), acompanhados pelo trio "Alex Eriich-Oliva" (double bass, violões, violoncelo), "Julio Pardo" (flauta, oboé, instrumentos de sopro) e "Elias Chiche Heger" (bateria, percussão). O grupo apresentava-se em pequenos locais de Buenos Aires, apresentando um som fortemente influenciado pelos ritmos portenhos e latinos. Durante a década de 70, Brasil e Argentina não rivalizavam apenas no futebol, mas também na formação de grandes bandas. Enquanto o Brasil tinha "Secos & Molhados", "Mutantes", "Som Nosso de Cada Dia" e "O Terço" (só para citar alguns), a Argentina rivalizava com "Sui Generis", "La Biblia", "Almendra" e "La Maquina de Hacer Pajaros" (também para citar só alguns). Porém, os argentinos tinham um diferencial em suas bandas, já que a maioria delas explorava com muita qualidade as características sonoras do seu país. Não era diferente com a "Anacrusa", uma banda espetacular, que sabia fazer miséria com tango, rock progressivo, mambo, milonga, chamamé e diversos outros estilos comuns ao pampa portenho. O grupo, cujo nome é uma forma musical européia, advinda do grego "ἀνάκρουσις", que significa retrocesso, tem uma história praticamente obscura, mas graças a geração MP3, o mundo pode conhecer uma das bandas mais versáteis que o pampa portenho já ouviu, que fez questão de retroceder às origens folclóricas de seu país, mas foi além com o passar dos anos e as inspirações progressivas. Não tardou para que assinassem um contrato com o selo Redondel, e em 1973, lançasse seu álbum de estréia, auto-batizado. O disco é muito belo, misturando os elementos do pampa com sutis porções de rock progressivo. Em pouco mais de trinta minutos, somos apresentados a diversos ritmos latinos, como as cuecas "La Rosa Y El Clave" e "Rio Limay", contrastando os violões, piano e bandoneón com majestosos solos de flauta e xilofone, e as canções populares e dançantes presentes no joropo "Lo Que Mas Quiero" e no merengue "Marula Sanchez".  A voz de "Susana" destaca-se na guajira "Pobre Mi Tierra" e em "Elegia Sobre Un Poema", onde ela realmente assombra. Os destaques ficam para as instrumentais "El Baile del Pajarillo" (joropo venezuelano), "Zamba de Invierno", ambas com um show de "Castiñeira" e "Pardo", "Galopa del Mamboreta", uma galopa com uma empolgante variação de ritmos entre piano e flauta, a andina "Viento de Yavi", todas com ótimas passagens de elementos prog com elementos do pampa, e a mágica chacarera "Piedra Y Madera", sem sombra de dúvidas a melhor e mais elaborada canção do LP.  São canções curtas, mas com um belo apelo emocional, que indicavam um promissor caminho para o quinteto, que na capa do LP, mostrava suas influências progressivas, imitando o "Pink Floyd" em "Ummagumma" ao posar com todos os seus instrumentos ao mesmo tempo. O álbum vendeu relativamente bem, angariando mais shows para o grupo e permitindo a gravação de um segundo LP no ano seguinte. "Anacrusa II" de 1974 apresenta a primeira reformulação da banda, agora com o "La Platense Rubén Mono Izaurralde" no lugar de "Pardo". O grupo continua suas explorações musicais no ano seguinte, e "Mono" foi a substituição, dando uma nova face para o grupo, já que além de tocar muito bem, também canta, aqui em "Rio Manzanares".  O álbum possui canções populares de diferentes países, como a citada "Rio Manzanares" (canción venezuelana), "Coplas de Cundinamarca" (coplas colombianas) e a dançante "Palmero" (marinero peruana), além de "Homenaje", uma cueca legitimamente portenha, e que está no lado B.  Mas com a dolorida "Polo Coriano", o grupo surpreende nas partes instrumentais, enaltecidas nas pérolas "Zamba de la Despedida", destacando o órgão de "Susana", a suíte "Campo Sur" e a suave "Saque Mi Corazón de la Tierra Quemada", com violão, flauta e piano dividindo as atenções. Há também a estonteante "Calcufurá", uma incrível canção na qual "Susana" usa e abusa das notas do piano, e "Mono" faz misérias com a flauta, encerrando de forma fantástica esse belíssimo álbum e mostrando os caminhos progressivos que o grupo iria seguir em breve. "Anacrusa" e "Anacrusa II" foram posteriormente relançados em um único CD, chamado "Anacrusa" (2001), trazendo todas as canções de ambos os álbuns.  O mercado latino começava a receber de braços abertos o quinteto, que não parava de produzir espetáculos cada vez mais concorridos. Porém, em plena ditadura militar, sobreviver como músico no país vizinho tornou-se uma tarefa complicada, e desta forma, as dificuldades financeiras começaram a aparecer. Mesmo assim, o quinteto seguiu na luta, e com uma nova formação tendo "Castiñera",  "Mono", "Susana", "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Quique Alvarado" (baixo e sintetizador), "Juan Carlos Lícari" (bateria) e "Ricardo Martinez" (percussão), lançam "Anacrusa III", em 1975, pelo pequeno selo Global.  Se em "Anacrusa II", os argentinos colocavam o pé levemente no progressivo, no terceiro disco a situação inverte-se, já que esse é o álbum mais folclórico do grupo, que como todos os demais, possui uma distinção muito clara nos ritmos apresentados.  Nas canções com vocal, temos o joropo de "Pullas", com os vocais divididos entre "Mono" e "Susana", as vidalas "Lamento del Salitral" e "Tanta Lagrima Regada", a marinera peruana de "M'hey de Guardar", a valsa peruana "Maldito Amor" e a milonga "Milonga del Silencio", ambas com dramáticas interpretações de "Susana".  Para manter a constante, os arranjos instrumentais do maestro "Castiñeira" são o que temos de melhor, enaltecendo cada vez mais o nome do grupo para os fãs, através das jóias "Polquita Cruceña", uma polca boliviana com um belo duelo de flauta e oboé, e "Los Capiangos", uma chaya típica representante da sonoridade "Anacrusa", trazendo como novidade a presença do sintetizador. A agitada candomble "Recuerdos de Monserrat", que serviria de base para outra canção do grupo no futuro, destacando a inclusão do xilofone na mesma, é um dos principais destaques, ao lado de "Horizontes Y Senderos", que traz lágrimas em suas três partes, uma mais bela que a outra, e totalmente distintas entre si, mostrando que é possível construir uma ótima canção repleta de variações em apenas cinco minutos. Em 2005, esse álbum foi relançado com o nome "Documentos 75-76", trazendo cinco bônus, que foram gravadas para o quarto álbum do grupo, o qual seria lançado em 1976, mas não chegou a sair. São elas: "Cuando Llegare", "Vidala de la Tierra Conocida", "Cuando Salgo a Sabanear", "Polo Margariteno" e "Carnavalito Y Vidala", sendo "Documentos 75-76" um álbum de mais fácil acesso em comparação aos demais. A ditadura passou a ficar cada vez mais pesada entre os hermanos, obrigando o grupo a retirar-se do país, buscando exílio na França em 1977. Apesar da saída às pressas da sua Terra Natal, os ares europeus foram revitalizadores, já que lá, o quinteto ampliou seus conhecimentos musicais.  Amigos argentinos e da América Latina em geral, também exilados na França, passaram a frequentar as residências de "Susana" e "Castiñeira", surgindo um novo "Anacrusa", agora com "Susana", "Castiñeira", "Pardo" e "Bruno", "Daniel Sbarra" (guitarras), "Jorge Trasante" (bateria e percussão), "Juan Mosalini" (bandoneon) e "Phillipe Pages" (piano, órgão). O que estava bom iria fica incrivelmente melhor a partir de então. Os novos rumos ainda levaram o grupo a assinar com o mega selo Philips, e em 1978, chegou às lojas o álbum "El Sacrificio", que na minha opinião é o melhor do grupo. Desde a estonteante entrada com "El Pozo de los Vientos", e uma impecável mistura de elementos progressivos com latinos, percebemos que o grupo cresceu e muito. Guitarra, baixo e piano misturam-se a flauta, oboé e percussões de uma maneira ímpar, sendo que o trabalho de "Sbarra" é perfeito, com suas distorções puramente psicodélicas, apresentadas na recriação de "Los Capiangos" e em "Quien Bien Quiere", ambas com um belíssimo arranjo orquestral.  O trabalho instrumental de "Castiñeira" e "Susana" é elevado para o nível mais alto, como atestam "Sol del Fuego", com uma ótima participação do bumbo-leguero, e na longa suíte "Tema de Anacrusa", uma canção merecedora de ser chamada de Maravilha, com seus treze incansáveis minutos de variações e andamentos mágicos criados por piano, flauta, saxofone, baixo, guitarras e percussão, além de fantásticas vocalizações de "Susana".  Aliás, o que ela faz com a voz na faixa-título assusta até fantasmas, e quando ouvimos os cinco minutos da Maravilhosa "Homenaje a Waldo", não tem como evitarmos as lágrimas e a tradicional frase cuja sigla é "PQP!", tamanha a emoção e perfeição que os músicos exprimem na mesma. Um disco perfeito, que ao lado de "La Biblia" (Vox Dei) e "Artaud" (Pescado Rabioso), está no topo dos Melhores álbuns já lançados por um grupo da Argentina. O "Anacrusa" seguiu como um grupo errante, atuando pouco mas concentrando-se bastante nas composições, além de uma grande mudança na formação, agora com "Castiñeira" e "Susana" acompanhados de "Narciso Omar Espinosa" (violão), "Tony Bonfyls" (baixo), "André Arpino" (bateria), "Jacky Tricore" (guitarra), "Alain Human" (percussão),  "Rubem Sanchez Resta" (percussão), "Patrice Mondon" (violino), "Pierre Gozzes" (saxofone), "Claude Maisonneuve" (oboé) e "Raymond Guiot" (flautas). O segundo disco do exílio demorou quatro anos para ser parido, com o nome de "Fuerza" e lançado em 1982, é um forte concorrente para "El Sacrificio" à posição de melhor do grupo. Temos um álbum muito elétrico, levado principalmente pela guitarra ácida de Tricore.  As únicas canções que trazem um pouco das origens são a quase "Weather Report" "Monserrat", inspirada nos acordes de "Recuerdos de Monserrat", e a bela faixa-título, com o bumbo leguero se fazendo presente, mas destacando exclusivamente o arrepiante arranjo vocal. No mais, o "Anacrusa" apresenta novidades em seu som, como as baladas "En Paz" e "Vidala de la Tierra", essa com um ótimo arranjo orquestral, e até mesmo jazz-fusion, na incrível "Presion", com "Susana" dando show ao piano, além de um duelo inesquecível de violino e guitarra.  A maravilhosa recriação para "Calfucurá" é tão sublime quanto a versão de "Anacrusa II", mas muito mais potente com a presença dos metais e das cordas, além do tom medieval empregado na parte final da canção. O melhor fica para o final, com a estonteante "Chaya", repleta de inspirações diversas, desde o jazz ao tango, e  a suíte "Voz del Agua", que certamente irá fazer você pensar "Por que eu não ouvi essa banda antes?", tamanha a profundeza emocional que o "Anacrusa" nos apresenta ao longo dos seus nove minutos de duração, nesta que é a canção mais trabalhada orquestralmente na carreira do grupo. Infelizmente, após o lançamento de "Fuerza", o grupo separou-se, com alguns músicos voltando para a Argentina e outros permanecendo na Europa. Nesse período, o "Anacrusa" entrou na obscuridade, e somente "Castiñeira" ganhou algum destaque, compondo trilhas para diversos filmes franceses e argentinos. Somente nos anos 90, uma nova reunião entre "Susana" e "Castiñeira" veio a ocorrer, e a mesma acabou gerando mais um registro fonográfico, o quinto do grupo. 13 anos depois de "Fuerza", "Castiñeira" e "Susana" reencontraram-se em Buenos Aires, registrando "Reencuentro" (1995), com a participação de diversos músicos convidados. No álbum, revezam-se "Arturo Schneider" e "Rubén Mono Izarrualde" (flautas), "Adalberto Cevasco" e "Quique Alvarado" (baixo), "Enrique Zurdo Roizner" e "Carlos Carli" (bateria), "Narciso Omar Espinoza" e "Ricardo Lew" (guitarras), além de "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Daniel Binelli" (bandoneón), "Hugo Pierre" (clarinete e saxofone) e "Víctor Skorupski" (flauta e saxofone).  O grande momento desse reencontro é a faixa que abre o CD, a suíte "Tristes Llanos", com épicos quinze minutos instrumentais nos quais piano, guitarra, flauta e saxofone são os senhores de uma musicalidade quase esquecida nos anos 90.  Depois, temos quinze canções que variam bastante os estilos, algumas reaproveitadas de obras já compostas por "Castiñeira", com "Susana" prestando sua voz para "Alla Viené Un Corazón" , "Ya Me Voy", e a excepcional "Hasta Volver", que são as canções mais folclóricas do álbum. Como sempre, os momentos instrumentais são os que mais chamam a atenção, destacando "Gotas", "Violento", "Bajo Otro Sol", "Noche de Cueca", Prisión" e "Glaciares", todas com complexos e belos arranjos.  Há ainda canções que perambulam entre agradar ou não, que são as baladas vocais "Procesión" e "Estilo", e as instrumentais "De Aca Y de Alla", com flautas andinas fazendo o solo principal, mas com um magnífico bandoneón na sua segunda parte, e "Subiendo Cuestas", tendo como destaque o charango, mas um ritmo muito sonolento.  Os deslizes ficam para "Canto a la Tierra" e "Elegía", totalmente descartáveis. Um disco ameno, que podia ser mais curto (principalmente nas canções com vocal), mas cuja importância é muito relevante, já que algumas pérolas são encontradas apenas aqui. Seguiu-se um longo hiato novamente, e somente em 2005 os fãs puderam se surpreender com mais um lançamento do conjunto, "Encordado". Com "Susana", "Castiñeira", "Alejandro Santos" (flauta, saxofone, quena, sikus), "Hugo Pierre" (saxofone, flauta, clarinete), "Ricardo Lew" (guitarra, violão), "Enrique Zurdo Roizner" (bateria) e "Allan Ballan" (baixo, violoncelo),  apresentando também um quarteto de cordas, bem como diversos convidados, o "Anacrusa" surpreendeu os fãs com "Encordado", no qual o o grupo homenageia o Brasil com "Nordestino", uma canção que, como o nome diz, remete ao nordeste brasileiro através da flauta, cordas e percussão. No álbum, há uma recriação mais lenta para "El Sacrificio", e também, "Mamboreta", nada mais que uma versão moderna para "Galopa del Mamboreta", do primeiro álbum. As canções populares soam cansativas, e aqui encaixam-se "Rema Rema", "Rio Rio", "La Partida" e "Atardecer".  Por outro lado, o instrumental continua impecável, como atestam "Prision", "Galeron" e "Cautiva". "Candombe de Alain", "Cruz de Sal" e "Zamba de Invierno" são o trio de ouro de um álbum mediano, contudo bem melhor que seu antecessor. Uma pequena série de apresentações acabou fazendo com que mais um registro ocorresse, dessa vez do álbum "En Vivo", registrado em novembro de 2005, no Teatro Presidente Alvear, em Buenos Aires,  e lançado no mesmo ano.  Desde então, "Castiñeira" segue sua carreira como compositor, e aguardamos por uma reunião que parece, por enquanto, existir apenas nos sonhos dos fãs de uma das melhores bandas da América do Sul.  A estrutura das canções em absoluto é muito fechada para a cultura peruana, boliviana, baladas argentinas, bolero, milongas... porém representa algo mais refinado e certamente a melhor vibração possível  da música popular Latina com o rock progressivo, recomendo.
FAIXAS:
1.Fuerza (4:11)
2.Vidala de la tierra (4:32)
3.Calfucurá (6:44)
4.En Paz (2:25)
5.Presión (4:49)
6.Monserrat (3:43)
7.Voz del agua (8:11)
8.Chaya (4:38)
Total Time: 39:05

MEMBROS:
José Luis CAstiñeira de Dios - Musical Director
Susana Lago - Voices and Keyboards
Narciso Espinosa - Guitar
Tony Bonfits - bass
André Arpino - Drums
Jacky Tricore - Electric guitar
Gustavo Moretto (Alas) - Trumpet




Reencuentro 1995
"Anacrusa" é uma banda argentina formada no início dos anos 70 por "José Luis Castiñeira de Dios" (violão, charango, cuatro, bandoneón, baixo, arranjos) e pela voz marcante de "Suzana Lago" (piano, órgão, charango e voz), acompanhados pelo trio "Alex Eriich-Oliva" (double bass, violões, violoncelo), "Julio Pardo" (flauta, oboé, instrumentos de sopro) e "Elias Chiche Heger" (bateria, percussão). O grupo apresentava-se em pequenos locais de Buenos Aires, apresentando um som fortemente influenciado pelos ritmos portenhos e latinos. Durante a década de 70, Brasil e Argentina não rivalizavam apenas no futebol, mas também na formação de grandes bandas. Enquanto o Brasil tinha "Secos & Molhados", "Mutantes", "Som Nosso de Cada Dia" e "O Terço" (só para citar alguns), a Argentina rivalizava com "Sui Generis", "La Biblia", "Almendra" e "La Maquina de Hacer Pajaros" (também para citar só alguns). Porém, os argentinos tinham um diferencial em suas bandas, já que a maioria delas explorava com muita qualidade as características sonoras do seu país. Não era diferente com a "Anacrusa", uma banda espetacular, que sabia fazer miséria com tango, rock progressivo, mambo, milonga, chamamé e diversos outros estilos comuns ao pampa portenho. O grupo, cujo nome é uma forma musical européia, advinda do grego "ἀνάκρουσις", que significa retrocesso, tem uma história praticamente obscura, mas graças a geração MP3, o mundo pode conhecer uma das bandas mais versáteis que o pampa portenho já ouviu, que fez questão de retroceder às origens folclóricas de seu país, mas foi além com o passar dos anos e as inspirações progressivas. Não tardou para que assinassem um contrato com o selo Redondel, e em 1973, lançasse seu álbum de estréia, auto-batizado. O disco é muito belo, misturando os elementos do pampa com sutis porções de rock progressivo. Em pouco mais de trinta minutos, somos apresentados a diversos ritmos latinos, como as cuecas "La Rosa Y El Clave" e "Rio Limay", contrastando os violões, piano e bandoneón com majestosos solos de flauta e xilofone, e as canções populares e dançantes presentes no joropo "Lo Que Mas Quiero" e no merengue "Marula Sanchez".  A voz de "Susana" destaca-se na guajira "Pobre Mi Tierra" e em "Elegia Sobre Un Poema", onde ela realmente assombra. Os destaques ficam para as instrumentais "El Baile del Pajarillo" (joropo venezuelano), "Zamba de Invierno", ambas com um show de "Castiñeira" e "Pardo", "Galopa del Mamboreta", uma galopa com uma empolgante variação de ritmos entre piano e flauta, a andina "Viento de Yavi", todas com ótimas passagens de elementos prog com elementos do pampa, e a mágica chacarera "Piedra Y Madera", sem sombra de dúvidas a melhor e mais elaborada canção do LP.  São canções curtas, mas com um belo apelo emocional, que indicavam um promissor caminho para o quinteto, que na capa do LP, mostrava suas influências progressivas, imitando o "Pink Floyd" em "Ummagumma" ao posar com todos os seus instrumentos ao mesmo tempo. O álbum vendeu relativamente bem, angariando mais shows para o grupo e permitindo a gravação de um segundo LP no ano seguinte. "Anacrusa II" de 1974 apresenta a primeira reformulação da banda, agora com o "La Platense Rubén Mono Izaurralde" no lugar de "Pardo". O grupo continua suas explorações musicais no ano seguinte, e "Mono" foi a substituição, dando uma nova face para o grupo, já que além de tocar muito bem, também canta, aqui em "Rio Manzanares".  O álbum possui canções populares de diferentes países, como a citada "Rio Manzanares" (canción venezuelana), "Coplas de Cundinamarca" (coplas colombianas) e a dançante "Palmero" (marinero peruana), além de "Homenaje", uma cueca legitimamente portenha, e que está no lado B.  Mas com a dolorida "Polo Coriano", o grupo surpreende nas partes instrumentais, enaltecidas nas pérolas "Zamba de la Despedida", destacando o órgão de "Susana", a suíte "Campo Sur" e a suave "Saque Mi Corazón de la Tierra Quemada", com violão, flauta e piano dividindo as atenções. Há também a estonteante "Calcufurá", uma incrível canção na qual "Susana" usa e abusa das notas do piano, e "Mono" faz misérias com a flauta, encerrando de forma fantástica esse belíssimo álbum e mostrando os caminhos progressivos que o grupo iria seguir em breve. "Anacrusa" e "Anacrusa II" foram posteriormente relançados em um único CD, chamado "Anacrusa" (2001), trazendo todas as canções de ambos os álbuns.  O mercado latino começava a receber de braços abertos o quinteto, que não parava de produzir espetáculos cada vez mais concorridos. Porém, em plena ditadura militar, sobreviver como músico no país vizinho tornou-se uma tarefa complicada, e desta forma, as dificuldades financeiras começaram a aparecer. Mesmo assim, o quinteto seguiu na luta, e com uma nova formação tendo "Castiñera",  "Mono", "Susana", "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Quique Alvarado" (baixo e sintetizador), "Juan Carlos Lícari" (bateria) e "Ricardo Martinez" (percussão), lançam "Anacrusa III", em 1975, pelo pequeno selo Global.  Se em "Anacrusa II", os argentinos colocavam o pé levemente no progressivo, no terceiro disco a situação inverte-se, já que esse é o álbum mais folclórico do grupo, que como todos os demais, possui uma distinção muito clara nos ritmos apresentados.  Nas canções com vocal, temos o joropo de "Pullas", com os vocais divididos entre "Mono" e "Susana", as vidalas "Lamento del Salitral" e "Tanta Lagrima Regada", a marinera peruana de "M'hey de Guardar", a valsa peruana "Maldito Amor" e a milonga "Milonga del Silencio", ambas com dramáticas interpretações de "Susana".  Para manter a constante, os arranjos instrumentais do maestro "Castiñeira" são o que temos de melhor, enaltecendo cada vez mais o nome do grupo para os fãs, através das jóias "Polquita Cruceña", uma polca boliviana com um belo duelo de flauta e oboé, e "Los Capiangos", uma chaya típica representante da sonoridade "Anacrusa", trazendo como novidade a presença do sintetizador. A agitada candomble "Recuerdos de Monserrat", que serviria de base para outra canção do grupo no futuro, destacando a inclusão do xilofone na mesma, é um dos principais destaques, ao lado de "Horizontes Y Senderos", que traz lágrimas em suas três partes, uma mais bela que a outra, e totalmente distintas entre si, mostrando que é possível construir uma ótima canção repleta de variações em apenas cinco minutos. Em 2005, esse álbum foi relançado com o nome "Documentos 75-76", trazendo cinco bônus, que foram gravadas para o quarto álbum do grupo, o qual seria lançado em 1976, mas não chegou a sair. São elas: "Cuando Llegare", "Vidala de la Tierra Conocida", "Cuando Salgo a Sabanear", "Polo Margariteno" e "Carnavalito Y Vidala", sendo "Documentos 75-76" um álbum de mais fácil acesso em comparação aos demais. A ditadura passou a ficar cada vez mais pesada entre os hermanos, obrigando o grupo a retirar-se do país, buscando exílio na França em 1977. Apesar da saída às pressas da sua Terra Natal, os ares europeus foram revitalizadores, já que lá, o quinteto ampliou seus conhecimentos musicais.  Amigos argentinos e da América Latina em geral, também exilados na França, passaram a frequentar as residências de "Susana" e "Castiñeira", surgindo um novo "Anacrusa", agora com "Susana", "Castiñeira", "Pardo" e "Bruno", "Daniel Sbarra" (guitarras), "Jorge Trasante" (bateria e percussão), "Juan Mosalini" (bandoneon) e "Phillipe Pages" (piano, órgão). O que estava bom iria fica incrivelmente melhor a partir de então. Os novos rumos ainda levaram o grupo a assinar com o mega selo Philips, e em 1978, chegou às lojas o álbum "El Sacrificio", que na minha opinião é o melhor do grupo. Desde a estonteante entrada com "El Pozo de los Vientos", e uma impecável mistura de elementos progressivos com latinos, percebemos que o grupo cresceu e muito. Guitarra, baixo e piano misturam-se a flauta, oboé e percussões de uma maneira ímpar, sendo que o trabalho de "Sbarra" é perfeito, com suas distorções puramente psicodélicas, apresentadas na recriação de "Los Capiangos" e em "Quien Bien Quiere", ambas com um belíssimo arranjo orquestral.  O trabalho instrumental de "Castiñeira" e "Susana" é elevado para o nível mais alto, como atestam "Sol del Fuego", com uma ótima participação do bumbo-leguero, e na longa suíte "Tema de Anacrusa", uma canção merecedora de ser chamada de Maravilha, com seus treze incansáveis minutos de variações e andamentos mágicos criados por piano, flauta, saxofone, baixo, guitarras e percussão, além de fantásticas vocalizações de "Susana".  Aliás, o que ela faz com a voz na faixa-título assusta até fantasmas, e quando ouvimos os cinco minutos da Maravilhosa "Homenaje a Waldo", não tem como evitarmos as lágrimas e a tradicional frase cuja sigla é "PQP!", tamanha a emoção e perfeição que os músicos exprimem na mesma. Um disco perfeito, que ao lado de "La Biblia" (Vox Dei) e "Artaud" (Pescado Rabioso), está no topo dos Melhores álbuns já lançados por um grupo da Argentina. O "Anacrusa" seguiu como um grupo errante, atuando pouco mas concentrando-se bastante nas composições, além de uma grande mudança na formação, agora com "Castiñeira" e "Susana" acompanhados de "Narciso Omar Espinosa" (violão), "Tony Bonfyls" (baixo), "André Arpino" (bateria), "Jacky Tricore" (guitarra), "Alain Human" (percussão),  "Rubem Sanchez Resta" (percussão), "Patrice Mondon" (violino), "Pierre Gozzes" (saxofone), "Claude Maisonneuve" (oboé) e "Raymond Guiot" (flautas). O segundo disco do exílio demorou quatro anos para ser parido, com o nome de "Fuerza" e lançado em 1982, é um forte concorrente para "El Sacrificio" à posição de melhor do grupo. Temos um álbum muito elétrico, levado principalmente pela guitarra ácida de Tricore.  As únicas canções que trazem um pouco das origens são a quase "Weather Report" "Monserrat", inspirada nos acordes de "Recuerdos de Monserrat", e a bela faixa-título, com o bumbo leguero se fazendo presente, mas destacando exclusivamente o arrepiante arranjo vocal. No mais, o "Anacrusa" apresenta novidades em seu som, como as baladas "En Paz" e "Vidala de la Tierra", essa com um ótimo arranjo orquestral, e até mesmo jazz-fusion, na incrível "Presion", com "Susana" dando show ao piano, além de um duelo inesquecível de violino e guitarra.  A maravilhosa recriação para "Calfucurá" é tão sublime quanto a versão de "Anacrusa II", mas muito mais potente com a presença dos metais e das cordas, além do tom medieval empregado na parte final da canção. O melhor fica para o final, com a estonteante "Chaya", repleta de inspirações diversas, desde o jazz ao tango, e  a suíte "Voz del Agua", que certamente irá fazer você pensar "Por que eu não ouvi essa banda antes?", tamanha a profundeza emocional que o "Anacrusa" nos apresenta ao longo dos seus nove minutos de duração, nesta que é a canção mais trabalhada orquestralmente na carreira do grupo. Infelizmente, após o lançamento de "Fuerza", o grupo separou-se, com alguns músicos voltando para a Argentina e outros permanecendo na Europa. Nesse período, o "Anacrusa" entrou na obscuridade, e somente "Castiñeira" ganhou algum destaque, compondo trilhas para diversos filmes franceses e argentinos. Somente nos anos 90, uma nova reunião entre "Susana" e "Castiñeira" veio a ocorrer, e a mesma acabou gerando mais um registro fonográfico, o quinto do grupo. 13 anos depois de "Fuerza", "Castiñeira" e "Susana" reencontraram-se em Buenos Aires, registrando "Reencuentro" (1995), com a participação de diversos músicos convidados. No álbum, revezam-se "Arturo Schneider" e "Rubén Mono Izarrualde" (flautas), "Adalberto Cevasco" e "Quique Alvarado" (baixo), "Enrique Zurdo Roizner" e "Carlos Carli" (bateria), "Narciso Omar Espinoza" e "Ricardo Lew" (guitarras), além de "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Daniel Binelli" (bandoneón), "Hugo Pierre" (clarinete e saxofone) e "Víctor Skorupski" (flauta e saxofone).  O grande momento desse reencontro é a faixa que abre o CD, a suíte "Tristes Llanos", com épicos quinze minutos instrumentais nos quais piano, guitarra, flauta e saxofone são os senhores de uma musicalidade quase esquecida nos anos 90.  Depois, temos quinze canções que variam bastante os estilos, algumas reaproveitadas de obras já compostas por "Castiñeira", com "Susana" prestando sua voz para "Alla Viené Un Corazón" , "Ya Me Voy", e a excepcional "Hasta Volver", que são as canções mais folclóricas do álbum. Como sempre, os momentos instrumentais são os que mais chamam a atenção, destacando "Gotas", "Violento", "Bajo Otro Sol", "Noche de Cueca", Prisión" e "Glaciares", todas com complexos e belos arranjos.  Há ainda canções que perambulam entre agradar ou não, que são as baladas vocais "Procesión" e "Estilo", e as instrumentais "De Aca Y de Alla", com flautas andinas fazendo o solo principal, mas com um magnífico bandoneón na sua segunda parte, e "Subiendo Cuestas", tendo como destaque o charango, mas um ritmo muito sonolento.  Os deslizes ficam para "Canto a la Tierra" e "Elegía", totalmente descartáveis. Um disco ameno, que podia ser mais curto (principalmente nas canções com vocal), mas cuja importância é muito relevante, já que algumas pérolas são encontradas apenas aqui. Seguiu-se um longo hiato novamente, e somente em 2005 os fãs puderam se surpreender com mais um lançamento do conjunto, "Encordado". Com "Susana", "Castiñeira", "Alejandro Santos" (flauta, saxofone, quena, sikus), "Hugo Pierre" (saxofone, flauta, clarinete), "Ricardo Lew" (guitarra, violão), "Enrique Zurdo Roizner" (bateria) e "Allan Ballan" (baixo, violoncelo),  apresentando também um quarteto de cordas, bem como diversos convidados, o "Anacrusa" surpreendeu os fãs com "Encordado", no qual o o grupo homenageia o Brasil com "Nordestino", uma canção que, como o nome diz, remete ao nordeste brasileiro através da flauta, cordas e percussão. No álbum, há uma recriação mais lenta para "El Sacrificio", e também, "Mamboreta", nada mais que uma versão moderna para "Galopa del Mamboreta", do primeiro álbum. As canções populares soam cansativas, e aqui encaixam-se "Rema Rema", "Rio Rio", "La Partida" e "Atardecer".  Por outro lado, o instrumental continua impecável, como atestam "Prision", "Galeron" e "Cautiva". "Candombe de Alain", "Cruz de Sal" e "Zamba de Invierno" são o trio de ouro de um álbum mediano, contudo bem melhor que seu antecessor. Uma pequena série de apresentações acabou fazendo com que mais um registro ocorresse, dessa vez do álbum "En Vivo", registrado em novembro de 2005, no Teatro Presidente Alvear, em Buenos Aires,  e lançado no mesmo ano.  Desde então, "Castiñeira" segue sua carreira como compositor, e aguardamos por uma reunião que parece, por enquanto, existir apenas nos sonhos dos fãs de uma das melhores bandas da América do Sul.  A estrutura das canções em absoluto é muito fechada para a cultura peruana, boliviana, baladas argentinas, bolero, milongas... porém representa algo mais refinado e certamente a melhor vibração possível  da música popular Latina com o rock progressivo, recomendo.
FAIXAS:
1. Tristes llanos (14:43)
2. Allá viene un corazón (2:28)
3. Gotas (3:54)
4. Prisión (4:28)
5. Ya me voy (4:38)
6. Glaciares (2:13)
7. De acá y de allá (4:11)
8. Estilo (2:22)
9. Procesión (5:56)
10. Violento (3:25)
11. Subiendo cuestas (3:54)
12. Hasta volver (4:42)
13. Elegia (4:23)
14. Bajo otro sol (2:16)
15. Canto a la tierra (4:32)
16. Noche de cueca (3:28)
Total Time: 1:12:06

MEMBROS:
José Luis CAstiñeira de Dios - Musical Director
Susana Lago - Voices and Keyboards
Arturo Schneider e Rubén Mono Izarrualde - flautas
Adalberto Cevasco e Quique Alvarado - baixo
Enrique Zurdo Roizner e Carlos Carli - bateria
Narciso Omar Espinoza e Ricardo Lew - guitarras
Bruno Pizzamiglio - oboé
Daniel Binelli - bandoneón
Hugo Pierre - clarinete e saxofone
Víctor Skorupski - flauta e saxofone 




Documentos 75/76 2005
"Anacrusa" é uma banda argentina formada no início dos anos 70 por "José Luis Castiñeira de Dios" (violão, charango, cuatro, bandoneón, baixo, arranjos) e pela voz marcante de "Suzana Lago" (piano, órgão, charango e voz), acompanhados pelo trio "Alex Eriich-Oliva" (double bass, violões, violoncelo), "Julio Pardo" (flauta, oboé, instrumentos de sopro) e "Elias Chiche Heger" (bateria, percussão). O grupo apresentava-se em pequenos locais de Buenos Aires, apresentando um som fortemente influenciado pelos ritmos portenhos e latinos. Durante a década de 70, Brasil e Argentina não rivalizavam apenas no futebol, mas também na formação de grandes bandas. Enquanto o Brasil tinha "Secos & Molhados", "Mutantes", "Som Nosso de Cada Dia" e "O Terço" (só para citar alguns), a Argentina rivalizava com "Sui Generis", "La Biblia", "Almendra" e "La Maquina de Hacer Pajaros" (também para citar só alguns). Porém, os argentinos tinham um diferencial em suas bandas, já que a maioria delas explorava com muita qualidade as características sonoras do seu país. Não era diferente com a "Anacrusa", uma banda espetacular, que sabia fazer miséria com tango, rock progressivo, mambo, milonga, chamamé e diversos outros estilos comuns ao pampa portenho. O grupo, cujo nome é uma forma musical européia, advinda do grego "ἀνάκρουσις", que significa retrocesso, tem uma história praticamente obscura, mas graças a geração MP3, o mundo pode conhecer uma das bandas mais versáteis que o pampa portenho já ouviu, que fez questão de retroceder às origens folclóricas de seu país, mas foi além com o passar dos anos e as inspirações progressivas. Não tardou para que assinassem um contrato com o selo Redondel, e em 1973, lançasse seu álbum de estréia, auto-batizado. O disco é muito belo, misturando os elementos do pampa com sutis porções de rock progressivo. Em pouco mais de trinta minutos, somos apresentados a diversos ritmos latinos, como as cuecas "La Rosa Y El Clave" e "Rio Limay", contrastando os violões, piano e bandoneón com majestosos solos de flauta e xilofone, e as canções populares e dançantes presentes no joropo "Lo Que Mas Quiero" e no merengue "Marula Sanchez".  A voz de "Susana" destaca-se na guajira "Pobre Mi Tierra" e em "Elegia Sobre Un Poema", onde ela realmente assombra. Os destaques ficam para as instrumentais "El Baile del Pajarillo" (joropo venezuelano), "Zamba de Invierno", ambas com um show de "Castiñeira" e "Pardo", "Galopa del Mamboreta", uma galopa com uma empolgante variação de ritmos entre piano e flauta, a andina "Viento de Yavi", todas com ótimas passagens de elementos prog com elementos do pampa, e a mágica chacarera "Piedra Y Madera", sem sombra de dúvidas a melhor e mais elaborada canção do LP.  São canções curtas, mas com um belo apelo emocional, que indicavam um promissor caminho para o quinteto, que na capa do LP, mostrava suas influências progressivas, imitando o "Pink Floyd" em "Ummagumma" ao posar com todos os seus instrumentos ao mesmo tempo. O álbum vendeu relativamente bem, angariando mais shows para o grupo e permitindo a gravação de um segundo LP no ano seguinte. "Anacrusa II" de 1974 apresenta a primeira reformulação da banda, agora com o "La Platense Rubén Mono Izaurralde" no lugar de "Pardo". O grupo continua suas explorações musicais no ano seguinte, e "Mono" foi a substituição, dando uma nova face para o grupo, já que além de tocar muito bem, também canta, aqui em "Rio Manzanares".  O álbum possui canções populares de diferentes países, como a citada "Rio Manzanares" (canción venezuelana), "Coplas de Cundinamarca" (coplas colombianas) e a dançante "Palmero" (marinero peruana), além de "Homenaje", uma cueca legitimamente portenha, e que está no lado B.  Mas com a dolorida "Polo Coriano", o grupo surpreende nas partes instrumentais, enaltecidas nas pérolas "Zamba de la Despedida", destacando o órgão de "Susana", a suíte "Campo Sur" e a suave "Saque Mi Corazón de la Tierra Quemada", com violão, flauta e piano dividindo as atenções. Há também a estonteante "Calcufurá", uma incrível canção na qual "Susana" usa e abusa das notas do piano, e "Mono" faz misérias com a flauta, encerrando de forma fantástica esse belíssimo álbum e mostrando os caminhos progressivos que o grupo iria seguir em breve. "Anacrusa" e "Anacrusa II" foram posteriormente relançados em um único CD, chamado "Anacrusa" (2001), trazendo todas as canções de ambos os álbuns.  O mercado latino começava a receber de braços abertos o quinteto, que não parava de produzir espetáculos cada vez mais concorridos. Porém, em plena ditadura militar, sobreviver como músico no país vizinho tornou-se uma tarefa complicada, e desta forma, as dificuldades financeiras começaram a aparecer. Mesmo assim, o quinteto seguiu na luta, e com uma nova formação tendo "Castiñera",  "Mono", "Susana", "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Quique Alvarado" (baixo e sintetizador), "Juan Carlos Lícari" (bateria) e "Ricardo Martinez" (percussão), lançam "Anacrusa III", em 1975, pelo pequeno selo Global.  Se em "Anacrusa II", os argentinos colocavam o pé levemente no progressivo, no terceiro disco a situação inverte-se, já que esse é o álbum mais folclórico do grupo, que como todos os demais, possui uma distinção muito clara nos ritmos apresentados.  Nas canções com vocal, temos o joropo de "Pullas", com os vocais divididos entre "Mono" e "Susana", as vidalas "Lamento del Salitral" e "Tanta Lagrima Regada", a marinera peruana de "M'hey de Guardar", a valsa peruana "Maldito Amor" e a milonga "Milonga del Silencio", ambas com dramáticas interpretações de "Susana".  Para manter a constante, os arranjos instrumentais do maestro "Castiñeira" são o que temos de melhor, enaltecendo cada vez mais o nome do grupo para os fãs, através das jóias "Polquita Cruceña", uma polca boliviana com um belo duelo de flauta e oboé, e "Los Capiangos", uma chaya típica representante da sonoridade "Anacrusa", trazendo como novidade a presença do sintetizador. A agitada candomble "Recuerdos de Monserrat", que serviria de base para outra canção do grupo no futuro, destacando a inclusão do xilofone na mesma, é um dos principais destaques, ao lado de "Horizontes Y Senderos", que traz lágrimas em suas três partes, uma mais bela que a outra, e totalmente distintas entre si, mostrando que é possível construir uma ótima canção repleta de variações em apenas cinco minutos. Em 2005, esse álbum foi relançado com o nome "Documentos 75-76", trazendo cinco bônus, que foram gravadas para o quarto álbum do grupo, o qual seria lançado em 1976, mas não chegou a sair. São elas: "Cuando Llegare", "Vidala de la Tierra Conocida", "Cuando Salgo a Sabanear", "Polo Margariteno" e "Carnavalito Y Vidala", sendo "Documentos 75-76" um álbum de mais fácil acesso em comparação aos demais. A ditadura passou a ficar cada vez mais pesada entre os hermanos, obrigando o grupo a retirar-se do país, buscando exílio na França em 1977. Apesar da saída às pressas da sua Terra Natal, os ares europeus foram revitalizadores, já que lá, o quinteto ampliou seus conhecimentos musicais.  Amigos argentinos e da América Latina em geral, também exilados na França, passaram a frequentar as residências de "Susana" e "Castiñeira", surgindo um novo "Anacrusa", agora com "Susana", "Castiñeira", "Pardo" e "Bruno", "Daniel Sbarra" (guitarras), "Jorge Trasante" (bateria e percussão), "Juan Mosalini" (bandoneon) e "Phillipe Pages" (piano, órgão). O que estava bom iria fica incrivelmente melhor a partir de então. Os novos rumos ainda levaram o grupo a assinar com o mega selo Philips, e em 1978, chegou às lojas o álbum "El Sacrificio", que na minha opinião é o melhor do grupo. Desde a estonteante entrada com "El Pozo de los Vientos", e uma impecável mistura de elementos progressivos com latinos, percebemos que o grupo cresceu e muito. Guitarra, baixo e piano misturam-se a flauta, oboé e percussões de uma maneira ímpar, sendo que o trabalho de "Sbarra" é perfeito, com suas distorções puramente psicodélicas, apresentadas na recriação de "Los Capiangos" e em "Quien Bien Quiere", ambas com um belíssimo arranjo orquestral.  O trabalho instrumental de "Castiñeira" e "Susana" é elevado para o nível mais alto, como atestam "Sol del Fuego", com uma ótima participação do bumbo-leguero, e na longa suíte "Tema de Anacrusa", uma canção merecedora de ser chamada de Maravilha, com seus treze incansáveis minutos de variações e andamentos mágicos criados por piano, flauta, saxofone, baixo, guitarras e percussão, além de fantásticas vocalizações de "Susana".  Aliás, o que ela faz com a voz na faixa-título assusta até fantasmas, e quando ouvimos os cinco minutos da Maravilhosa "Homenaje a Waldo", não tem como evitarmos as lágrimas e a tradicional frase cuja sigla é "PQP!", tamanha a emoção e perfeição que os músicos exprimem na mesma. Um disco perfeito, que ao lado de "La Biblia" (Vox Dei) e "Artaud" (Pescado Rabioso), está no topo dos Melhores álbuns já lançados por um grupo da Argentina. O "Anacrusa" seguiu como um grupo errante, atuando pouco mas concentrando-se bastante nas composições, além de uma grande mudança na formação, agora com "Castiñeira" e "Susana" acompanhados de "Narciso Omar Espinosa" (violão), "Tony Bonfyls" (baixo), "André Arpino" (bateria), "Jacky Tricore" (guitarra), "Alain Human" (percussão),  "Rubem Sanchez Resta" (percussão), "Patrice Mondon" (violino), "Pierre Gozzes" (saxofone), "Claude Maisonneuve" (oboé) e "Raymond Guiot" (flautas). O segundo disco do exílio demorou quatro anos para ser parido, com o nome de "Fuerza" e lançado em 1982, é um forte concorrente para "El Sacrificio" à posição de melhor do grupo. Temos um álbum muito elétrico, levado principalmente pela guitarra ácida de Tricore.  As únicas canções que trazem um pouco das origens são a quase "Weather Report" "Monserrat", inspirada nos acordes de "Recuerdos de Monserrat", e a bela faixa-título, com o bumbo leguero se fazendo presente, mas destacando exclusivamente o arrepiante arranjo vocal. No mais, o "Anacrusa" apresenta novidades em seu som, como as baladas "En Paz" e "Vidala de la Tierra", essa com um ótimo arranjo orquestral, e até mesmo jazz-fusion, na incrível "Presion", com "Susana" dando show ao piano, além de um duelo inesquecível de violino e guitarra.  A maravilhosa recriação para "Calfucurá" é tão sublime quanto a versão de "Anacrusa II", mas muito mais potente com a presença dos metais e das cordas, além do tom medieval empregado na parte final da canção. O melhor fica para o final, com a estonteante "Chaya", repleta de inspirações diversas, desde o jazz ao tango, e  a suíte "Voz del Agua", que certamente irá fazer você pensar "Por que eu não ouvi essa banda antes?", tamanha a profundeza emocional que o "Anacrusa" nos apresenta ao longo dos seus nove minutos de duração, nesta que é a canção mais trabalhada orquestralmente na carreira do grupo. Infelizmente, após o lançamento de "Fuerza", o grupo separou-se, com alguns músicos voltando para a Argentina e outros permanecendo na Europa. Nesse período, o "Anacrusa" entrou na obscuridade, e somente "Castiñeira" ganhou algum destaque, compondo trilhas para diversos filmes franceses e argentinos. Somente nos anos 90, uma nova reunião entre "Susana" e "Castiñeira" veio a ocorrer, e a mesma acabou gerando mais um registro fonográfico, o quinto do grupo. 13 anos depois de "Fuerza", "Castiñeira" e "Susana" reencontraram-se em Buenos Aires, registrando "Reencuentro" (1995), com a participação de diversos músicos convidados. No álbum, revezam-se "Arturo Schneider" e "Rubén Mono Izarrualde" (flautas), "Adalberto Cevasco" e "Quique Alvarado" (baixo), "Enrique Zurdo Roizner" e "Carlos Carli" (bateria), "Narciso Omar Espinoza" e "Ricardo Lew" (guitarras), além de "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Daniel Binelli" (bandoneón), "Hugo Pierre" (clarinete e saxofone) e "Víctor Skorupski" (flauta e saxofone).  O grande momento desse reencontro é a faixa que abre o CD, a suíte "Tristes Llanos", com épicos quinze minutos instrumentais nos quais piano, guitarra, flauta e saxofone são os senhores de uma musicalidade quase esquecida nos anos 90.  Depois, temos quinze canções que variam bastante os estilos, algumas reaproveitadas de obras já compostas por "Castiñeira", com "Susana" prestando sua voz para "Alla Viené Un Corazón" , "Ya Me Voy", e a excepcional "Hasta Volver", que são as canções mais folclóricas do álbum. Como sempre, os momentos instrumentais são os que mais chamam a atenção, destacando "Gotas", "Violento", "Bajo Otro Sol", "Noche de Cueca", Prisión" e "Glaciares", todas com complexos e belos arranjos.  Há ainda canções que perambulam entre agradar ou não, que são as baladas vocais "Procesión" e "Estilo", e as instrumentais "De Aca Y de Alla", com flautas andinas fazendo o solo principal, mas com um magnífico bandoneón na sua segunda parte, e "Subiendo Cuestas", tendo como destaque o charango, mas um ritmo muito sonolento.  Os deslizes ficam para "Canto a la Tierra" e "Elegía", totalmente descartáveis. Um disco ameno, que podia ser mais curto (principalmente nas canções com vocal), mas cuja importância é muito relevante, já que algumas pérolas são encontradas apenas aqui. Seguiu-se um longo hiato novamente, e somente em 2005 os fãs puderam se surpreender com mais um lançamento do conjunto, "Encordado". Com "Susana", "Castiñeira", "Alejandro Santos" (flauta, saxofone, quena, sikus), "Hugo Pierre" (saxofone, flauta, clarinete), "Ricardo Lew" (guitarra, violão), "Enrique Zurdo Roizner" (bateria) e "Allan Ballan" (baixo, violoncelo),  apresentando também um quarteto de cordas, bem como diversos convidados, o "Anacrusa" surpreendeu os fãs com "Encordado", no qual o o grupo homenageia o Brasil com "Nordestino", uma canção que, como o nome diz, remete ao nordeste brasileiro através da flauta, cordas e percussão. No álbum, há uma recriação mais lenta para "El Sacrificio", e também, "Mamboreta", nada mais que uma versão moderna para "Galopa del Mamboreta", do primeiro álbum. As canções populares soam cansativas, e aqui encaixam-se "Rema Rema", "Rio Rio", "La Partida" e "Atardecer".  Por outro lado, o instrumental continua impecável, como atestam "Prision", "Galeron" e "Cautiva". "Candombe de Alain", "Cruz de Sal" e "Zamba de Invierno" são o trio de ouro de um álbum mediano, contudo bem melhor que seu antecessor. Uma pequena série de apresentações acabou fazendo com que mais um registro ocorresse, dessa vez do álbum "En Vivo", registrado em novembro de 2005, no Teatro Presidente Alvear, em Buenos Aires,  e lançado no mesmo ano.  Desde então, "Castiñeira" segue sua carreira como compositor, e aguardamos por uma reunião que parece, por enquanto, existir apenas nos sonhos dos fãs de uma das melhores bandas da América do Sul.  A estrutura das canções em absoluto é muito fechada para a cultura peruana, boliviana, baladas argentinas, bolero, milongas... porém representa algo mais refinado e certamente a melhor vibração possível  da música popular Latina com o rock progressivo, recomendo.
FAIXAS:
1. Pullas (3:20)
2. Horizontes y senderos (5:21)
3. M`hey de guardar (1:58)
4. Tanta lágrima regada (2:59)
5. Los Capiangos (5:29)
6. Lamento del salitral (3:39)
7. Monserrat (2:29)
8. Maldito amor (4:03)
9. Polquita cruceña (2:48)
10. Lamento del silencio (6:05)
11. Cuando llegaré (6:48)
12. Vidala de la tierra conocida (5:02)
13. Cuando salgo a sabanear (5:22)
14. Polo margariteño (2:21)
15. Carnavalito y vidala (15:03)
Total Time: 1:13:03

MEMBROS:
- José Luis Castiñeira de Dios / charango, cuatro y guitarra
- Susana Lago / canto y piano
- Ruben Izaurralde / flautas y canto
- Bruno Pizzamiglio / oboe
- Quique Alvarado / bajo
- Carlos Carli / batería




Encordado 2005
"Anacrusa" é uma banda argentina formada no início dos anos 70 por "José Luis Castiñeira de Dios" (violão, charango, cuatro, bandoneón, baixo, arranjos) e pela voz marcante de "Suzana Lago" (piano, órgão, charango e voz), acompanhados pelo trio "Alex Eriich-Oliva" (double bass, violões, violoncelo), "Julio Pardo" (flauta, oboé, instrumentos de sopro) e "Elias Chiche Heger" (bateria, percussão). O grupo apresentava-se em pequenos locais de Buenos Aires, apresentando um som fortemente influenciado pelos ritmos portenhos e latinos. Durante a década de 70, Brasil e Argentina não rivalizavam apenas no futebol, mas também na formação de grandes bandas. Enquanto o Brasil tinha "Secos & Molhados", "Mutantes", "Som Nosso de Cada Dia" e "O Terço" (só para citar alguns), a Argentina rivalizava com "Sui Generis", "La Biblia", "Almendra" e "La Maquina de Hacer Pajaros" (também para citar só alguns). Porém, os argentinos tinham um diferencial em suas bandas, já que a maioria delas explorava com muita qualidade as características sonoras do seu país. Não era diferente com a "Anacrusa", uma banda espetacular, que sabia fazer miséria com tango, rock progressivo, mambo, milonga, chamamé e diversos outros estilos comuns ao pampa portenho. O grupo, cujo nome é uma forma musical européia, advinda do grego "ἀνάκρουσις", que significa retrocesso, tem uma história praticamente obscura, mas graças a geração MP3, o mundo pode conhecer uma das bandas mais versáteis que o pampa portenho já ouviu, que fez questão de retroceder às origens folclóricas de seu país, mas foi além com o passar dos anos e as inspirações progressivas. Não tardou para que assinassem um contrato com o selo Redondel, e em 1973, lançasse seu álbum de estréia, auto-batizado. O disco é muito belo, misturando os elementos do pampa com sutis porções de rock progressivo. Em pouco mais de trinta minutos, somos apresentados a diversos ritmos latinos, como as cuecas "La Rosa Y El Clave" e "Rio Limay", contrastando os violões, piano e bandoneón com majestosos solos de flauta e xilofone, e as canções populares e dançantes presentes no joropo "Lo Que Mas Quiero" e no merengue "Marula Sanchez".  A voz de "Susana" destaca-se na guajira "Pobre Mi Tierra" e em "Elegia Sobre Un Poema", onde ela realmente assombra. Os destaques ficam para as instrumentais "El Baile del Pajarillo" (joropo venezuelano), "Zamba de Invierno", ambas com um show de "Castiñeira" e "Pardo", "Galopa del Mamboreta", uma galopa com uma empolgante variação de ritmos entre piano e flauta, a andina "Viento de Yavi", todas com ótimas passagens de elementos prog com elementos do pampa, e a mágica chacarera "Piedra Y Madera", sem sombra de dúvidas a melhor e mais elaborada canção do LP.  São canções curtas, mas com um belo apelo emocional, que indicavam um promissor caminho para o quinteto, que na capa do LP, mostrava suas influências progressivas, imitando o "Pink Floyd" em "Ummagumma" ao posar com todos os seus instrumentos ao mesmo tempo. O álbum vendeu relativamente bem, angariando mais shows para o grupo e permitindo a gravação de um segundo LP no ano seguinte. "Anacrusa II" de 1974 apresenta a primeira reformulação da banda, agora com o "La Platense Rubén Mono Izaurralde" no lugar de "Pardo". O grupo continua suas explorações musicais no ano seguinte, e "Mono" foi a substituição, dando uma nova face para o grupo, já que além de tocar muito bem, também canta, aqui em "Rio Manzanares".  O álbum possui canções populares de diferentes países, como a citada "Rio Manzanares" (canción venezuelana), "Coplas de Cundinamarca" (coplas colombianas) e a dançante "Palmero" (marinero peruana), além de "Homenaje", uma cueca legitimamente portenha, e que está no lado B.  Mas com a dolorida "Polo Coriano", o grupo surpreende nas partes instrumentais, enaltecidas nas pérolas "Zamba de la Despedida", destacando o órgão de "Susana", a suíte "Campo Sur" e a suave "Saque Mi Corazón de la Tierra Quemada", com violão, flauta e piano dividindo as atenções. Há também a estonteante "Calcufurá", uma incrível canção na qual "Susana" usa e abusa das notas do piano, e "Mono" faz misérias com a flauta, encerrando de forma fantástica esse belíssimo álbum e mostrando os caminhos progressivos que o grupo iria seguir em breve. "Anacrusa" e "Anacrusa II" foram posteriormente relançados em um único CD, chamado "Anacrusa" (2001), trazendo todas as canções de ambos os álbuns.  O mercado latino começava a receber de braços abertos o quinteto, que não parava de produzir espetáculos cada vez mais concorridos. Porém, em plena ditadura militar, sobreviver como músico no país vizinho tornou-se uma tarefa complicada, e desta forma, as dificuldades financeiras começaram a aparecer. Mesmo assim, o quinteto seguiu na luta, e com uma nova formação tendo "Castiñera",  "Mono", "Susana", "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Quique Alvarado" (baixo e sintetizador), "Juan Carlos Lícari" (bateria) e "Ricardo Martinez" (percussão), lançam "Anacrusa III", em 1975, pelo pequeno selo Global.  Se em "Anacrusa II", os argentinos colocavam o pé levemente no progressivo, no terceiro disco a situação inverte-se, já que esse é o álbum mais folclórico do grupo, que como todos os demais, possui uma distinção muito clara nos ritmos apresentados.  Nas canções com vocal, temos o joropo de "Pullas", com os vocais divididos entre "Mono" e "Susana", as vidalas "Lamento del Salitral" e "Tanta Lagrima Regada", a marinera peruana de "M'hey de Guardar", a valsa peruana "Maldito Amor" e a milonga "Milonga del Silencio", ambas com dramáticas interpretações de "Susana".  Para manter a constante, os arranjos instrumentais do maestro "Castiñeira" são o que temos de melhor, enaltecendo cada vez mais o nome do grupo para os fãs, através das jóias "Polquita Cruceña", uma polca boliviana com um belo duelo de flauta e oboé, e "Los Capiangos", uma chaya típica representante da sonoridade "Anacrusa", trazendo como novidade a presença do sintetizador. A agitada candomble "Recuerdos de Monserrat", que serviria de base para outra canção do grupo no futuro, destacando a inclusão do xilofone na mesma, é um dos principais destaques, ao lado de "Horizontes Y Senderos", que traz lágrimas em suas três partes, uma mais bela que a outra, e totalmente distintas entre si, mostrando que é possível construir uma ótima canção repleta de variações em apenas cinco minutos. Em 2005, esse álbum foi relançado com o nome "Documentos 75-76", trazendo cinco bônus, que foram gravadas para o quarto álbum do grupo, o qual seria lançado em 1976, mas não chegou a sair. São elas: "Cuando Llegare", "Vidala de la Tierra Conocida", "Cuando Salgo a Sabanear", "Polo Margariteno" e "Carnavalito Y Vidala", sendo "Documentos 75-76" um álbum de mais fácil acesso em comparação aos demais. A ditadura passou a ficar cada vez mais pesada entre os hermanos, obrigando o grupo a retirar-se do país, buscando exílio na França em 1977. Apesar da saída às pressas da sua Terra Natal, os ares europeus foram revitalizadores, já que lá, o quinteto ampliou seus conhecimentos musicais.  Amigos argentinos e da América Latina em geral, também exilados na França, passaram a frequentar as residências de "Susana" e "Castiñeira", surgindo um novo "Anacrusa", agora com "Susana", "Castiñeira", "Pardo" e "Bruno", "Daniel Sbarra" (guitarras), "Jorge Trasante" (bateria e percussão), "Juan Mosalini" (bandoneon) e "Phillipe Pages" (piano, órgão). O que estava bom iria fica incrivelmente melhor a partir de então. Os novos rumos ainda levaram o grupo a assinar com o mega selo Philips, e em 1978, chegou às lojas o álbum "El Sacrificio", que na minha opinião é o melhor do grupo. Desde a estonteante entrada com "El Pozo de los Vientos", e uma impecável mistura de elementos progressivos com latinos, percebemos que o grupo cresceu e muito. Guitarra, baixo e piano misturam-se a flauta, oboé e percussões de uma maneira ímpar, sendo que o trabalho de "Sbarra" é perfeito, com suas distorções puramente psicodélicas, apresentadas na recriação de "Los Capiangos" e em "Quien Bien Quiere", ambas com um belíssimo arranjo orquestral.  O trabalho instrumental de "Castiñeira" e "Susana" é elevado para o nível mais alto, como atestam "Sol del Fuego", com uma ótima participação do bumbo-leguero, e na longa suíte "Tema de Anacrusa", uma canção merecedora de ser chamada de Maravilha, com seus treze incansáveis minutos de variações e andamentos mágicos criados por piano, flauta, saxofone, baixo, guitarras e percussão, além de fantásticas vocalizações de "Susana".  Aliás, o que ela faz com a voz na faixa-título assusta até fantasmas, e quando ouvimos os cinco minutos da Maravilhosa "Homenaje a Waldo", não tem como evitarmos as lágrimas e a tradicional frase cuja sigla é "PQP!", tamanha a emoção e perfeição que os músicos exprimem na mesma. Um disco perfeito, que ao lado de "La Biblia" (Vox Dei) e "Artaud" (Pescado Rabioso), está no topo dos Melhores álbuns já lançados por um grupo da Argentina. O "Anacrusa" seguiu como um grupo errante, atuando pouco mas concentrando-se bastante nas composições, além de uma grande mudança na formação, agora com "Castiñeira" e "Susana" acompanhados de "Narciso Omar Espinosa" (violão), "Tony Bonfyls" (baixo), "André Arpino" (bateria), "Jacky Tricore" (guitarra), "Alain Human" (percussão),  "Rubem Sanchez Resta" (percussão), "Patrice Mondon" (violino), "Pierre Gozzes" (saxofone), "Claude Maisonneuve" (oboé) e "Raymond Guiot" (flautas). O segundo disco do exílio demorou quatro anos para ser parido, com o nome de "Fuerza" e lançado em 1982, é um forte concorrente para "El Sacrificio" à posição de melhor do grupo. Temos um álbum muito elétrico, levado principalmente pela guitarra ácida de Tricore.  As únicas canções que trazem um pouco das origens são a quase "Weather Report" "Monserrat", inspirada nos acordes de "Recuerdos de Monserrat", e a bela faixa-título, com o bumbo leguero se fazendo presente, mas destacando exclusivamente o arrepiante arranjo vocal. No mais, o "Anacrusa" apresenta novidades em seu som, como as baladas "En Paz" e "Vidala de la Tierra", essa com um ótimo arranjo orquestral, e até mesmo jazz-fusion, na incrível "Presion", com "Susana" dando show ao piano, além de um duelo inesquecível de violino e guitarra.  A maravilhosa recriação para "Calfucurá" é tão sublime quanto a versão de "Anacrusa II", mas muito mais potente com a presença dos metais e das cordas, além do tom medieval empregado na parte final da canção. O melhor fica para o final, com a estonteante "Chaya", repleta de inspirações diversas, desde o jazz ao tango, e  a suíte "Voz del Agua", que certamente irá fazer você pensar "Por que eu não ouvi essa banda antes?", tamanha a profundeza emocional que o "Anacrusa" nos apresenta ao longo dos seus nove minutos de duração, nesta que é a canção mais trabalhada orquestralmente na carreira do grupo. Infelizmente, após o lançamento de "Fuerza", o grupo separou-se, com alguns músicos voltando para a Argentina e outros permanecendo na Europa. Nesse período, o "Anacrusa" entrou na obscuridade, e somente "Castiñeira" ganhou algum destaque, compondo trilhas para diversos filmes franceses e argentinos. Somente nos anos 90, uma nova reunião entre "Susana" e "Castiñeira" veio a ocorrer, e a mesma acabou gerando mais um registro fonográfico, o quinto do grupo. 13 anos depois de "Fuerza", "Castiñeira" e "Susana" reencontraram-se em Buenos Aires, registrando "Reencuentro" (1995), com a participação de diversos músicos convidados. No álbum, revezam-se "Arturo Schneider" e "Rubén Mono Izarrualde" (flautas), "Adalberto Cevasco" e "Quique Alvarado" (baixo), "Enrique Zurdo Roizner" e "Carlos Carli" (bateria), "Narciso Omar Espinoza" e "Ricardo Lew" (guitarras), além de "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Daniel Binelli" (bandoneón), "Hugo Pierre" (clarinete e saxofone) e "Víctor Skorupski" (flauta e saxofone).  O grande momento desse reencontro é a faixa que abre o CD, a suíte "Tristes Llanos", com épicos quinze minutos instrumentais nos quais piano, guitarra, flauta e saxofone são os senhores de uma musicalidade quase esquecida nos anos 90.  Depois, temos quinze canções que variam bastante os estilos, algumas reaproveitadas de obras já compostas por "Castiñeira", com "Susana" prestando sua voz para "Alla Viené Un Corazón" , "Ya Me Voy", e a excepcional "Hasta Volver", que são as canções mais folclóricas do álbum. Como sempre, os momentos instrumentais são os que mais chamam a atenção, destacando "Gotas", "Violento", "Bajo Otro Sol", "Noche de Cueca", Prisión" e "Glaciares", todas com complexos e belos arranjos.  Há ainda canções que perambulam entre agradar ou não, que são as baladas vocais "Procesión" e "Estilo", e as instrumentais "De Aca Y de Alla", com flautas andinas fazendo o solo principal, mas com um magnífico bandoneón na sua segunda parte, e "Subiendo Cuestas", tendo como destaque o charango, mas um ritmo muito sonolento.  Os deslizes ficam para "Canto a la Tierra" e "Elegía", totalmente descartáveis. Um disco ameno, que podia ser mais curto (principalmente nas canções com vocal), mas cuja importância é muito relevante, já que algumas pérolas são encontradas apenas aqui. Seguiu-se um longo hiato novamente, e somente em 2005 os fãs puderam se surpreender com mais um lançamento do conjunto, "Encordado". Com "Susana", "Castiñeira", "Alejandro Santos" (flauta, saxofone, quena, sikus), "Hugo Pierre" (saxofone, flauta, clarinete), "Ricardo Lew" (guitarra, violão), "Enrique Zurdo Roizner" (bateria) e "Allan Ballan" (baixo, violoncelo),  apresentando também um quarteto de cordas, bem como diversos convidados, o "Anacrusa" surpreendeu os fãs com "Encordado", no qual o o grupo homenageia o Brasil com "Nordestino", uma canção que, como o nome diz, remete ao nordeste brasileiro através da flauta, cordas e percussão. No álbum, há uma recriação mais lenta para "El Sacrificio", e também, "Mamboreta", nada mais que uma versão moderna para "Galopa del Mamboreta", do primeiro álbum. As canções populares soam cansativas, e aqui encaixam-se "Rema Rema", "Rio Rio", "La Partida" e "Atardecer".  Por outro lado, o instrumental continua impecável, como atestam "Prision", "Galeron" e "Cautiva". "Candombe de Alain", "Cruz de Sal" e "Zamba de Invierno" são o trio de ouro de um álbum mediano, contudo bem melhor que seu antecessor. Uma pequena série de apresentações acabou fazendo com que mais um registro ocorresse, dessa vez do álbum "En Vivo", registrado em novembro de 2005, no Teatro Presidente Alvear, em Buenos Aires,  e lançado no mesmo ano.  Desde então, "Castiñeira" segue sua carreira como compositor, e aguardamos por uma reunião que parece, por enquanto, existir apenas nos sonhos dos fãs de uma das melhores bandas da América do Sul.  A estrutura das canções em absoluto é muito fechada para a cultura peruana, boliviana, baladas argentinas, bolero, milongas... porém representa algo mais refinado e certamente a melhor vibração possível  da música popular Latina com o rock progressivo, recomendo.
FAIXAS:
1. Prisión (7:08)
2. Rema, rema (3:43)
3. Nordestino (5:34)
4. Cautiva (3:26)
5. El sacrificio (4:53)
6. Calerón (6:15)
7. Atardecer (3:47)
8. Cruz de sal (5:21)
9. Mamboreta (3:27)
10. La partida (5:15)
11. Candombe de Alain (6:13)
12. Zamba de invierno (6:52)
13. Río, río (2:48)
Total Time: 1:04:58

MEMBROS:
José Luis CAstiñeira de Dios - Musical Director
Susana Lago - Voices and Keyboards
Arturo Schneider e Rubén Mono Izarrualde - flautas
Adalberto Cevasco e Quique Alvarado - baixo
Enrique Zurdo Roizner e Carlos Carli - bateria
Narciso Omar Espinoza e Ricardo Lew - guitarras
Bruno Pizzamiglio - oboé
Daniel Binelli - bandoneón
Hugo Pierre - clarinete e saxofone
Víctor Skorupski - flauta e saxofone 




En Vivo 2005
"Anacrusa" é uma banda argentina formada no início dos anos 70 por "José Luis Castiñeira de Dios" (violão, charango, cuatro, bandoneón, baixo, arranjos) e pela voz marcante de "Suzana Lago" (piano, órgão, charango e voz), acompanhados pelo trio "Alex Eriich-Oliva" (double bass, violões, violoncelo), "Julio Pardo" (flauta, oboé, instrumentos de sopro) e "Elias Chiche Heger" (bateria, percussão). O grupo apresentava-se em pequenos locais de Buenos Aires, apresentando um som fortemente influenciado pelos ritmos portenhos e latinos. Durante a década de 70, Brasil e Argentina não rivalizavam apenas no futebol, mas também na formação de grandes bandas. Enquanto o Brasil tinha "Secos & Molhados", "Mutantes", "Som Nosso de Cada Dia" e "O Terço" (só para citar alguns), a Argentina rivalizava com "Sui Generis", "La Biblia", "Almendra" e "La Maquina de Hacer Pajaros" (também para citar só alguns). Porém, os argentinos tinham um diferencial em suas bandas, já que a maioria delas explorava com muita qualidade as características sonoras do seu país. Não era diferente com a "Anacrusa", uma banda espetacular, que sabia fazer miséria com tango, rock progressivo, mambo, milonga, chamamé e diversos outros estilos comuns ao pampa portenho. O grupo, cujo nome é uma forma musical européia, advinda do grego "ἀνάκρουσις", que significa retrocesso, tem uma história praticamente obscura, mas graças a geração MP3, o mundo pode conhecer uma das bandas mais versáteis que o pampa portenho já ouviu, que fez questão de retroceder às origens folclóricas de seu país, mas foi além com o passar dos anos e as inspirações progressivas. Não tardou para que assinassem um contrato com o selo Redondel, e em 1973, lançasse seu álbum de estréia, auto-batizado. O disco é muito belo, misturando os elementos do pampa com sutis porções de rock progressivo. Em pouco mais de trinta minutos, somos apresentados a diversos ritmos latinos, como as cuecas "La Rosa Y El Clave" e "Rio Limay", contrastando os violões, piano e bandoneón com majestosos solos de flauta e xilofone, e as canções populares e dançantes presentes no joropo "Lo Que Mas Quiero" e no merengue "Marula Sanchez".  A voz de "Susana" destaca-se na guajira "Pobre Mi Tierra" e em "Elegia Sobre Un Poema", onde ela realmente assombra. Os destaques ficam para as instrumentais "El Baile del Pajarillo" (joropo venezuelano), "Zamba de Invierno", ambas com um show de "Castiñeira" e "Pardo", "Galopa del Mamboreta", uma galopa com uma empolgante variação de ritmos entre piano e flauta, a andina "Viento de Yavi", todas com ótimas passagens de elementos prog com elementos do pampa, e a mágica chacarera "Piedra Y Madera", sem sombra de dúvidas a melhor e mais elaborada canção do LP.  São canções curtas, mas com um belo apelo emocional, que indicavam um promissor caminho para o quinteto, que na capa do LP, mostrava suas influências progressivas, imitando o "Pink Floyd" em "Ummagumma" ao posar com todos os seus instrumentos ao mesmo tempo. O álbum vendeu relativamente bem, angariando mais shows para o grupo e permitindo a gravação de um segundo LP no ano seguinte. "Anacrusa II" de 1974 apresenta a primeira reformulação da banda, agora com o "La Platense Rubén Mono Izaurralde" no lugar de "Pardo". O grupo continua suas explorações musicais no ano seguinte, e "Mono" foi a substituição, dando uma nova face para o grupo, já que além de tocar muito bem, também canta, aqui em "Rio Manzanares".  O álbum possui canções populares de diferentes países, como a citada "Rio Manzanares" (canción venezuelana), "Coplas de Cundinamarca" (coplas colombianas) e a dançante "Palmero" (marinero peruana), além de "Homenaje", uma cueca legitimamente portenha, e que está no lado B.  Mas com a dolorida "Polo Coriano", o grupo surpreende nas partes instrumentais, enaltecidas nas pérolas "Zamba de la Despedida", destacando o órgão de "Susana", a suíte "Campo Sur" e a suave "Saque Mi Corazón de la Tierra Quemada", com violão, flauta e piano dividindo as atenções. Há também a estonteante "Calcufurá", uma incrível canção na qual "Susana" usa e abusa das notas do piano, e "Mono" faz misérias com a flauta, encerrando de forma fantástica esse belíssimo álbum e mostrando os caminhos progressivos que o grupo iria seguir em breve. "Anacrusa" e "Anacrusa II" foram posteriormente relançados em um único CD, chamado "Anacrusa" (2001), trazendo todas as canções de ambos os álbuns.  O mercado latino começava a receber de braços abertos o quinteto, que não parava de produzir espetáculos cada vez mais concorridos. Porém, em plena ditadura militar, sobreviver como músico no país vizinho tornou-se uma tarefa complicada, e desta forma, as dificuldades financeiras começaram a aparecer. Mesmo assim, o quinteto seguiu na luta, e com uma nova formação tendo "Castiñera",  "Mono", "Susana", "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Quique Alvarado" (baixo e sintetizador), "Juan Carlos Lícari" (bateria) e "Ricardo Martinez" (percussão), lançam "Anacrusa III", em 1975, pelo pequeno selo Global.  Se em "Anacrusa II", os argentinos colocavam o pé levemente no progressivo, no terceiro disco a situação inverte-se, já que esse é o álbum mais folclórico do grupo, que como todos os demais, possui uma distinção muito clara nos ritmos apresentados.  Nas canções com vocal, temos o joropo de "Pullas", com os vocais divididos entre "Mono" e "Susana", as vidalas "Lamento del Salitral" e "Tanta Lagrima Regada", a marinera peruana de "M'hey de Guardar", a valsa peruana "Maldito Amor" e a milonga "Milonga del Silencio", ambas com dramáticas interpretações de "Susana".  Para manter a constante, os arranjos instrumentais do maestro "Castiñeira" são o que temos de melhor, enaltecendo cada vez mais o nome do grupo para os fãs, através das jóias "Polquita Cruceña", uma polca boliviana com um belo duelo de flauta e oboé, e "Los Capiangos", uma chaya típica representante da sonoridade "Anacrusa", trazendo como novidade a presença do sintetizador. A agitada candomble "Recuerdos de Monserrat", que serviria de base para outra canção do grupo no futuro, destacando a inclusão do xilofone na mesma, é um dos principais destaques, ao lado de "Horizontes Y Senderos", que traz lágrimas em suas três partes, uma mais bela que a outra, e totalmente distintas entre si, mostrando que é possível construir uma ótima canção repleta de variações em apenas cinco minutos. Em 2005, esse álbum foi relançado com o nome "Documentos 75-76", trazendo cinco bônus, que foram gravadas para o quarto álbum do grupo, o qual seria lançado em 1976, mas não chegou a sair. São elas: "Cuando Llegare", "Vidala de la Tierra Conocida", "Cuando Salgo a Sabanear", "Polo Margariteno" e "Carnavalito Y Vidala", sendo "Documentos 75-76" um álbum de mais fácil acesso em comparação aos demais. A ditadura passou a ficar cada vez mais pesada entre os hermanos, obrigando o grupo a retirar-se do país, buscando exílio na França em 1977. Apesar da saída às pressas da sua Terra Natal, os ares europeus foram revitalizadores, já que lá, o quinteto ampliou seus conhecimentos musicais.  Amigos argentinos e da América Latina em geral, também exilados na França, passaram a frequentar as residências de "Susana" e "Castiñeira", surgindo um novo "Anacrusa", agora com "Susana", "Castiñeira", "Pardo" e "Bruno", "Daniel Sbarra" (guitarras), "Jorge Trasante" (bateria e percussão), "Juan Mosalini" (bandoneon) e "Phillipe Pages" (piano, órgão). O que estava bom iria fica incrivelmente melhor a partir de então. Os novos rumos ainda levaram o grupo a assinar com o mega selo Philips, e em 1978, chegou às lojas o álbum "El Sacrificio", que na minha opinião é o melhor do grupo. Desde a estonteante entrada com "El Pozo de los Vientos", e uma impecável mistura de elementos progressivos com latinos, percebemos que o grupo cresceu e muito. Guitarra, baixo e piano misturam-se a flauta, oboé e percussões de uma maneira ímpar, sendo que o trabalho de "Sbarra" é perfeito, com suas distorções puramente psicodélicas, apresentadas na recriação de "Los Capiangos" e em "Quien Bien Quiere", ambas com um belíssimo arranjo orquestral.  O trabalho instrumental de "Castiñeira" e "Susana" é elevado para o nível mais alto, como atestam "Sol del Fuego", com uma ótima participação do bumbo-leguero, e na longa suíte "Tema de Anacrusa", uma canção merecedora de ser chamada de Maravilha, com seus treze incansáveis minutos de variações e andamentos mágicos criados por piano, flauta, saxofone, baixo, guitarras e percussão, além de fantásticas vocalizações de "Susana".  Aliás, o que ela faz com a voz na faixa-título assusta até fantasmas, e quando ouvimos os cinco minutos da Maravilhosa "Homenaje a Waldo", não tem como evitarmos as lágrimas e a tradicional frase cuja sigla é "PQP!", tamanha a emoção e perfeição que os músicos exprimem na mesma. Um disco perfeito, que ao lado de "La Biblia" (Vox Dei) e "Artaud" (Pescado Rabioso), está no topo dos Melhores álbuns já lançados por um grupo da Argentina. O "Anacrusa" seguiu como um grupo errante, atuando pouco mas concentrando-se bastante nas composições, além de uma grande mudança na formação, agora com "Castiñeira" e "Susana" acompanhados de "Narciso Omar Espinosa" (violão), "Tony Bonfyls" (baixo), "André Arpino" (bateria), "Jacky Tricore" (guitarra), "Alain Human" (percussão),  "Rubem Sanchez Resta" (percussão), "Patrice Mondon" (violino), "Pierre Gozzes" (saxofone), "Claude Maisonneuve" (oboé) e "Raymond Guiot" (flautas). O segundo disco do exílio demorou quatro anos para ser parido, com o nome de "Fuerza" e lançado em 1982, é um forte concorrente para "El Sacrificio" à posição de melhor do grupo. Temos um álbum muito elétrico, levado principalmente pela guitarra ácida de Tricore.  As únicas canções que trazem um pouco das origens são a quase "Weather Report" "Monserrat", inspirada nos acordes de "Recuerdos de Monserrat", e a bela faixa-título, com o bumbo leguero se fazendo presente, mas destacando exclusivamente o arrepiante arranjo vocal. No mais, o "Anacrusa" apresenta novidades em seu som, como as baladas "En Paz" e "Vidala de la Tierra", essa com um ótimo arranjo orquestral, e até mesmo jazz-fusion, na incrível "Presion", com "Susana" dando show ao piano, além de um duelo inesquecível de violino e guitarra.  A maravilhosa recriação para "Calfucurá" é tão sublime quanto a versão de "Anacrusa II", mas muito mais potente com a presença dos metais e das cordas, além do tom medieval empregado na parte final da canção. O melhor fica para o final, com a estonteante "Chaya", repleta de inspirações diversas, desde o jazz ao tango, e  a suíte "Voz del Agua", que certamente irá fazer você pensar "Por que eu não ouvi essa banda antes?", tamanha a profundeza emocional que o "Anacrusa" nos apresenta ao longo dos seus nove minutos de duração, nesta que é a canção mais trabalhada orquestralmente na carreira do grupo. Infelizmente, após o lançamento de "Fuerza", o grupo separou-se, com alguns músicos voltando para a Argentina e outros permanecendo na Europa. Nesse período, o "Anacrusa" entrou na obscuridade, e somente "Castiñeira" ganhou algum destaque, compondo trilhas para diversos filmes franceses e argentinos. Somente nos anos 90, uma nova reunião entre "Susana" e "Castiñeira" veio a ocorrer, e a mesma acabou gerando mais um registro fonográfico, o quinto do grupo. 13 anos depois de "Fuerza", "Castiñeira" e "Susana" reencontraram-se em Buenos Aires, registrando "Reencuentro" (1995), com a participação de diversos músicos convidados. No álbum, revezam-se "Arturo Schneider" e "Rubén Mono Izarrualde" (flautas), "Adalberto Cevasco" e "Quique Alvarado" (baixo), "Enrique Zurdo Roizner" e "Carlos Carli" (bateria), "Narciso Omar Espinoza" e "Ricardo Lew" (guitarras), além de "Bruno Pizzamiglio" (oboé), "Daniel Binelli" (bandoneón), "Hugo Pierre" (clarinete e saxofone) e "Víctor Skorupski" (flauta e saxofone).  O grande momento desse reencontro é a faixa que abre o CD, a suíte "Tristes Llanos", com épicos quinze minutos instrumentais nos quais piano, guitarra, flauta e saxofone são os senhores de uma musicalidade quase esquecida nos anos 90.  Depois, temos quinze canções que variam bastante os estilos, algumas reaproveitadas de obras já compostas por "Castiñeira", com "Susana" prestando sua voz para "Alla Viené Un Corazón" , "Ya Me Voy", e a excepcional "Hasta Volver", que são as canções mais folclóricas do álbum. Como sempre, os momentos instrumentais são os que mais chamam a atenção, destacando "Gotas", "Violento", "Bajo Otro Sol", "Noche de Cueca", Prisión" e "Glaciares", todas com complexos e belos arranjos.  Há ainda canções que perambulam entre agradar ou não, que são as baladas vocais "Procesión" e "Estilo", e as instrumentais "De Aca Y de Alla", com flautas andinas fazendo o solo principal, mas com um magnífico bandoneón na sua segunda parte, e "Subiendo Cuestas", tendo como destaque o charango, mas um ritmo muito sonolento.  Os deslizes ficam para "Canto a la Tierra" e "Elegía", totalmente descartáveis. Um disco ameno, que podia ser mais curto (principalmente nas canções com vocal), mas cuja importância é muito relevante, já que algumas pérolas são encontradas apenas aqui. Seguiu-se um longo hiato novamente, e somente em 2005 os fãs puderam se surpreender com mais um lançamento do conjunto, "Encordado". Com "Susana", "Castiñeira", "Alejandro Santos" (flauta, saxofone, quena, sikus), "Hugo Pierre" (saxofone, flauta, clarinete), "Ricardo Lew" (guitarra, violão), "Enrique Zurdo Roizner" (bateria) e "Allan Ballan" (baixo, violoncelo),  apresentando também um quarteto de cordas, bem como diversos convidados, o "Anacrusa" surpreendeu os fãs com "Encordado", no qual o o grupo homenageia o Brasil com "Nordestino", uma canção que, como o nome diz, remete ao nordeste brasileiro através da flauta, cordas e percussão. No álbum, há uma recriação mais lenta para "El Sacrificio", e também, "Mamboreta", nada mais que uma versão moderna para "Galopa del Mamboreta", do primeiro álbum. As canções populares soam cansativas, e aqui encaixam-se "Rema Rema", "Rio Rio", "La Partida" e "Atardecer".  Por outro lado, o instrumental continua impecável, como atestam "Prision", "Galeron" e "Cautiva". "Candombe de Alain", "Cruz de Sal" e "Zamba de Invierno" são o trio de ouro de um álbum mediano, contudo bem melhor que seu antecessor. Uma pequena série de apresentações acabou fazendo com que mais um registro ocorresse, dessa vez do álbum "En Vivo", registrado em novembro de 2005, no Teatro Presidente Alvear, em Buenos Aires,  e lançado no mesmo ano.  Desde então, "Castiñeira" segue sua carreira como compositor, e aguardamos por uma reunião que parece, por enquanto, existir apenas nos sonhos dos fãs de uma das melhores bandas da América do Sul.  A estrutura das canções em absoluto é muito fechada para a cultura peruana, boliviana, baladas argentinas, bolero, milongas... porém representa algo mais refinado e certamente a melhor vibração possível  da música popular Latina com o rock progressivo, recomendo.
FAIXAS:
01-Los Capiangos (8:08)
02-Cuando Llegare (8:36)
03-Mamboreta (4:04)
04-Maldito Amor (3:21)
05-Monserrat (6:06)
06-Cautiva (4:18)
07-Rema Rema (4:58)
08-Atardecer (5:56)
09-Galeron (6:13)
10-El Sacrificio (5:58)
11-Candombe De Alain (7:09)
12-Voz Del Agua (4:55)
13-Polo Margariteno (9:07)
14-Bis (4:01)
Total Time: 1:23:18

MEMBROS:
José Luis CAstiñeira de Dios - Musical Director
Susana Lago - Voices and Keyboards
Arturo Schneider e Rubén Mono Izarrualde - flautas
Adalberto Cevasco e Quique Alvarado - baixo
Enrique Zurdo Roizner e Carlos Carli - bateria
Narciso Omar Espinoza e Ricardo Lew - guitarras
Bruno Pizzamiglio - oboé
Daniel Binelli - bandoneón
Hugo Pierre - clarinete e saxofone
Víctor Skorupski - flauta e saxofone 

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